Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano NOVO!


Esse foi o primeiro ano do Pilha Pura, nascido em março, em que fomos acumulando muita coisa boa, a começar pelos colaboradores que foram chegando aos poucos (e aguardamos mais) e as pessoas que visitam e comentam (ou não), mas principalmente por nos proporcionar um reencontro com amigos de forma bem humorada, descontraída e sem compromisso.

Faça uma retrospectiva do primeiro ano do Pp rolando o mouse o revisitando as nossas postagens e comentários.

FELIZ 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A BUSCA DO SOCIALISMO NÃO É QUIXOTESCA


Jadson Oliveira (amigo e colaborado do Pp)  concedeu entrevista ao jornalista Biaggio Talento  sobre suas viagens pela América Latina, publicada hoje no jornal A Tarde, B2 do caderno de Política ( página inteira!), reproduzida no blog do pilheiro Evidentemente.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O fotógrafo e músico que virou piloto


Carrilho acaba de fotografar  solenidade de inauguração no Sul do estado e cai  na festa regada a muita comida, especialmente frango, e  bebida à vontade. Sai com uma garrafa de uísque debaixo do braço, um mimo oferecido pelo prefeito da cidade, e pra lá de bebum entra no avião de volta para Salvador, acompanhado de uma jornalista e de outro cara que pega carona, um negão alto, forte e falante.

No ar, o piloto passa mal e, balbuciando, diz que o problema deve ter sido provocado pelo frango que comeu, depois desmaia. O negão fica branco e mudo, a jornalista dá  piriri e Carrilho, anestesiado pelas doses de uísque,  apenas retruca:

- Queeeee fran-go, naaa-da... tooo-do mundo aqui comeu frango...

Com a mesma voz trôpega, Carrilho fala  com o pessoal da torre, acionado pelo piloto antes de apagar. O comando  que vem de lá é para o próprio Carrilho seguir as instruções e pilotar o avião. Ele segue tateando, mas  conduz a aeronave até a capital (acredite!). Perto do aeroporto de Salvador avisa:
- Sóóóó.. não sei ... coooooooo-mo vou con-se-guir freaaar esssssssa coisa!
A torre pede calma.

Na pista, todo o aparato para aguardar o pior foi providenciado (carros de bombeiros, ambulâncias e profissionais de apoio do aeroporto a postos).

Mas eis que o piloto se recupera do desmaio e, ainda tonto, retoma a  direção e pousa.

Nessa história, real, contada pelo próprio Carrilho, fotógrafo e músico dos bons, valeu o ditado: "Deus protege os inocentes" .

sábado, 26 de dezembro de 2009

Charge de Borega por Borega


O amigo e colaborador aqui do Pp publicou no site Bahia Notícias a charge dele feita por ele com a seguinte mensagem:

"Desejo Feliz Natal  e um 2010 de PAZ, SAÚDE  E SUCESSO ( ... e muita música e bom humor sempre!)"


Esse é o cara!

"UNICEF CONFIRMA: CUBA TEM 0% DE DESNUTRIÇÃO INFANTIL.


Jadson Oliveira



Para incentivar o debate aberto aqui no Pilha envolvendo a polêmica sobre Cuba, transcrevo abaixo chamada de matéria da Agência Carta Maior (vi a mesma notícia no sítio da TV Telesur - www.telesurtv.net).


Segundo a ONU, Cuba é o único país da América Latina e Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do governo para melhorar a alimentação da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis.

As duras realidades do mundo mostram que
 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina.
 Só no México há 5,2 milhões de pessoas desnutridas.
 No Haiti, são 3,8 milhões,
 enquanto que, em todo o planeta, mais de cinco milhões de crianças morrem de fome todos os anos".

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Amanhecer

Véspera de Natal fomos para a ceia na casa de minha avó, dona Elza. Lá com cerveja, 6, 750 l de coca-cola e pouca água, os adultos todos dançando na varanda, ficamos eu, Hanna, Guga, Fabrine, Daniel e Dudinha brincando na sala e no salãode tia Angélica. Como dormimos de tarde, ficamos sem sono e quando cheguei em casa não dormi, fiquei assistindo o amanhecer, que por coincidência é o quarto livro da saga Crepúsculo, do qual sou fã e estou terminando de ler.
Fiz essas ftos do amanhecer da janela da nossa sala. Lindo, lindo ,lindo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Coisa de Natal



Os pilheiros saíram para as compras de última hora.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dezembro gordo


Socorro! Assim não tem malhação nem lipo que se sustente, até porque não há tempo para tanto, essa história de encontros, confraternização de colegas de trabalho, de academia, de grupos, de amigos da infância, de colegas da faculdade, e reencontros de final de ano com a parentada e amigos que moram fora e chegam nessa época, aniversários, chás de bebê, de casa nova, de reforma de casa, disso e daquilo outro... É muita festa e comilança num mês só.
Acho que vou estourar!


sábado, 19 de dezembro de 2009

Festival Margarida Costa

Ontem fomos ao Festival de Ballet da Margarida Costa, a escola que Liz (a do vestido azul) e Alana (de amarelo) estudam e tia Maria Fernanda (de rosa, que organizou a peça de lá da minha escola, Acalanto) ensina.
Mariana também tava lá com Tontonta e dona Nair. O festival foi lindo e Liz e Alana estavam lindas demais! No segundo ato teve também a história de Carmem Miranda com a professora Jamiller fazendo ela.







Quinteto: tia Nanda, eu, Alana, Mariana e Liz.

















Minha mãe e Liz.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Evidentemente de volta


O companheiro Jadson já está em solo baiano e brindou o retorno tomando toooo-das no Boteco do França ontem à noite.


Na despedida da Bolívia, em  seu blog Evidentemente, avisou do retorno à terrinha se gabando todo:

-Agora sim, os amigos podem sentir inveja: vou de férias para "Salvador de Bahia", onde “sou amigo do rei” e durmo com “aquela mulher” que quero.

Bem vindo amigo


 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

e-cunhada




Crédula demais e zelosa ao extremo, minha cunhada sempre me divertiu muito com as últimas novidades que circulam na internet. Eu me divirto, mas discretamente, porque ela acredita em tudo e se ofende se a gente diz que não é verdade.



Com a cara muito séria e preocupada, me entregou uma cópia impressa de um texto dizendo que a Mc Donalds não tem nada com galinha, usa um bicho esquisito fabricado em laboratório, sem pé nem cabeça, sem olhos, nem boca, sem eira nem beira.



