Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"RIFA DO BURRO"


Simoa Borba me enviou esse texto, sem autor.


"Quatro meninos foram ao campo e, por 100 reais, compraram o burro de um velho camponês.
O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte. Mas quando eles voltaram para levar o burro, o camponês lhes disse:
- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.
- Então devolva-nos o dinheiro!
- Não posso, já gastei todo.
- Então, de qualquer forma, queremos o burro.
- E para que o querem? O que vão fazer com ele?
- Nós vamos rifá-lo.
- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?
- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.
Um mês depois, o camponês se encontrou novamente com os quatro garotos e lhes perguntou:
- E então, o que aconteceu com o burro?
- Como lhe dissemos, o rifamos. Vendemos 500 números a 2 reais cada um e arrecadamos 1.000 reais.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador. Porém lhe devolvemos os 2 reais e ficou tudo resolvido.
Os quatro meninos cresceram e fundaram um banco chamado Opportunity, um outro Banco chamado Marka, uma igreja chamada Universal e o último tornou-se Ministro do Supremo Tribunal Federal.
O quinto irmão, o mais velho, que vivia no Maranhão e não estava na rifa, soube da história e, também, resolveu ganhar dinheiro. Dedicou-se a política, chegou a presidencia da república e hoje é o presidente do Senado e, até hoje, enrola a população tratando-os como ganhadores do burro morto..
Caso todos reclamem, pode até entregar o cargo, mas nunca devolverá o todo que lesou do povo"

Roqueiros na Praça da Liberdade


Jadson Oliveira
De Assunção (Paraguai) – Topei no sábado, dia 19/setembro, por volta do meio-dia, com o miolo da Praça da Democracia cheia de jovens de camiseta preta curtindo um show de rock. “Porra, não trouxe minha maquininha de foto”. Corri ao hotel (em torno de oito quadras) e peguei a dita cuja. Quando cheguei de volta, a apresentação da banda Gaia estava acabando, só deu pra clicar o grupo se despedindo, a turminha mais exaltada querendo mais, mas não dava, soube que o grupo já tinha tocado a saideira mais de uma vez.


Fiquei por ali meio frustrado, circulando entre os camisas pretas, com inscrições de “Ramones”, “Sepultura”, “Stone”, “Beatles” e outras minhas desconhecidas. E terminei achando uns lances interessantes na Praça da Liberdade, vizinha à da Democracia (disse em meu blog que a Praça da Democracia não é uma, são três: além da própria, há a dos Herois e a Juan E. O’Leary. Errei, são quatro: tem ainda a Plaza de la Libertad).


Pois bem, vão umas fotos dos nossos roqueiros, abrindo estreitas veredas na terra da guarânia e da polca (me lembrei de meu filho Fabiano, que quando adolescente andava com essas camisetas pretas, “Sepultura”, tinha uns amigos fãs do rock pesado, metaleiros, essas coisas).


Estavam bem à vontade lá na praça que faz jus ao nome – é chamada também praça dos hippies -, “curtindo numa boa”, como se dizia nas décadas de 60 e 70 do século passado (olhaí, Carmelita), fumando um matinho natural (por aqui, a popular marijuana ou marihuana).


À noite topei com a mesma tribo (ou tribo semelhante) já pela Praça Uruguaia, também no centro de Assunção. Tinha apresentação de bandas de rock, inclusive argentinas, na antiga estação ferroviária (ferrocarril).

Na verdade, tal movimentação era apenas uma pequena parte da ampla programação, durante toda semana, pelo Dia da Juventude (21 de setembro), chegada da Primavera (me referi a isso aqui no Pilha em matéria anterior, Domingo no parque).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Causos" de campanha II




Percorrendo o Rio São Francisco, saindo do município de Carinhanha, lá se vai o barco da Caravana da Cidadania levando mais de 40 pessoas, entre jornalistas, assessores, políticos e intelectuais que acompanham Lula, na sua segunda campanha de candidato a presidente da República, em 1994.

Na assessoria de imprensa da chapa majoritária para governo estadual e senador ( Jutahy Jr., Waldir Pires e Zezéu Ribeiro), eu (Joana), Elieser César, Viviane Falcão e Sílvia, coordenados por Raimundo Lima, nos viramos para cobrir os candidatos a cada município que o barco é atracado para rápidos comícios e contatos com as comunidades ribeirinhas.



