Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sábado, 15 de agosto de 2009

50 anos da Revolução Cubana

Já que o clima é de comemorações, quero aproveitar para registrar os 50 anos da Revolução Cubana. Estive lá em dezembro de 1985 e foi uma experiência inesquecível.

Ontem na Câmara teve uma sessão pela data e os índices de desenvolvimento humano apresentados mostram que os ideais da revolução foram mantidos: analfabetismo quase zero, taxa de mortalidade materna quase zero, mais de 80% dos cubanos têm título de propriedade... E o que dizer do chamado "exército de batas brancas"? São quase 10 mil estudantes da Escola Latino-Americana de Medicina, criada por Fidel Castro pra dar oportunidade a jovens carentes de toda a América, inclusive dos Estados Unidos, apesar do bloqueio criminoso imposto a Cuba. Entre eles, muitos baianos que fizeram relatos emocionantes. Um deles é da comunidade quilombola de Rio de Contas, outro de um assentamento do MST de Conquista, outro da pobre Vila Canária... Que outra oportunidade essas pessoas teriam de estudar MEDICINA? E não é pra curar os cubanos, não, é pra voltar para seus países de origem.

Por tudo isso, viva os 83 anos de Fidel, completados dia 12.

Será que Barack Obama vai mesmo cumprir a promessa de desativar a Base de Guntánamo, em Cuba? Sim, ele pode! E se fizer terá dado um grande passo como estadista.

Nas fotos, a Praça da Revolução e o Parque Lenin.

Esse blog tem, por coincidência (será?), alguns colaboradores que já visitaram Cuba, como Jô, Sinval (esse não colabora com coisa nenhuma), Deta, Jadson que morou por lá, Isabel...Portanto, a data não poderia passar em brancas núvens.

8 comentários:

Joana D'Arck disse...

Lembrou bem Mônica, é uma data importante sim e também observei com Sinval, ainda que por pouco tempo (15 dias), os avanços da ilha. Jadson tem mais o que contar sobre isso, porque ficou por lá mais de seis meses. Aliás, taí o convite ao companheiro para revelar ao Pilha essa sua experiência, que é mais recente e longa do que a nossa.

deta disse...

Grande texo Monquinha, amei. Assino em baixo tudo que vc disse. Vi de perto. Quando comecei a ler pensei até que era Ernandes escrevendo(ele tb viu de perto).
Lembrei sim do aniversário de Fidel, várias vezes, no trabalho, sempre que ia datar um documento (faço isso muitas vezes por dia).
Só uma coisa, acho que o aniversário de Fidel é dia 13 de agosto. Jadson pode confirmar ele ficou lá 8 meses.
Beijão, adorei.

Mônica Bichara disse...

Tem razão, Deta, acho que é 13 mesmo. Mas o que vale é bradar: vida longa ao comandante!

Jadson disse...

Graças à iniciativa da companheira Mônica, entrou nos anais deste Pilha Pura um tema de transcendental (um termo muito usado por lá) importância, a revolução cubana. O gancho, como dizem os jornalistas, foi mais um aniversário do grande Fidel, comemorado no último dia 13.
Meus oito meses de Cuba, reforçados pelos três da Venezuela, me ensinaram muito, certamente me desintoxicaram da mentirada da nossa imprensa e deram mais força rumo à tentativa de ser uma pessoa melhor (un poquito mejor). Tentar contribuir, neste resto de mocidade que ainda me cabe, com um grãozinho de areia (“un grano de maiz” – um grão de milho -, como diz o guru dos cubanos José Martí).
Outro dia alguém me disse que nosso Frei Betto comparou: Cuba seria um paraíso para os pobres, um purgatório para a classe média e um inferno para os ricos. Gostei, dá uma idéia, simplificada, da realidade.
As pessoas, de uma maneira ou outra, sempre me cobram algum depoimento sobre Cuba, especialmente depois que virei blogueiro e vivo escrevendo sobre tanta coisa. Confesso que hesito, pois sinto que não devo falar de coisas tão transcendentais (outra vez o termo que ouvi e li tanto por lá) de forma aligeirada.
Para suprir a “cobrança” explícita de nossa Joaninha, a “dona” do Pilha Pura, resolvi, tirando o corpo de lado, transcrever alguns trechos de carta de um dos amigos que logrei cultivar em Havana. Creio conter boas pistas para se perceber o tipo de gente que vive por lá, em particular a geração que viveu a revolução. Meu querido amigo tá na faixa dos 70 anos (lá as pessoas vivem muito, tem até um clube dos 120 anos, acho que é a falta de estresse).
Vou omitir sua identificação, pois me falta autorização. Faço no decorrer algumas observações e traduzo alguns termos :
“Habana, 14 de Febrero del 2009
Año del 50 aniversario de la Revolución
Queridos amigos Jadson y Deta, cuanta alegría haber recibido carta de ustedes, la carta demoró meses en llegar a mis manos, ojalá que la mía no demore tanto en llegar a tus manos, le he extrañado mucho (muita saudade) y cada vez que visito el Tuxpan (meu bar predileto por lá), casi todos los días, los recuerdo con mucho cariño y siempre esperando que vuelvan venir acá (voltem aqui) a la Cuba de América, del mundo, la tierra de nuestro Martí y Fidel.
………………..
Me alegró mucho que estés escribiendo (eu tinha avisado a ele que estava escrevendo no blog) y estoy seguro que de tus artículos (artigos) se divulgue lo mejor para nuestro querido pueblo de Brasil y fundamentalmente para los más pobres, yo siempre estoy al tanto de las noticias de tu querida tierra, pues siempre he sentido tremendo cariño por el pueblo Brasileño.
Con respecto a mi, continúo mis sueños de la finca (roça, pequena fazenda) para tratar de producir y contribuir así en mis últimos años de vida en la alimentación de nuestros niños y ancianos (crianças e idosos).
Con respecto a la casa, te diré que con la ayuda de buenos amigos, he mejorado las condiciones de vida pues ya tengo juego de sala, de comedor (pois já tenho móveis da sala de visita e da sala de jantar) y un refrigerador nuevo, ya no tenemos que mantenernos de pie ni tomar agua caliente (já não temos que ficar de pé nem tomar água quente)”.
Bem, encerro por aqui. Mais adiante ele se despede com “abrazos revolucionarios y besos a ustedes dos”.
Para se entender o último parágrafo. Ele vinha de uma separação conjugal. Quando transitei por Havana, no início de junho/2008, vindo de Caracas para retornar a Salvador, fiquei dois dias com ele. Em sua casa quase não havia móveis e outros equipamentos domésticos, vivia como um eremita, sozinho, uma vida modestíssima, verdadeira penúria diante dos nossos padrões de classe média. E olhe que é um aposentado, cujo nível salarial lá é dos melhores, nível universitário. E ele vivia, podem crer, numa boa.
Me lisonjeia muito a sua amizade.