- Eca! Essa Mc é monstra, reagi (contendo o riso)

- É mesmo. Eu sempre desconfiei, mas é verdade, taí na internet.



Outro dia me cortou uma conversa descontraída para um alerta im-por-tan-tíssssss-si-mo (ela fala assim mesmo, soletrando e superlativisando):



- Não leve sua filha ao cinema. Você soube da última? Tem um louco colocando agulhas nas cadeiras contaminadas com o vírus da Aids!



E a coca-cola, que já tem lá seus venenos gostosíssimos e inimigos das mães, ganhou uma adversária ferrenha, depois que a cunhada ouviu falar de um e-mail contando que caiu um homem no tanque da fábrica de coca e ninguém fez nada (ê vidão!).



Não há conversa com a cunhada que não role um terrorzinho do tipo. E ela não faz por mal. Acredita mesmo e teme por todos que estão ao redor, ou não. Tanto que trata logo de pedir a uma cliente da sua loja para enviar e-mail para todo mundo alertando, porque quem avisa amigo é.



Dia desses, cheguei na casa dela e fui logo advertida:



-Cuidado com essa história de caixa eletrônico. Pelamordedeus, prefira ir ao caixa comum. Sabe que agora estão colando adesivo enquanto a pessoa está concentrada para sacar o dinheiro pra depois roubá-la assim que sair do banco eletrônico?



Confesso que essa me deixou preocupada, esse negócio de caixa eletrônico dá medo mesmo. Mas o pior é que a cunhada não pára de atormentar a gente com as histórias que ela ouve falar que alguém viu na internet (ela sequer tem e-mail). Pior mesmo, é quando ela pede a gente para entrar nas correntes virtuais para ajudar alguém ou ganhar algum benefício. E não é que ela está crente que vai receber um celular Ericsson no Natal porque incentivou uma amiga a enviar uma corrente dessas?



Resolvi sacanear com a parentada na internet:fiz um e-mail para a cunhada.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lançamento de livros reúne jornalistas

Os eventos na Assembléia Legislativa são chatos, porque muitos dizem que não vão discursar, mas acabam matracando.  Exceção à regra, o final da tarde ontem (15/12) foi um bom momento, pela objetividade dos envolvidos e a oportunidade de reencontrar grandes e velhos amigos e  colegas que foram prestigiar os autores de mais cinco livros da coleção "Gente da Bahia",  sobre personalidades baianas. Trata-se de uma iniciativa bacana da Alba, coordenada por Paulo Bina,chefe da Assessoria de Comunicação, e Délio Pinheiro, assessor para assuntos de Cultura, ambos conhecidos nosso aqui no Pilha pura.


Família Talento presente: Carmela acompanha e clica o lançamento do irmão autor

Falando em nome dos autores, o jornalista e amigo Biaggio Talento deu o recado rapidinho, disse que não ia fazer discurso e não fez mesmo. Além de economizar a paciência da platéia, agilizou a vida dos colegas que deram uma escapada das redações  para prestígiá-lo e aos outros . Biaggio  e Luiz Alberto Couceiro lançaram o livro o sobre  Edison Carneiro, enquanto Fabiano Viana Oliveira, filho de Jadson Oliveira, lançou dois, um sobre Nelson Carneiro e outro sobre Dom Timóteo; José de Jesus Barreto e Otto Freitas sobre Pastinha e Cláudios Portugal   sobre Juarez Paraíso, sendo este o único vivo entre as personalidades homenageadas.  Juarez Paraíso inclusive estava presente e eu não perdi a oportunidade de pedir autógrafo e ainda posar para foto com ele, que depois exibo aqui ou no meu orkut.



Taí o filho de Jadson, Fabiano (sentado) ao lado de Biaggio
A elegância dos capoeristas discípulos do mestre Pastinha e (abaixo) eu com Otto e Barretinho


Carmela Talento comentou:
"Encontrei velhos e queridos amigos jornalistas de muitos anos de convivência, algum deles não via faz tempo. Muitos já de cabelos brancos, outros nem tantos, mas todos com o mesmo bom humor de sempre. Dei boas gargalhas com Bené Simões, João Plim-plim e Renan, mas o inusitado é que nesse mesmo evento foram entregues também os prêmios aos melhores deputados do ano, eleitos pelo Comitê de Imprensa da Casa e aos jornalistas que melhor cobriram os trabalhos Legislativos. Aí veio a surpresa: na hora dos agradecimentos os jornalistas assumiram o microfone e não queriam mais largar, alguns falaram mais de 40mim. Pensei com meus botões: isso deve ser revanche, porque passaram o ano inteiro ouvindo discurso dos parlamentares e estão aproveitaram a ocasião para revidar. Bem pouco.


De volta ao lançamento dos livros tem que se reconhecer e elogiar a iniciativa da Assembléia de resgatar personalidades da história da Bahia, algumas esquecidas apesar da importância, e também abre o campo editorial permitindo a revelação de muitos e bons escritores. Hoje comecei a ler Pastinha de autoria de duas feras do jornalismo, Otto Freitas e Barretinho, e logo nas primeiras páginas se percebe a beleza de texto".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Contagem regressiva


Faltam poucas horas para a chegada de Manu, uma de nossas visitantes internacionais mais assíduas. Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!

Terremoto na Bahia?

Os jornalistas que cobrem o plenário da Assembléia Legislativa da Bahia levaram o maior susto agora há pouco ( por volta das 16h), quando a tribuna de imprensa começou a trepidar. O "fenômeno" aterreorizou a todos, depois que um dos profissionais questionou se estaria acontecendo um tremor de terra. Algumas figuras mais amedrontadas recolheram rapidinho blocos, canetas e celulares e saíram correndo até o Salão Verde em busca da ajuda dos seguranças, que garantiram tratar-se das máquinas utilizadas na obra do novo prédio que está sendo construído.

Detalhe: Deputados presentes no plenário começaram a provocar os jornalistas sobre o que estaria acontecendo, e se o tremor teria sido em função do clima dos discursos ou um fenômeno natural.

PS: De início eu nem notei a trepidação, mas saí correndo só de ver a cara apavorada de Zéu Matos kkkkkkkkkkkkkkk....

Crepúsculo ou alvorecer?