Com Lula, abaixados na frente: eu (de cabelão), Viviane, Sílvia e Elieser)



Num trecho da Caravana a gente segue de ônibus, enquanto uma parte continua no barco e enfrenta um forte temporal, uma chuva daquelas de desestabilizar a embarcação, jogando-a para um lado e para outro durante toda a noite. Ao reencontrarmos o barco em outra cidade, Remanso, se não me engano, Eliéser pergunta ironicamente ao frei Leonado Boff (foto) como ele passou a noite. Sem perder a piada, o frei sai com essa: "Quase perdi o meu sobrenome".

domingo, 27 de setembro de 2009

E o meu caruru?


Hoje é dia de Cosme e Damião. Dia de comer caruru, mas eu fiquei na vontade, porque não recebi convites dessa vez. Por falar nisso, acabei de me lembrar agora de um "causo" muito hilário, mas o santo era outro.


Fim de expediente na Tribuna da Bahia, caímos na pilha da colega Rosângela Rocha, nos tentando para comer um caruru de Santo Antônio. Estranhei o prato, porque não sabia que esse santo era chegado às comidas de dendê. Mas Rosângela insistiu, afirmando que já havia participado de homenagem assim no ano anterior.




E lá vamos nós ( eu, Sinval e Deta), levados por Rosângela à casa de uma amiga dela para o tal "caruru". Assim que chegamos, pensei que estava numa festa gay, pela quantidade de viados que tinha. Mas a coisa era séria, trezena. E a gente mal chegou e foram logo começando a rezação e as cantorias. Sinval tentou escapar da sala, mas a mãe da festeira foi ameaçadora. "Se veio, tem que ajoelhar e rezar", disse ela entregando um lencinho branco feito pela agraciada do ano anterior. Pensei que ia implodir de vontade de rir, quando vi Sinval ajoelhado abanando o lencinho branco igualmente a todos na sala e fazendo de conta que acompanhava a cantoria. O pior era a cara que ele fazia repetindo o refrão "Adeus Antônio, Adeus".

Mas a surpresa ainda foi maior, depois que sofremos a tortura de acompanhar aquele ritual todo fazendo de conta que acreditava e contendo as gargalhadas que queriam sair a todo custo. Finalmente saiu o rango, mas não era caruru e sim feijoada. A gente queria matar Rosângela.

O curioso é que a feijoada teria que ser servida primeiramente para 13 homens, conforme a simpatia para desencalhar a moça que faz a oferenda. Os 13 selecionados eram assumidíssimos e constatamos que Sinval era o único hetero da festa, mas ficou de fora da abertura da comilança. Não sei até hoje se o santo entendeu e atendeu a moça.

Domingo no parque

Jadson Oliveira

De Assunção (Paraguai) –
Tomo emprestado o título aí do nosso Gilberto Gil para mostrar umas fotos de um passeio, no domingo, dia 20, pelo Parque Ñu Guasu (nome em guarani, que significa em espanhol e em português Campo Grande). Estava em companhia de dois jovens asuncenos, novos conhecidos/amigos da terra guarani: Francisco Benítez e Claudio Alvarez, ambos de 18 anos e se preparando para o vestibular. Querem ser periodistas (jornalistas), uma boa razão para aparecerem aqui no Pilha Pura.

Fizemos uma boa caminhada compartilhando o tererê, o “chimarrão” dos paraguaios, um hábito arraigado por aqui. Todo mundo sai a passear sobraçando a vasilha com água gelada, a “guampa” com a erva e a “bombilla”, que vai de boca em boca numa boa (mesmo nesses tempos de gripe suína). No meio da trilha nos juntamos com duas “chicas”, as primas Nila e Rocío Acosta. Disse: “Vamos tirar umas fotos com as garotas, pra não parecer que só ando aqui com garotões, programa típico de coroa viado”. No final, fomos comer pizza no Shopping del Sol, com umas cervejinhas e eu, pra variar, também uns uísques.

O Parque Ñu Guasu é o maior daqui, uma área verde de 25 hectares, nas proximidades do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, no município vizinho de Luque (região metropolitana de Assunção). Tem pistas para caminhada e bicicleta, áreas de esportes, ginástica. parque infantil, lago, etc, etc. Caminhamos por uma parte mais tranqüila, mas havia uma área cheia de gente, especialmente porque estava se comemorando a chegada da Primavera, o Dia da Juventude, 21 de setembro, que seria no dia seguinte, segunda-feira.