Mônica Bichara disse...

Nossa, Jadson, que presente o seu comentário! Eu fiquei lá apenas 18 dias, e faz um tempão, mas foi o bastante para perceber que aquela imagem de "paredão", de cubanos revoltados por não ter liberdade...é tudo balela. Eu e a companheira Zoraide conseguimos driblar a programação oficial do Festival de Cinema e fomos à luta conhecer a vida dos cubanos comuns, suas casas, escolas...Comprovamos o orgulho que eles têm de Fidel e da revolução (nas casas eles fazem questão de colocar fotos de Fidel, de Che, de José Martí...; as crianças todas estudando e tendo aulas de esporte desde cedo; o povo alegre e festeiro; a falta de mendigos esmolando pelas ruas; um sistema de saúde que funciona tanto para nativos quanto para visitantes, sem precisar mostrar o convênio ou mofar na fila do INSS.
Tive a oportunidade de participar de uma recepção no Palácio da Revolução, onde Fidel cumprimentou um a um os quase 800 convidados. O jantar foi um banquete, tinha "de um tudo", até vatapá e caruru.
No encerramento do Festival fiquei tão emocionada com minha credencial de imprensa internacional (tenho ela até hoje, como uma relíquia) que perdi todas as fotos que fiz com o segundo filme (que seria meu), pois estava usando a máquina de um gaúcho que conheci lá mas não tinha a tal credencial, com o compromisso de fazer um filme pra ele e outro pra mim. Na troca do filme me estrepei toda, mas não perdi a pose. Continuei "fotografando" bem na frente de Fidel, quase duas horas de discurso, pra nada. Até hoje me pergunto: p/q não inventaram a máquina digital anteeeees?
Mas valeu, Jadson, vou te provocar outras vezes pra vc falar sobre Cuba. beijos

Isabel Santos disse...

Poxa, que saudade. Também para mim foi uma viagem inesquecível e histórica. Estava lá quando o Brasil reatou relações diplomáticas com Cuba. Foi uma alegria geral entre os brasileiros que lá estavam. Brindamos com Morritos. Vivenciei momentos ímpares com o povo de lá, como passar o reveillon num bar popular, em Havana Velha, ouvindo Roberto Carlos, que eles admiram, comendo (ou quase porque estava enjoando pra caramba na gravidez de Deco)comida simples daquele lugar... Conversei com Gabriel Garcia Marquez, no meu péssimo portunhol.Comprei vários livros.E assim tantas outras boas, belas, prazerososaslembranças. Mas o comandante só vi, aqui, na Cumbre. Jadson, mais uma vez você brilha. Legal, Mônica, o saque...

Mônica Bichara disse...

Pois é, Bebel: como esquecer? Foram dias maravilhosos para todos nós que tivemos a oportunidade de conhecer a magia desse lugar, mostrando que não podemos acreditar em tudo que nos ensinam nas escolas. Você foi logo quando eu voltei e trouxe uma carta de Pedro Prestes pra mim. Uma figura muito especial que depois veio aqui em Salvador rever os (as) baianos (tá bom, as baianas) que passaram por lá. Zoraide que conte essa história hehehehehe

Isabel Santos disse...

Estava esquecida desse detalhe ou melhor, especial momento.
Dia 6, no TCA o grupo musical cubano Buena Vista Social Club vai se apresentar. Estou tentando um convite. Se vai rolar, Deus sabe. Bjs

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