JADSON OLIVEIRA

De La Paz (Bolívia) - Tenho que deixar um pouco meu acompanhamento das coisas bolivianas para voltar a cabeça às coisas cubanas, não me agrada, mas vou dar algumas opiniões aligeiradas para atender à pressão dos companheiros e companheiras do Pilha pura, que parecem achar ser importante o que eu tenha a dizer. A polêmica sobre Cuba é grande e antiga, talvez por isso tenha medo de parecer leviano. Minha visão, desorganizada, precisaria ser debatida com outras pessoas, com companheiros, para lapidar mais um pouco. Mas, enfim.

Não compartilho de maneira alguma com a visão do jornalista Samarone Lima, autor do livro Viagem ao Crepúsculo. Essa coisa de crepúsculo da revolução cubana é velha, muito velha, não aconteceu nem quando a União Soviética desmoronou, época que os cubanos chamam de “período especial”, período de sofrimentos redobrados.
Já ouvi palpites estranhíssimos sobre o “fim próximo” da experiência socialista cubana. Uma vez um professor brasileiro que encontrei por lá me disse que os Estados Unidos só “mantinham” Cuba assim como ela é para mostrar ao mundo que o bom mesmo é o capitalismo, ou seja, “a democracia”, como nos ensinaram a dizer. Uma perfeita loucura!

Pintar a cena cubana de inferno, fome, desespero, delação, carência absoluta de liberdade, para mim, é tomar uns casos ou outros pela realidade geral, é trilhar, consciente ou inconscientemente, pelo caminho largo e bem pavimentado aberto pelo cerco midiático a que estamos submetidos pelo império estadunidense (poderíamos acrescentar cerco cultural, além do econômico, financeiro e militar).

Respeito muitíssimo nosso Frei Betto, por toda a sua história de compromisso em defesa dos mais pobres e oprimidos. Não tenho os elementos que ele deve ter para avaliar a blogueira cubana Yoani Sánchez, mas desconfio seriamente desses defensores da liberdade que viram heróis, da noite para o dia, na mídia capitalista.

Passei oito meses em Cuba, a maioria do tempo em Havana, de julho/2007 a fevereiro/2008. Acho que aprendi muita coisa. Vi muita coisa que me agradou e vi também muita coisa que me desagradou.

Vou tentar me lembrar primeiro das coisas ruins.

O assédio aos turistas. Creio que uma boa parcela de jovens vive do ofício de explorar, roubar, “estafar” a turistada (bom esclarecer, na base da enrolação, no papo, sem violência física). A todo momento se aproxima um dizendo “brasileño!” e tome enrolação. É uma coisa horrível, tive uns amigos, gente boa, que morriam de vergonha, diziam que aquilo desmoralizava a revolução. Uma vez tratei grosseiramente um rapaz e quebrei a cara, era gente boa que queria só ajudar. Tem gente assim também, muito receptiva.

Junto com isso, podemos lembrar a prostituição, apesar da vigilância policial. O turista arranja logo, logo, fácil, fácil, aquelas mulatinhas jeitosas, “jovencitas”, gostosinhas.

A dificuldade para comprar coisas triviais, dentro dos padrões comuns da nossa classe média (talvez classe média baixa). No caso dos cubanos, também por falta de dinheiro (os salários são baixíssimos, já que o Estado dá de graça o básico para a sobrevivência material). No caso dos estrangeiros, há falta das mercadorias. Eu que sou um consumidor pouco exigente, sofri pra comprar três coisas: fio dental (um dentista me garantiu que não se vendia por lá), café descafeinado (encontrava esporadicamente) e bloqueador solar daqueles mais fortes.

O consumismo, esse fundamentalismo da sociedade moderna, como teorizava nosso grande Milton Santos, continua firme e forte, apesar dos 50 anos de revolução, apesar dos sonhos de Che Guevara de construir o “homem novo”. Essa praga está no ar em nosso mundo capitalista “democrático” ocidental, continua letal, não se fabricou ainda uma vacina eficaz contra seu vírus. No caso de Cuba, para reforçar, os Estados Unidos mantêm emissoras de rádio e TV, clandestinas, com programação especial para a ilha, injetando esse vírus diretamente na mente dos cubanos.

(Tentando teorizar um pouco – não tenho formação intelectual para isso -, acho que a ideologia do consumismo, que continua viva, é um dos principais panos de fundo de grande parte das críticas feitas à vida dos cubanos. Além das emissões clandestinas de rádio e TV, cito duas coisas simples com as quais convivi diariamente em Havana: o grande número de filmes, enlatados, norte-americanos nas TVs estatais (uma contradição intrigante, com toda sua carga de ideologia e cultura capitalistas) e as ilusões derramadas pelas novelas brasileiras, da Globo, popularíssimas por lá.

(Ainda tentando teorizar: pensei que não iria falar nisso, mas é claro que nuns 70% dos problemas criticados na sociedade cubana, pode-se identificar outro pano de fundo fundamental: o criminoso bloqueio econômico que tem quase a mesma idade da tomada do poder pelos barbudos de Fidel e que, todo ano, é condenado por quase todos os países da ONU – placar de mais ou menos 189 a 3. Isso é tão badalado que o governo às vezes é acusado de usar o bloqueio como álibi para eventuais falhas administrativas).

Por falar em meios de comunicação. Tudo lá é estatal, então só se tem um lado da notícia.

Me lembro de um programa de debates lá numa das TVs: é a coisa mais sem graça do mundo, todos os “debatedores” têm posições, no fundamental, semelhantes. (Um exemplo interessante: nunca vi por lá uma notícia negativa sobre o governo Lula). Mas, não se enganem, não é muito diferente da nossa imprensa “democrática”, a diferença é que o pensamento único está no outro lado da notícia. Exagero? Pensem nos “especialistas” que a nossa TV Globo botava na tela pra falar das excelências do neoliberalismo. Pensaram?


Liberdade de imprensa, a famigerada liberdade de expressão, ou mais precisamente, a liberdade das empresas privadas, a liberdade dos monopólios de comunicação, essa não existe mesmo não. Isso é bom ou ruim? Eu acho ótimo. No Brasil ela está em pleno vigor e veja a merda que é. Vamos ver agorinha mesmo (acho que é de 14 a 17 deste mês) a nossa primeira Conferência Nacional de Comunicação – Confecom.