A pilha paraguaia

O companheiro Rui Baiano, morando ultimamente em Ananindeua (região metropolitana de Belém, Pará), ao saber que estou em Assunção, me alertou: "Cuidado com o uísque paraguaio!" Pois é, o uísque não sei, mas já caí no conto da pilha paraguaia.


Comprei dois pares (quatro) na mão do camelô, baratinho, baratinho, por 8.000 guaranis (quase 4 reais), daquela média (AA), alcalina. Antes, vinha comprando um par (duas) por 10.000 guaranis. É pra minha maquininha fotográfica digital. Comprei e fui fazer a cobertura da manifestação dos sem-teto. Quando liguei a maquininha, nada, na tela o aviso: trocar bateria. "Porra, é o famoso produto paraguaio, perdi 8.000 guaranis", pensei e corri em busca de uma loja pra comprar outra.

“Causos” de campanha

Pinheiro está em posição confortável para receber o apoio do PSDB.

-Peraí, companheiro, esse negócio de “posição confortável para receber” é sinistro, observei entre gargalhadas, ao ler o texto que o colega acabara de concluir pra enviar para a imprensa e me pediu pra dar uma olhadinha. Era comum a gente trocar os textos para revisar entre a nossa reduzida equipe de jornalismo na campanha para prefeito, ano passado, e em muitos momentos nos divertíamos muitos com as nossas “ratadas”.


Conseguimos fazer um trabalho bacana com apenas cinco pessoas (três repórteres, um fotógrafo e uma estagiária, hoje profissional). Cometemos a proeza de trabalhar feito loucos para cumprir uma inesgotável pauta de candidato majoritário nos dois turnos, sem perder o humor e as boas tiradas para descontrair.


O G5 de Pinheiro: Bárbara, Joana, Borega, João e Josias

Outro colega saiu com o título: “Terreiros com Pinheiro”. Eu completei: fazem zig-zig-zá... E a gente ria muito.

Mas a melhor mesmo dessa campanha mais recente era ver outro colega imitando João Henrique fazer o gesto com as mãos na boca para explicar repetidamente, tal qual os teletubbies, sobre a importância dos dentes, quando falava do atendimento odontológico municipal.








Saindo dos bastidores da cobertura, um dos momentos mais hilários da campanha
passada foi publicado no blog Política Livre, quando Lula esteve em Salvador, mas não encontrou com nenhum dos candidatos. Para mostrar alguma proximidade do prefeito com o presiden
te, a assessoria enviou uma foto de João falando ao celular, com a legenda dizendo que era o próprio Lula do outro lado da linha. O blog tirou a maior onda com essa aí.



Em outro momento conto mais "causos" de campanhas anteriores. E quem quiser também que conte outros.


O domingo promete


Vi no horizonte azul a tarde desmaiar
G D
E a noite aproximar
B7 Em7 A7 D
Enchendo de tristeza a solidão do mar
B7 E7 A7
Roubando à natureza a luz crepuscular
D B7 Em7 A7 D
E à sós no meu jardim cismava a divisar
G D
Na noite sem luar
B7 Em7
A vela que singrando
A7 D
O oceano imenso
B7 E7 A7 D
Levava para o além o meu querido bem


F#7 Bm7
Foi que então veio a saudade e eu chorei
B7 Em7
Depois com lágrimas nos olhos eu jurei
C#m5-/7 F#7 Bm7
Jamais prender-me por amor
Em7 F#7 Bm7 A7
No cárcere cruel da dor
veja esta cifra correta em: w w w . C i F r a s . c o m . b r

Meus braços

estou dentro de uma casa vazia. vocês enchem meu coração destroçado. Deus é um filho da puta. Morena é hoje minha mãe, madura, disse a Nara o que estava aconteendo. Sem vocês estariamos perdidos. Bina . meu amor, meu eterno amor. Jamais esquecerei voceis. Se precisar dar um teco em alguem contem com nois

sábado, 26 de setembro de 2009

À Mayra, com carinho

Pedimos licença, a nossa dor é tão grande! Eis o desabafo do amigo Paulo Bina:


