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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sábado, 6 de junho de 2009

A comadre me contou: Zé Rodrix era assim...



Minha comadre Deta tem histórias boas do cantor e compositor Zé Rodrix, falecido em 21 de maio passado, que revelam a sua personalidade bastante temperamental.

Certa vez, o célebre cantor-compositor, no auge do sucesso com a música “Soy latino americano”, lançada em grande estilo no “Fantástico”, chegou à Bahia e, num posto de gasolina, encontrou o primo advogado, filho de D. Julieta, que o convidou para visitar a sua casa, no município de Cícero Dantas, a 300 km de Salvador. O primo baiano deu todas as coordenadas ao primo famoso.

O advogado só não avisou à mulher dele, Deta (à época), que foi surpreendida com a visita ilustre de Zé Rodrix, acompanhado da mulher, também ilustre, a atriz Norma Blum (foto), vivendo os louros das novelas globais “Vejo a Lua no Céu” e “Senhora”, baseada na obra de José de Alencar.

Mas eis que bate à porta de Deta esse casal famoso. A jovem mulher do advogado, mãe de Manuela, e com Tarso ainda na barriga, atendeu apavorada e pensou que eram as costumeiras visitas para o jantar do seu marido com pretensões políticas (ela só soube disso mais tarde e não estava mais com ele quando das suas candidaturas). O casal famoso chegou tomando espaço, inclusive da cama dos donos da casa.

A chegada do casal causou sensação na cidade. O serviço de som local só tocava “Soy latino americano” o dia inteirinho e não se falava de outra coisa senão na presença ilustre de Zé Rodrix, que não escondia o seu deslumbramento com o sucesso da sua música.

Eis que numa visita a um amigo da família do advogado, Manoel Moreira, que mais tarde viria a ser presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Zé Rodrix se encantou com o passarinho cardeal da casa e o anfitrião decidiu presenteá-lo.

O latino americano não se cabia de contentamento e andava de um lado para o outro com o passarinho na mão. Não deu outra, o bichinho, antes engaiolado, viu a oportunidade e bateu asas. Foi um Deus nos acuda.

Zé Rodrix fez bico, sapateou, não quis comer, ficou profundamente entristecido e mal humorado. Sensibilizado com a dor do visitante; Manoel Moreira anunciou um prêmio no auto-falante da cidade para quem encontrasse o passarinho. Cícero Dantas se mobilizou. A população inteira saiu procurando o passarinho de Zé Rodrix. Coisa de doido, mas com final feliz. Encontraram o cardeal que ele levou, engaiolado, para o Rio de Janeiro.

E o matuto é o da roça

Tabaréu de cidade grande, lá vai Zé Rodrix para a roça do primo advogado. Encantava-se com tudo que via e divertia o caseiro que não entendia o porquê de tanta admiração por aquelas coisas tão comuns ali.

As mulheres grávidas, Deta( foto ao lado) e Norma, tomaram um susto com o grito que vinha da direção da cozinha. Correram arrastando os barrigões e se espantaram ainda mais com a cena presenciada na cozinha da roça: lá estava Zé Rodrix com o dedo para cima, sangrando. Tinha colocado o dedo no liquidificador onde tentava triturar favos de mel para ver se comia logo o mel de abelha da roça. “Êita gente apressada é essa gente da cidade grande, sô!”, dizia o caseiro, balançando a cabeça e fazendo um risinho disfarçado.

Um comentário:

Ana Carolina disse...

Tá bom mesmo, mãe.Eu não sabia que Zé Rodrix era tão tabaréu assim.Eu me machuco constantemente mas nunca vi alguém cortar o dedo no liquidificador.Adorei!!!

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