Mais: o racismo contra os negros continua vivo, apesar dos esforços em contrário do governo, desde o início da revolução. Vê-se isso facilmente no dia-a-dia (embora não se tenha qualquer notícia de matança de negros pobres, como acontece na periferia de Salvador, por exemplo, um verdadeiro genocídio praticado pela polícia estadual. Pode-se dizer que, no caso do Brasil, trata-se de uma política de Estado, assim com o “E” maiúsculo).

E mais: uma certa falta de perspectivas para as camadas mais jovens, grande parte alimenta o sonho de trabalhar e ganhar dinheiro no Brasil, nos Estados, etc.; a homofobia lá é fortíssima; os hábitos de higiene e alimentação são péssimos, o que contradiz os avanços da medicina, especialmente a preventiva; o serviço de transporte coletivo, embora quase de graça, era uma calamidade no tempo em que estive lá, soube que tem melhorado.

Há muita corrupção entre as camadas mais baixas do funcionalismo, essa coisa de pequenos valores, troco a menos para turistas, “jeitinho” para aumentar a renda, eles chamam de “lucha” (luta). Já li artigo no Granma, o principal jornal de lá, estatal, criticando este fenômeno. Que mais? Vou parar, porque do contrário vai me faltar tempo pra falar das coisas boas.

Pois é, gostei de muitas coisas, vamos lá:

O principal, penso, é a garantia de sobrevivência material para todos, o mínimo para comer, morar, estudar, cuidar da saúde, tudo por conta do Estado. Pode-se apontar falhas, acredito que tenham muitas, mas, friamente, sem paixões ideológicas, creio que a situação para os mais pobres é muito superior à existente em todos os países da América Latina, incluídos os atualmente em processo revolucionário (como a Bolívia), os que contam com governos considerados progressistas (como o Brasil) e os ainda atolados no lamaçal do neoliberalismo.

A condição das crianças em Cuba, é, no geral, excepcional. Todas (ou quase todas, vamos nos precaver contra possíveis falhas) estão na escola. Me lembro de um out-door em algumas ruas e praças de Havana, dizendo mais ou menos assim: “Das 800 mil crianças (não tenho certeza se o número está correto, esse negócio de guardar cifra na cabeça é um porre) que dormem nas ruas pelo mundo, nenhuma é cubana”. Mentira? Se fosse, a chamada imprensa burguesa, cujos repórteres passam sempre por lá, entrevistando dissidentes, etc, já teria mostrado, rapidinho, os “niños y niñas” dormindo pelas “calles”.

(Vamos relativizar essa coisa de falta de crítica ao regime pela internet. A blogueira de agora não é um fato inédito, nem é uma ação solitária. Quando estive por lá, havia uma outra bastante conhecida e comentada, de posições sólidas de crítica ao governo cubano. Se não me equivoco, seu nome é Soledad Cruz, pelo que sei, através de uma amiga comum, é uma pessoa de bem e continua lá firme e forte. Outro fato no meu período por lá foi um estudante que peitou uma das mais altas autoridades do regime (é mais ou menos o equivalente ao nosso presidente do Congresso Nacional) num debate público, reclamando das restrições ao uso de um desses provedores da internet (yahoo? não tenho certeza). Pelo que sei, não aconteceu nada de especial com o rapaz, uma TV estatal fez entrevista com ele, etc e tal.

Bem, vou resumir o depoimento que adiante vai, está crescendo demais:

Andar pelas ruas, sozinho, a qualquer hora da noite e ainda com as ruas mal iluminadas. Isso eu só fiz em Havana, não tenho coragem de fazê-lo em Salvador, Manaus, Belém, Curitiba, Assunção, Caracas e La Paz, para citar as cidades onde estive recentemente. Os índices de assaltos, com violência e uso de armas, são baixíssimos.

Todo mundo (ou quase todo mundo) tem seu emprego, quase todo mundo funcionário público, salário baixíssimo e também – um detalhe que prejudica a economia – produtividade muito baixa. Me parece que o cara, de qualquer jeito, já tem seu emprego assegurado, então não há muito empenho.

Pra quem curte as chamadas atividades culturais, Cuba é realmente um paraíso. Cinema, teatro, espetáculos musicais, exposições de arte, tudo praticamente de graça. Livros, também baratíssimos.

Mais uma coisa:
não há estresse, talvez por isso as pessoas normalmente vivam muito (lá tem um tal de clube dos 120 anos). As pessoas fazem fila pra tudo, ficam lá numa boa, pra comprar sorvete, pra entrar nas lojas, pra esperar o ônibus e bote esperar... Mas, curiosidade, o cubano não fica propriamente na fila, ele chega, grita “el último”, o último da fila se mostra, então ele fica por ali por perto, sabendo quem é a pessoa que está à sua frente.

Bem, vou parar, devem ter mais coisas boas e ruins, mas o texto já cresceu demais, eu temia justamente isso. Há um mundo de coisas. Vocês me provocaram, vão me perdoar as omissões, a falta de objetividade, talvez em outra ocasião...

Só vou acrescentar uma coisa que, para mim, talvez seja o que mais me toca: a falta de efervescência política, a falta de protagonismo dos movimentos sociais, o que não vi em Cuba e que, ao contrário, me encantou na Venezuela e, agora, muito especialmente, na Bolívia.
Já pensei muito nisso, necessitaria discutir com outras pessoas para tentar entender melhor. Me parece que, de alguma forma, os cubanos – as gerações mais recentes – precisam de novos desafios em busca dos sonhos coletivos, da utopia, das novas formas de socialismo, do humanismo, que foi uma marca forte daquela geração de revolucionários que tomou o poder há 50 anos, que “assaltou os céus” nas barbas do poderoso império.

Muita gente prefere acreditar que não há eleições em Cuba. Há sim, com suas peculiaridades, que podem ser discutidas. Acompanhei lá todo um processo eleitoral, foi quando Fidel Castro, enfermo e já afastado do comando direto do país, desistiu da reeleição. Em termos numéricos, a participação da população nas eleições é altíssima, porém não vi entusiasmo algum nessa participação.

Falta alguma coisa em Cuba, alguma coisa que revitalize a paixão revolucionária de um Fidel,
a pureza revolucionária de um Che, a espontaneidade revolucionária de um Camilo Cienfuegos.