Quando cheguei ao Jardim da Saudade pela manhã, na véspera do sepultamento, e encontrei dona Celene choramos. Perguntei o que é que eu poderia dizer. Nada minoraria a dor daquela mãe devastada pela perda anti-natural e injusta. A resposta entrecortada veio rápida e mostra a cepa de que a filha foi feita: “Nada. Basta sua amizade”.
Mas eu preciso dizer algo a ela e a seu Ercole que tão bem receberam, desde sempre, esse amigo da filha mais velha, líder natural dos outros cinco irmãos, igualmente criados com amor para serem, como são, homens e mulheres de bem.
Ela era a minha melhor amiga. Casou com o meu maior amigo. O lar que construíram é o único que freqüentei com regularidade. Sou caseiro.
Felizmente a família é espiritualizada. Já eu não consigo conforto com golpes dessa ordem. Não acho justo. Admiro a força de dona Celene que, à beira do túmulo, agradeceu a solidariedade e o apoio que os amigos e parentes tentaram transmitir-lhe e, apud Vinicius e Chico, eu que não creio peço a Deus que dê conforto a essa gente que não merecia esse sofrimento. Rezo para que seu Ercole consiga suportar a dor.
Escrevo aqui para a família unida que é a Landim Ricci e também para dona Edna, Bira (falou lindamente, embora eu não tenha muita simpatia por sua igreja, a Presbiteriana,) e Juçara, os Gomes e Silva, com quem a vida me permitiu menos contato – mas guardo ainda no coração as palavras de dona Edna quando visitou meu pai no hospital perto do seu falecimento em agosto (21) de 1983. Lembro também com carinho o coronel Mário Hamilton.
Escrevo também para os amigos. E esse é o veículo exato.