De quando em quando vejo na televisão o presidente venezuelano, Hugo Chávez, o principal líder da luta anti-imperialista da América Latina, alertando para o risco do burocratismo. “É igual ao colesterol”, diz ele, quando a gente menos espera, bum!, É um inimigo pior do que o império dos Estados Unidos, porque contra este inimigo a gente está sempre atento, enquanto o outro é traiçoeiro. Poderíamos fazer alguma ilação pensando nas dificuldades da revolução cubana?

Outra coisa que Chávez repete sempre: sem a revolução cubana não haveria a revolução bolivariana, como se chama o “proceso de cambio” no seu país. "Fidel es nuestro padre” (nosso pai, pra quem não está habituado ao espanhol). Fico matutando: se Cuba é o berço desse belo processo de alvorecer da América Latina, onde e como fica o protagonismo interno das novas gerações de cubanos?

domingo, 13 de dezembro de 2009

DILEMA




Lendo os textos postados pela blogueira Yoani Sánchez sobre o cotidiano dela e de outros cubanos, com tantas informações e sentimentos, acabo me questionando sobre a linha que o nosso Pilha pura acabou tomando, se não deveríamos falar mais de coisas mais sérias, que nos afligem, contra as quais teríamos que contestar, protestar, denunciar, esbravejar ...

Acho que estou em crise existencial como blogueira, apesar do nosso Pilha pura já contar com 342 postagens em nove meses de existência, portanto com atualizações diárias sem ser noticiário (o que é mais fácil, porque um blog copia o outro, que copia o jornal, que copia o rádio...) e fazer uma mistureba de assuntos. Além disso, aqui não há retorno financeiro e ainda assim conta com amigos colaboradores e acho que é esse o grande feito do blog: nos aproximar ainda mais. Mas é que às vezes fico a questionar a utilidade do que é postado aqui, no sentido de formar opinião.

Certo dia Bené Simões me falou que curte muito o Pilha pura, porque acaba registrando, contando história (não a oficial de fatos decisivos para a sociedade, mas de um cotidiano que também vai construindo história), exemplificando com os casos contados aqui sobre um período dos jornais baianos, mais especialmente da Tribuna da Bahia, por onde passou a maioria dos colaboradores do Pp. Partindo de Bené, isso nos encoraja, sendo um colega tão criterioso e crítico.

Já retomando o ânimo, enquanto escrevo esse desabafo sobre as minhas dúvidas (tenho esse mérito, num estalo só eu saio da deprê), fazer Jadson escrever amenidades e sobre assuntos não necessariamente relacionados à sua ideologia e conectar Paulo Bina, que sequer tinha e-mail, já valeu a pena, e vale. Quanto ao conteúdo, está aberta a discussão. Façam as suas críticas e propostas.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A charge de Borega


Ângelo Coronel e Maria Luiza Carneiro nos traços do Borega, publicada hoje no blog O Recôncavo http://www.oreconcavo.com.br/.

Saidinha baiana


Não sei o nome dessa, porque as gripes são que nem furacão, sempre ganham apelidos. Mas é porrada! Estou há uma semana moída, acabada, não tem Tremedal e Cewin que dê jeito. Ontem não tive como escapar e fui assim, arriadaça, enfrentar o shopping Iguatemi. É que compromisso com filho é difícil de escapar, ainda mais que a danadinha vinha combinando com os colegas da escola um reencontro (está de férias desde à semana passada) para ir ao cinema e ao Playland ( imaginem meu sufoco). E ainda tinha prometido para Carminha que a ajudaria a comprar uma geladeira nova.

Saímos de casa às 14 horas e tome-lhe engarrafamento. Salvador está insuportável com tantos carros. Parece que despejaram aqui, de uma hora para outra, a produção anual de todas as fábricas de veículos do país. E assim, no começo da tarde, com tantos carros circulando, a gente pensa que ninguém mais precisa trabalhar, tá todo mundo no vidão passeando de shopping em shopping (e não tem shopping que chega para tanta gente). Cheguei no Iguatemi bem acabadinha, mas era só o começo. Depois do esforço de uma tarde no shopping (quando estou bem isso não é problema... hehehehe), novo engarrafamento.

Acho que encontrei o nome da maldita gripe desse final de ano: saidinha baiana.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A dor da gente não sai no jornal, mas tem a rede

O sentimento de insignificância e impotência expresso pela frase de Chico Buarque na música em que fala de uma mulata triste chamada Joana, que segundo ele próprio foi inspirada numa nota de rodapé de página policial de um jornal, encontrou alento na internet.

O fenômeno da web abriu espaço para todo tipo de desabafo, onde é possível expressar a própria dor e debater pontos de vista, até mesmo onde isso não é permitido fazer assim publicamente, como acontece em Cuba, desde que tenha a coragem de Yoani Sánchez (foto ao lado), que em seu www.desdecuba.com/generaciony) relata o cotidiano e as dores de um povo que vive restrições e limitações impostas por um bloqueio econômico internacional cruel e inaceitável, tanto quanto a mordaça imposta pelo governo à população.

O tema me despertou especialmente pela minha atração pela internet e os blogs, mas do ponto de vista do avanço da democratização da comunicação (lembra Jadson? O sonho de todo jornalista era ter o próprio jornal para praticar a real liberdade de expressão, mas o blogs vieram proporcionar esse espaço, inclusive sem custo).

Além disso, estou às voltas com os livros "De Cuba com Carinho", sobre postagens de Yoani Sánchez, e com "Viagem ao crepúsculo", do pernambucano Samaroni Lima. Ambos relatam o cotidiano da ilha, sendo que a blogueira vive em seu país de origem e o jornalista brasileiro passou um mês por lá procurando conhecer melhor a vida dos cubanos.

Sobre a blogueira quero comentar aqui alguns aspectos das suas vigorosas e corajosas postagens, mas só depois que eu acabar de ler o livro. Quanto ao escritor Samaroni Lima (foto ao lado), o conheci na semana passada, quando ele veio lançar o livro em Salvador (figura de boa prosa, bastante crítica também) e logo em seguida recebi e-mail da amiga em comum, Ivetti, sobre post dele questionando artigo de Frei Beto – “A blogueira Yoani e suas contradições” http://amaivos.uol.com.br/
Samaroni desafia Frei Betto em http://www.estuario.com.br
Aproveitem os links para apreciar o interessante debate.

Faço aqui uma provocação dirigida ao amigo Jadson, que esteve em Cuba durante seis meses, mas até agora não revelou nada do que viu por lá em seu blog (http://blogdejadson.blogspot.com/), nem no Pilha.

Em tempo: Conheci Havana, junto com Sinval, em 1986 (ainda vou exibir aqui os escaneados da nossa visita à ilha), mas a situação era bem melhor, do ponto de vista da economia, pois o país ainda contava com o apoio da ex- União Socialista Soviética.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Macarrão al Solo





Nestorzão, amigo das antigas, desde que foi colega da minha irmã no colegial e depois meu colega na Facom, resolveu oferecer um jantar em casa para alguns amigos, entusiasmado que estava para mostrar suas aptidões domésticas (coisa de recém-casado).

Caprichou na escolha da marca do macarrão e comprou molhos variados para não falhar no menu, regado a vinho, cerveja e uísque (conforme o gosto de cada convidado), e foi para a cozinha meter literalmente a mão na massa. Isso mesmo, quando estava escorrendo o macarrão a panela virou e foi tudo ao chão. Apavorado, mas rápido no gatilho, Nestorzão tratou de juntar tudo com as mãos e devolver à panela. Mas eis que Ricardo Serrano pega o amigão no flagra e avisa: “Eu vi, viu?”.

Daí o nome da receita.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Mais da Câmara

Concordo com Jadson: assessor de comunicação´'é a treva'... Mas, pegando o mote aê de Joaninha, de quando essa brava repórter militava na TB, lá no BaixoDutra, era eu então escriba do andar de baixo, o glorioso JBa. Também cobri a Câmara e lembro duma época em que éramos eu (pelo JBa), Jânio Lôpo (TB) e Daffi Oliveira , por A TARDE. O prefeito era Fernando José, que cagava um quilo certo com o jornal da Tancredo Neves. Daffi botava a maior banca e uma cena que não me sai da memória ocorreu no gabinete daquele desprefeito, parafraseando Antonio Risério.
Estava entrevistando o prefeito quando, sem ser anunciado, nem nada, adentra o gabinete o lépido Daffi. Partiu incontinente em direção à mesa e bradou: "Colé Fernando, me dê um Minister dos seus". Acendeu e saiu baforando o careta. Essa Salvador me arranja cada prefeito...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

EXCLUSIVO: RESPOSTA DO ÚLTIMO ENEM


O Pilha Pura entrevistou estudante que fez o último ENEM e ele se lembrou de pelo menos uma questão que reproduzimos aqui, conforme a sua versão.

A pergunta: qual a função do apóstrofo?

A resposta: "Apóstrofos são os amigos de Jesus, que se juntaram naquela jantinha que Michelângelo fotografou".


Esse merece o troféu!

A "cholitas" de Jadson

Nosso correspondente internacional, Jadson Oliveira, que deve retornar à Bahia nos próximos dias, ficou encantado com as "cholitas" – as típicas indígenas, mestiças bolivianas, com saias rodadas e chales coloridos. O repórter ficou intrigado mesmo foi com o equilíbio delas para manter os chapéus redondos na cabeça (ficam quase soltos), mas não caem. Chegou a perguntar a uma delas se são amarrados, assim como o de Indiana Jones, o herói do cinema americano (hehehehe)

Curioso também, contou Jadson, são as "cholitas" trabalhando ou militando nas ruas ( as mulheres de lá são engajadas nas lutas políticas), que levam os filhos literalmente nas costas.


O hábito incomum no Brasil é bastante cultivado na Bolívia, assim como em outros lugares onde as culturas tribais são preservadas, sobretudo nos paises africanos.



Pelas carinhas, parece que os bebês gostam desse contato tão próximo e aquecedor.


O interessante nesses clics é o desempenho do nosso repórter (sempre mais ligado aos textos), com a sua câmara digital, à qual só se rendeu bem recentemente porque é pouco afeito às novas tecnologias (custou tempo para o rapaz adquirir um celular).

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cheirou baigon

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Lei seca na eleição (é pra valer?)




Jadson Oliveira



De La Paz (Bolívia) – Fiz a pergunta a muita gente: é pra valer mesmo? Porque em minha terra, “Salvador de Bahia, Brasil”, não é. Na nossa Bahia, a querida, calorenta, permissiva, bagunçada Salvador, sabemos que a lei seca no dia de eleição é piada.

Aqui, ao contrário, me garantem, é lei seca de verdade. E com um sério agravante: começa (já começou, estou escrevendo ao meio-dia da sexta-feira, dia 4) a zero hora da sexta e se prolonga até 12 horas depois do encerramento da votação, às 18 horas de domingo. Pouco mais de três dias, mais de 72 horas!!! Pode ser!? (Pelo sim, pelo não, ontem à noite fiz uma farrinha preparando-me para agüentar heroicamente os três dias).

Prometo que vou checar criteriosamente. Mas, pelo menos em dois locais onde costumo tomar umas, os “meseros” me garantiram que a lei será cumprida, para evitar pagamento de multas.

Confesso que ainda tenho minhas dúvidas, certamente influenciado pela realidade baiana. Um empregado do hotel comentou comigo que, bem... você sabe... pelo centro não se vende bebida alcoólica mesmo não, mas ”afuera”, nos bairros, nos arrebaldes, sempre se consegue, porém com as portas fechadas. “Bem, já é alguma coisa”, pensei.

Por falar nisso, uma amiga nossa (minha e do Pilha) conta um ocorrido engraçado quando ela trabalhava na Justiça Eleitoral, aí na Bahia. Num dia de eleição, ela ia saindo de um dos locais de votação pra entrar no carro da Justiça, parado na porta da seção eleitoral (geralmente uma escola), e teve que pedir licença a um grupo de bebedores. Em plena vigência da “lei seca” (aspas em homenagem à Bahia), eles simplesmente estavam usando o carro da Justiça Eleitoral como “mesa” para os copos de cerveja.

Pode ser Guilherme? Não pode não, Fernando! (Quem se lembra do programa de Fernando José, aquele do “mata a cobra e mostra o pau”?).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Re-licença de Gil e os restos de Osório


Araka vive me provocando, dizendo que o Pilha “tem que dar pau”, mas da minha parte não dá para entrar nessa, porque se tivesse que “dar pau” seria em relação aos acontecimentos e figuras políticas, por ser este o assunto que venho me dedicando há anos. Porém não estou eticamente liberada para tais críticas e denúncias, já que trabalho com assessoria de imprensa na área, embora muitos façam isso sem o menor constrangimento e, pior, aliviando pro lado dos seus interesses (assessorados).