Foi um privilégio conviver com Mayra por mais de 30 anos. Pessoa doce, ponderada, humana, amorosa e atenta às coisas da vida e do mundo. Uma cidadã. Confirmando a praxe, não guardo lembrança de como aconteceu o primeiro encontro ou mesmo através de quem ocorreu. Possivelmente, numa das cantorias noturnas da Quadra de Cima do Júlio César – quando eu ainda estava longe da Escolinha de Biblioteconomia e Comunicação (antecessora da Facom UFBa) e ela ainda fazia o primeiro grau no Bom Pastor, em Brotas, onde ganhou um festival estudantil (eu, Lula, Arnaldo e Mackenzie estávamos lá) com “Uma Raio de Sol” – entoado ontem com tristeza no Jardim da Saudade por seus irmãos, primos e os mais chegados.
Mayra chegava calçando um xagrim, de jeans e violão a tiracolo. Ficava até que o irmão, Ercole, infalível às 9h em ponto aparecia: – Mayra painho mandou dizer que já são 9 horas. E lá ia ela... agüentando a pirraça dos mais velhos até a noite seguinte.
Fomos companheiros ainda dos verões intermináveis da década de 70 no salva-vidas da Pituba, com a escadinha de irmãos menores: Ercole, Geovana (a mais constante), Túlio, Bruno e Carina. Na turma também Carlinha (vinha de Sampa), Iana, Naia, Alda e Aleida – todas primas – bem como Lula, Sá Barreto, Neyla, Neisa, Guga, Tostão, Ary, Paulinho, Betinho, Rubem, Guza, Macário, Toni, Arnaldo, Tony e Chuca. Acampamos algumas vezes (Itacimirim, Bom Jesus..., sempre com os irmãos por perto).
E ela encontrou em Mackenzie o primeiro namorado, sob o olhar severo de Ercole (Pai) e cumplicidade de dona Celene que até hoje gosta do indivíduo, meu primo de consideração. Foi para a Itália, voltou em poucos meses. Gostava do Brasil. Da Bahia.
O seu olhar para o outro. Para os carentes, levou-a ao curso de Serviço Social, depois do segundo grau no Nobel da Pituba (a caixa de sapato azul e branca), segundo Tony Baretta, hoje juiz em Salvador, pois nós já éramos universitários e nada de farda por cima da pele. Fez ainda mestrado na Uneb, doutorado em Barcelona e militou no PT desde sempre. E sempre no figurino de não perder a ternura jamais. Essa turma de praia se dispersou depois da faculdade, mas a amizade e o carinho daquele tempo inocente permanece.
Falo aqui de uma pessoa tão especial que conjugou características excludentes, como o rigor com os princípios ideológicos e a disposição natural para negociar e buscar soluções para aquilo o insolúvel. Mayra era daqueles seres humanos que Brecht considerava como imprescindíveis, mas também carregava em si a candura que Clarisse Lispector enxergou um dia num Chico Buarque novinho. E que ele conserva.
Casou brevemente com Miminho de quem, separada, continuou amiga. Visitavam-se e ele veio de Aracaju para a despedida. Dessa união nasceu Morena que estuda e trabalha em Londres. O irmão caçula Bruno veio da Itália e Carina, caçula das meninas também de Londres. Andando com a nossa patota nas festas de faculdades e em barzinhos (entra aí também Chico Bina, falecido, assim como meu irmão Lula), conheceu Arakem. Depois, em Arakem – meu maior amigo e o melhor amigo que qualquer pessoa pode conseguir – descobriu o amor de sua vida. O amigo, companheiro e cúmplice. O pai de Nara. União que caminhava para duas décadas.
Inicialmente eram em tudo dessemelhantes – a ponto do namoro, quando propagado, preocupar todo mundo. Ela comedida, ponderada, responsável e sensível. Ele boêmio, esporreteado, algo mulherengo, mas com um caráter e jeito de ser que pode ser descrito com apenas uma palavra, como fez uma vez James Amado para Ruy Espinheira Filho ao falar de Guido Guerra: “Sabe o que é que há com o Guido Ruy? O caso é que ele é bom”.
Arakem é Bom. Generoso e amigo dos amigos a ponto de se prejudicar pelo próximo. É aquele sujeito que está permanentemente preocupado com o outro. Liga, se informa, arranja emprego, freelas, conversa, dá toques. O tempo todo, com todo mundo! É o maior coração de toda uma geração da EBC que produziu gente como Jadson Oliveira, Alberto Freitas, Sinval e Joaninha, Carmel, Franciel, Nivaldinho, Luciano Aguiar e Borega (aquisições mais recentes), Bira Paim, Mocofaya, Mateus Matéria, Walmar Hupsel, Valmir Palma, Marcos Santana, Bonfim Brown, Vado, Adilson “hífen” Borges, Ivana Braga e ainda Xando Pereira, Catela, o grande Manuel Porto, Miltinho, Vicentão, Izurbaninho, Marco Antonio Moreira (veio de Brasília, assim como o querido Leonel Rocha, amigo sempre presente,) Roque Mendes e um monte de jornaleiros (como não precisa mais diploma, não é doutor Gilmar Mendes,) deve dar no mesmo.
Veio também do Rio, Andréa, namoro tempestuoso de Arakem na juventude, minha prima, junto com a mãe, Sônia, as irmãs Daniela e Geórgia e Bebeto, tio.
Perto da bondade de Arakem só seu compadre e advogado, o pai de Júlia, Irecê.
José Rodrigues de Miranda que cansou de chegar de madrugada em Lauro de Freitas, cidade que tratava por Lauro, na maior intimidade, já indagando a Mayra com a cara de pau que Deus lhe deu: “E aí minha senhora? A cozinha ainda está funcionando”.
Funcionava sempre. Ainda que heterodoxamente o conviva notívago às vezes pedisse para fritar um ovo, que jogava dentro da sopa, com a gema mole. Se existir algum céu, nirvana, plano superior ou o que quer que seja, estão agora juntos tricotando porque José gostava de um fuxiquinho, daqueles sem maldade.
E o casamento funcionou. Foram felizes e companheiros. Sonharam por novos tempos aqui. Venceram e vibraram e trabalharam. Cada um fazendo sua parte.
Agregadores, adoravam a casa cheia, com seu Ercole no exagero de sempre na comidaria dos finais de semana. Nos churrascos, massas e nas orelhas de porco cozida, que nunca provei.
Foi lá, em Lauro, que passei alguns dos melhores momentos da vida junto com Leninha e os meninos Caio e Dudu. Natal, às vezes, mas São João e Reveillon, sempre na casa de Arakem e Mayra, onde Jadson uma vez dançou várias vezes com a tia Anaide, que já ia pelos 85 anos, depois que sua Deta se jogou na piscina de madrugada. Nas viagens de Leninha, infortunadamente em constância crescente, é lá que eu me refugio, pois os meninos já não são tão meninos assim para me pajearem e agüentarem minhas manias.
Ela e ele adoravam música. Música da boa. De preferência de Minas, vale dizer Milton, Lô e Telo Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso, Venturinni, Tonhinho Horta e todos os iluminas do Clube da Esquina, com seus sucessores como Marina Machado. Chico, Edu, Tom, Gil, Caetano (com Arakem fazendo caretas) também tinham vez, bem como MPB-4, Boca Livre, Paulinho Pedra Azul, Novos Baianos, Dodô e Osmar, Fred Menendez, Juçara Silveira e Matita Perê – com a inestimável colaboração no sopro e percussão de Léo, produtor e dono da mochila mágica onde carrega até uma bateria completa – ou pelo menos assim reza a lenda.. Fagner da época de Canteiros também era lembrado. Eu gravava fitas, depois CDs, para tardes de ócio, cafezinho feito numa cafeteirazinha que parecia coisa de boneca que a colocava no fogão várias vezes (cumprindo seu papel social, dizia Irecê,) amizade e música. Muitas tardes. Lamento não terem sido mais.
Arakem toca violão, bandolim e cavaquinho (menos). Insistisse seria músico profissional. Portanto, os saraus eram da melhor qualidade e em especial quando Rita Birita (maldade ainda da EBC, a criatura de sobrenome de músicos nobres, Tavares, nunca bebeu uma gota de álcool)
E Mayra tinha música dela (como fala o Milton Nascimento), era do Lô e do Márcio Borges, Um Girassol da Cor do seu Cabelo, do disco Clube da Esquina 1.
A letra é incrível lida, cantada ou recitada agora é incrível. Parece profética, bem como o crescendo e a polifonia de quando se chega à parte final, instrumental:

Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?

Se eu cantar, não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar, bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer dançar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo

Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?

Você vem?
Ou será que é tarde demais?
A terra azul da cor de seu vestido
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo

Para dar uma idéia da paciência e compreensão de Mayra lembrarei um fato, coisa pequena, mas que mostra a mulher diferente que ela era. Foi num São João, talvez tenham se passado três anos. Chovia a cântaros (para ficar no bordão) e a fogueira, lógico não acendia. Lá pelas 8h da noite Arakem encrencou em acender o fogo. São João sem fogueira, concordou Manuel Porto, não valia.
Secaram o tanque do Peugeot 2006, duas garrafas de álcool e nada. Arakem arrancou a cortina de plástico do chuveiro da sauna e jogou no, vá lá, fogo. Nada. Queimou dois baldes de plástico. Os pirulitos de isopor e um colchão de ar da piscina. O fogo subia e apagava com a chuva implacável. Ele e Manuel ensopados. Arakem fazia o fogo e Manuel abanava com uma tampa do isopor da cerveja que acabou também sacrificada.
Queimou ainda parte da coleção da revista Recreio de Nara (só não torrando tudo porque a menina descobriu e abriu no choro). Ele sumiu um pouco e apareceu com uma braçada com umas quatro toalhas de banho que estavam secando nos fundos. Não agüentei e segredei: “Moça, Arakem vai queimar agora a roupa da casa”. Ela sem espanto algum redargüiu: “Paulo você não sabe como é Araka quando implica em fazer uma coisa” e foi tirar o resto dos panos da corda. Na maior calma.
O fogo afinal prosperou com a entrada do “técnico” Franciel que passou a dar penadas sobre onde abanar, quando foi jogado na fogueira um balde com veneno de rato. O produto era inflamável e rendeu um fogaréu amarelo, fedorento, que ninguém usou para assar carne como insistiu o anfitrião.
Era assim a Mayra. Menina que estava num dos postos mais espinhentos do governo. Chefe de Gabinete de Ruy Costa, o secretário de Governo. Estava contando nos dedos os dias para chegar o mês de março quando haverá a desincompatibilização dos secretários-candidatos. Queria dar aulas. Faria concurso para a UFBa (passou em todos os que se submeteu), para estudar e ter mais tempo para o marido, filha, pais, irmãos e a legião de amigos que conquistou.
Moções de pesar já foram feitas na Câmara de Salvador e na Assembléia Legislativa. Sua amiga Moema Gramacho decretou Luto oficial em Lauro. Como amigo fiquei grato pelo sinal de respeito e reconhecimento, mas despojada como era ela onde estiver estará ruborizada.
Mamá, sua lembrança aquecerá sempre os nossos corações nesse mundinho a cada momento mais fuleiro. Um abraço e um beijo. Estarei sempre perto do nosso Araka.
São 4h16 da madruga e vou tentar dormir. Mais tarde verei como postar.
Paulo Bina

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

É só a Lua










Com medo de não acertar dizer o que sinto, mas é forte o desejo de expressar esse momento.