E olhe que em matéria de “dar pau” tenho cá meu jeito bem porradão (Araka até brinca comigo me chamando de “Cirão”, referindo-se a Ciro Gomes), porque em tempos de jornais eu não perdoava nem Gilberto Gil.

O ex-doce bárbaro resolveu virar político de uma hora para outra e logo de cara queria ser candidato a prefeito de Salvador, mas Waldir Pires mandou ele adquirir alguma experiência na área para depois disputar o pleito. Isso deu pano para manga e pano de fundo para um racha com Mário Kertész, que na verdade queria se impor como líder no PMDB. O fato é que Gil virou vereador.

Teve um mandato abaixo do medíocre e sem compromisso, dizendo amém o tempo todo para o então prefeito Fernando José (falecido), liderado do empresário e deputado Pedro Irujo, que acabou rachando com MK.

Vivia pedindo licença da Câmara Municipal e quem assumia era Zé Raimundo (falecido), que antes chamava ACM (Antonio Carlos Magalhães) de “O canço” (assim com ç, porque o cara era analfa mermo) e depois bandeou pros braços do “canço”.

Eu não perdoava Gil por essa falta de compromisso com o cargo para o qual foi eleito com a metade do seu famoso “Expresso 2222” (11.111 votos) e para ele dediquei algum espaço na cobertura que fazia diariamente para a editoria de política da Tribuna da Bahia sobre os trabalhos da Câmara Municipal de Salvador.

Solicitei da Mesa da Câmara o número de licenças do dublê de artista e vereador e fiz uma matéria dizendo que depois trabalhos musicais “Refazenda” e “Refavela”, Gil estava lançando a Re-licença, que não era um novo disco. Com dados oficiais mostrei a omissão e ausência do parlamentar que ganhava para isso e tinha gabinete e assessores (inclusive Jorge Mautner, que vivia no Rio).

Num outro momento, diante da informação de um assessor de que ele viria na semana seguinte, mandei essa para a coluna Raio Laser da TB: “Atenção! O vereador Gilberto Gil vai à Câmara na próxima semana”.

Depois disso, conversei com o próprio (uma raridade) numa solenidade do terreiro do Gantois, em homenagem a Mãe Menininha, sobre a sucessão municipal em Salvador, mas ele só falava de Jaime Lerner (então prefeito de Curitiba) para o Rio de Janeiro. Reproduzi a entrevista literalmente e Levy Vasconcelos, então editor de política da TB, saiu com o título: “Gil só pensa em Jaime Lerner”.

O saudoso diagramador Kajeama, decepcionado com o artista, chegou a sugerir que queimássemos os seus discos l (era assim que a gente chamava LP de vinil, atual CD), mas eu e Sinval discordamos imediatamente, mesmo com raiva. Felizmente Gil melhorou a sua performance política na recente cargo de ministro da Cultura.

O resto de Osório

Tendo usado o slogan “Osório e o povo contra o resto” na primeira candidatura para prefeito de Salvador, lá pelos idos dos anos 60, o vereador Osório Villas-Boas resolveu se lançar novamente para o cargo executivo 30 anos depois, no início dos anos 90. Eu fiz a nota para o Raio Laser informando sobre a candidatura, mas fechei dizendo que na Câmara se comentava o antigo slogan seria alterado para “O resto de Osório contra o povo”. O cara pirou e pediu a minha cabeça para a direção do jornal, mas Carmela, minha editora predileta, segurou a onda.

Taí Araka, só posso falar de política do passado. Agora conte outra.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lançamento do blog À Queima Roupa é hoje



A mesa-redonda Mídia, violência urbana e direitos humanos – todos os humanos têm direitos? marca o lançamento oficial do blog À Queima Roupa, a partir das 19 horas de hoje (3), na Sala de Arte – Cinema do Museu, Corredor da Vitória (centro).Mediado pela presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia (Sinjorba) e diretora da Federação Nacional dos Jornalistas, Kardé Mourão, o debate reúne o advogado Augusto Raymundo Bomfim de Paula, o comunicador social Hamilton Oliveira (DJ Branco) e o delegado José Magalhães Filho, titular da 19ª CP (Itaparica).




A temática, além de atender à filosofia do blog, especializado em jornalismo focado na segurança do cidadão, coincide com o 61º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Consta ainda da programação um minirrecital do poeta José Abbade (personagem do post campeão de acessos da seção Gente é pra brilhar), sorteio de brindes e um coquetel de confraternização.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Prefeito todo enfiado

Com as fotos ao lado, o blog deunatelhadabahia, cujo autor assina pelo pseudômino Safado Serrado, resolveu apelidar João Henrique de "Prefeito todo enfiado".


O fato é que o tal blog já deu o que falar na Assembléia Legislativa, denominada pelo Safado Serrado (rsrs) de "Assembléia Destilativa da Bahia". Oposicionistas já comentaram protestando e o deputado João Carlos Bacelar dirigiu-se aos jornalistas na Tribuna da Imprensa dizendo que a inicitiva seria "de jornalistas do governo". Depois ele avisou: "Se falar mim, vai ter!" . Sabe Deus o que ele pode fazer, se não escapar da língua afiada do Safado Serrado . Tô pagando pra ver.

EXCLUSIVO: cena do filme mais esperado do momento

Um doce pra quem advinhar


Flagrante do casal baiano após participar como figurante no filme "Lula, o filho do Brasil", numa das raras cenas hilárias dirigidas por Barretão.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Crepúsculo- Lua Nova

Ontem eu fui com minha mãe e com minha prima Hanna ao Salvador Shopping assistir Crepúsculo- Lua Nova, que conta a história de uma menina de 18 anos que se apaixona por um vampiro que tem cara de 17 mas na verdade tem 109 anos. Chegamos correndo para pegar a sessão de 17:40 dublado, mas já estava lotado. Acabamos pegando a de 18:40 legendado. Teve uma hora que Jacob ( Taylor Lautner), o lobo, tirou a camisa para botar no ferimento de Bella( Kristen Stewart) e eu só ouvi o cinema todo dizer: Ooooooohhhhh. Foi muito engraçado. Eu olhei para Hanna e ela tava se acabando de dar risada porque minha mãe quase deixou o queixo dela cair. A parte que eu mais gostei foi no final quando Bella tem que escolher entre Edward ( Robert Pattinson), o vampiro, e Jacob e ela fica com Edward, que logo depois pede ela em casamento. Depois fomos à Forneria pegamos uma pizza e um petit gateau.