À AMIGA Mayra, uma das suas músicas preferidas.



"Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você por mais um dia
Ainda gosto de dançar, bom dia,
Como vai você?
Sol, girassol, verde vento solar
Você ainda quer dançar comigo
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a Lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua,
Como vai você?
Você vem, ou será que é tarde demais?
A terra azul da cor de seu vestido
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a Lua ..."
(Um Girassol da Cor de Seu Cabelo - Lô Borges)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A natureza é insensível à morte


Hoje, como faço todos os dias, acordei e sentei na varanda de casa que tem uma bela vista para o mar. O dia bonito, sol, céu azul mar idem, uma pintura de cores firme, nenhuma nuvem. Comentei com minha filha a beleza da manhã. Em questão de segundo o celular toca, do outro lado da linha Joaninha, pelo horário logo percebi que alguma coisa estava errada, e como uma bomba veio a notícia: Mayra, companheira de nosso amigo em comum Araken, sofrera um infarto à noite e não resistiu.

Amiga querida e admirada por todos, uma das pessoas mais meigas e educadas que tive oportunidade de conviver. Jovem no vigor dos seus 45 anos, linda, mãe de duas filhas, idealista com vários projetos em mente, ajudou a contrução do PT na Bahia e atualmente exercia a função de chefe de Gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. Mayra foi embora assim de repente deixando todos nós perplexos.


Ao receber a notícia e diante do cenário que estava à minha frente, deslumbrantemente belo, me veio à memória o amigo Jadson, que citando não sei bem quem, costumava dizer: “a natureza é insensível à morte”. Constatação mais do que perfeita nesse momento em que nada se tem a dizer.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

VALEU


A maior dupla de redatores que o jornalismo brasileiro já vira, atuava na TB na década de 80. José Rodrigues de Miranda e Araken Gomes e Silva, Irê e Ara Pinga, respectivamente. Um assombro. No Carnaval de 86 trabalhamos no sábado e na terça. Ao retornarmos para a Djalma Dutra, na terça, depois de vários dias de avenida e dominó na varanda de Quesinha, a situação era caótica. Bené Simões, conhecendo a dupla, havia adiantado a copidescagem de muitos telexes (para os mais jovens, tratava-se de uma mensagem em papel saída de uma máquina estranha); e matérias, ainda mais estranhas, de Adilson Fonseca e Fátima Danneman. Ainda assim era muito o trabalho a ser feito. Bené, ávido para ir ao encontro de trios na Castro Alves, apressou-se em montar uma mesa em L para trabalharmos. Eu daria os títulos e José copidescaria o material. Um meio de lado/costas para o outro para não atrasar o serviço. No primeiro título, duas linhas de 26 toques, fiquei uns 20 minutos. A cabeça girando, a boca seca, o estômago reclamando, pensei : "Não vai dar. É melhor trocarmos as atribuições". Quando me virei para sugerir a troca ao companheiro José deparei-me com o mesmo dormindo e babando sobre uma pilha de matérias espalhada na mesa. Foi o parto mais difícil da história dos dias da Tribuna, mas nas Cinzas estava ela lá nas bancas com a manchete : "VALEU"

terça-feira, 22 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O dia em que reneguei meu próprio filho


Carmela Talento

Nos dias de plantão, que no jornal geralmente era sábado à tarde, sempre levava um dos meus filhos, porque era folga da babá e minha mãe não tinha a mínima condição de ficar sozinha com três crianças. Com mais frequência carregava Bruno, por ser o mais velho e também o mais danado. Os plantões de um modo geral eram tranquilos e ele gostava de ficar na redação.

Numa dessas tardes recebi uma pauta da homenagem que o Bloco Os Corujas prestaria a Maria Bethânia. Eu repórter, Paulo Mocofaia, fotógrafo, e Bruno, (na época com quatro ou cinco anos) a tira colo seguimos para fazer a tal cobertura. De antemão já dava para prever que com um trio desses, boa coisa não podia se esperar.