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sábado, 28 de novembro de 2009

Cada foca tem seu mico de estimação

Jadson Oliveira

De La Paz (Bolívia) – Atenção, Mônica, como fui, involuntariamente, o provocador para que nossa companheira Jaciara Santos revelasse seu mico (no seu blog aqueimaroupa.com.br Jornalismo com segurança), me sinto moralmente forçado a revelar o meu.

No início de carreira como repórter da Tribuna da Bahia (comecei em outubro/1974), estive um dia, cumprindo uma determinada pauta, com um secretário estadual de Saneamento (não me recordo o nome). Ele então comentou comigo sobre uma rachadura numa barragem. O foca aqui, de olho na pauta do chefe de reportagem (José Barreto de Jesus, o querido Barretinho, ou talvez, Paulo Roberto Tavares, o nosso Paulo Bunda Podre), nem tomou conhecimento do “furo” que o secretário estava lhe dando de bandeja.

Pois bem. Logo em seguida – um dia ou dois depois -, a própria Tribuna da Bahia abre manchete de primeira página com a tal rachadura da barragem. Matéria de Silveira, Silveirinha, o repórter que mais dava manchete na Tribuna no meu tempo de foca (depois ele se transferiu para o Correio, morreu cedo, creio que de tanto tomar cafezinho e fumar).

Eu vi a manchete, li a matéria, morrendo de vergonha. Não comentei nada com ninguém. E ninguém comentou nada comigo. Pensei aliviado: ou o secretário não comentou minha cagada com Silveira, ou se comentou, Silveira foi muito discreto, graças a Deus! Acho que estou tocando neste assunto agora, 35 anos depois.

Beleza Negra


Não se trata de mais uma foto da exposição de Gajé, mas de uma homenagem à minha comadre Jaciara, nesse finalzinho de Mês da Consciência Negra. Se bem que consciência é uma coisa que ela não é muito chegada, p/q pra ser amiga de Paulo Mocofaia...., vítima preferencial daquele troglodita, tem que ser muito sem noção. Mas fica a homenagem assim mesmo, p/q a negona ficou muito linda nessa foto que desencavei do fundo do baú. E quem quiser conhecer mais da moça, é só acessar o blog À Queima Roupa, que tá muito bom.

Beijos, comadre (e nem venha, Araka, dizer que isso aqui tá parecendo tricotagem de comadres).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vou na TIMBALADA oyá



Da série "Um doce pra quem advinhar"

Não perdem um ensaio da Timbalada nas tardes de domingo.

A dupla já pegou até o jeito da batida da banda e não abre mão da pintura estilo tribal.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

ESCANEADOS


Da série "Um doce pra quem advinhar"
Falar em artistas da música e da bola, ai um flagrante (o menino à esquerda - mascote do Bahia na década de 70) hoje irretocável músico, no banco do tricolor da Boa Terra em jogo pelo campeonato baiano. Mais abaixo com o maior meia direita de história do tricolor, Douglas da Silva Franklin

Moreira e as Meninas do Brasil


Nosso repórter flagrou a visita do velho Moreira ao camarim das 3 meninas, Jussara Silveira, Rita Ribeiro e Tereza Cristina, após show casa cheia no Canecão, no penúltimo final de semana. A notícia vem atrasada porque as fotos estavam revelando na Kodak da Barroquinha.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

“La papi”, uma ceia boliviana

JADSON OLIVEIRA



De La Paz (Bolívia) – Uma aglomeração em frente à Igreja de São Francisco (praça com o mesmo nome). Que será? Me aproximo a tempo de ouvir um final de discurso de campanha eleitoral: “Vamos votar no nosso hermano Evo Morales...” Final de discursos, o grupo foi ficando menos compacto e eu cheguei ao miolo da pequena concentração.

A surpresa: sobre mantas e plásticos estendidos no chão, uma grande variedade de comida, como dizer?, coisas típicas ao gosto popular, como batata cozida com pele e sem pele; uns troços chamados “tunta” e “chuño” (me disseram ser feitos de batata, a “papa”, que aqui é pau pra toda obra, quase todo prato em restaurante popular tem “papa frita”); “yuca” (nosso aipim ou macaxera); ovo cozido; um tipo de milho cozido, os grãos grandes e brancos, chamado “choclo”; uma tal de “llahuja”, feita de tomate e “locoto” (tipo de pimenta).

E etc, etc. Os nomes são complicados, geralmente as coisas da cultura popular têm nomes de origem indígena (aymara, quéchua). Me explicaram: trata-se de “una papi”, tipo de ceia muito comum entre as camadas mais populares, uma espécie de confraternização usada nos mais diversos eventos sociais. No caso, era oferecida por políticos do governo. Perguntei: e os candidatos da oposição, da direita, fazem isso também? Não, eles não, os ricos fazem seus almoços nos restaurantes, esclareceram.

Bem, estabeleceu-se uma gostosa camaradagem. Eles insistiram para que eu participasse da ceia. Confesso que hesitei muito. È que todo mundo pegava as coisas diretamente com as mãos, na maior sem cerimônia. Porra, pensava, tenho que esquecer meus pruridos de higiene. Peguei, assim meio sem jeito, com a mão esquerda, um pedaço de aipim, pelo menos isso eu conheço e sei que gosto. Mas não adiantou o cuidado. Eles começaram a me dar uma coisa e outra, dissertando sobre as propriedades nutritivas, os nomes, e eu ia comendo. Menos um troço lá que não consegui, tentei disfarçar e joguei num canto, tinha gosto de puba.

No final, apertei a mão e me despedi do gentil senhor que me deu mais atenção, chamado Juan. Saí feliz, tinha participado de uma autêntica ceia boliviana.

Uma tirada de Evo Morales

Em um de seus inúmeros discursos de campanha – para as eleições do próximo dia 6 -, que às vezes escuto e vejo na televisão, o presidente Evo Morales falava das mentiras que os adversários espalham sobre ele. Se queixava: “Dizem que quem tem duas casas, Evo Morales vai tomar uma; quem tem dois carros, Evo Morales vai tomar um...” E acrescentou: “Só faltam dizer: quem tem duas mulheres, Evo Morales vai tomar uma”.

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