Chegamos à sede da agremiação carnavalesca e tocamos a esperar a estrela. Bruno correndo de um lado para o outro, já tinha explorado tudo que estava a seu alcance, começou a ficar impaciente querendo ir embora. Tentei explicar que só sairíamos depois da homenagem dos Corujas. Não sei bem o que ele entendeu. O fato é que quando avistou no corredor Maria Bethânia entrando com aquela cabeleira e seguida de pessoas que a aplaudiam, não fez por menos: Borá a coruja já chegou! Gritou em voz alta. Saia justíssima, virei para Mocofaia e na maior cara de pau perguntei: esse menino está com você? A resposta foi imediata, é seu filho! Vexame total.

Nem sei se Mocofaia se lembra desse fato, mas é uma das lembranças do jornal que ainda hoje me faz rir muito.

No Ceará




Pilheiros, tirei uma semana para reflexões, se é que vocês me entendem. Estou voltando depois de ler os reclames pela ausência dos colaboradores. Por enquanto desfruto das belezas cearenses, como as daqui na praia de Aquiraz. Jadson você precisa chegar aqui na área.

domingo, 20 de setembro de 2009

Triste e cansado




Jadson Oliveira


De Assunção (Paraguai) – Criei uma piada que reputo muito boa, mas tem um complicador: só vai entender quem sabe português e espanhol. Sempre tenho vontade de contá-la, mas hesito e termino adiando. Agora, aproveito aqui o nosso Pilha Pura e vou arriscar.

Todo mundo sabe que piada que requer explicação não funciona, daí minha hesitação. Vou explicar antes. Primeiro tem de ter uma aulazinha de espanhol: na língua do grande Cervantes não existe o som “z”. Palavra escrita com “z” ou com “s” entre vogais ou não, tem sempre o som de “ss” ou “ç” (isto no espanhol da América Latina, no da Espanha é um pouco diferente; no espanhol não se escreve o “ss” e o “ç”, mas o som existe). Por exemplo: “casa”, você pronuncia no espanhol cassa ou caça; “plaza”, pronúncia – plassa ou plaça; “peseta”, pronuncia-se peceta.

Agora, a piada (será que vai funcionar?). Eu estava em Caracas, onde o ônibus, de tamanho médio, que faz o transporte urbano é chamado de “buseta” (o som do “s” vocês já sabem, é o diminutivo de “bus”, ônibus em espanhol). Estava em Caracas folheando o “Últimas Notícias”, meu jornal predileto lá, no meu quartinho, sozinho, solito, sem mulher, sem namorada, e topei na cabeça de uma página interna a manchete: “En Colina Feliz, andan tristes y cansados por falta de busetas”. E eu lendo e pensando: “Eu também, mas com “c”.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Farinha pouca, meu pirão primeiro



Para comemorar o aniversário de Sinval sem ter muito trabalho, contratamos o bar Plimplim, no Rio Vermelho, isto há três anos, nos bons tempos desse bar. Coisa simples entre alguns amigos e familiares, porque o bolso não permitia festanças e o aniversariante também é avesso a esses exageros.

Mas essa história de poucos amigos é esparro. Primeiro porque não são poucos amigos e a gente sempre comete injustiças não chamando muitos outros que gostaríamos. Esparro maior é fazer coisa pequena em lugar público e conhecido.

E nesse clima e contexto começa a chegar gente, a chegar gente... e não parava de chegar gente. Calculamos mal e alguns amigos saíram informando a outros sobre a comemoração. E nisso, a gente havia comentado com Jadson que seria uma feijoada, algo assim para 30 pratos.

Então Jadson chega ao quarto copo de Red Label, a quantidade de doses que o faz repetir estórias e comentários, nas mais das vezes inconvenientes. O cara encasqueta e resolve contar quantas pessoas comparecem e repete em voz alta, em tom de preocupação: “Joaninha, já são 43 pessoas, 43, 43 pessoas e só tem feijoada para 30 pratos”. Dou risada, disfarço, mas o cara, já bebum, insiste. E não pára de chegar mais gente e Jadson sai espalhando pra todo mundo que o “pirão” é pouco.

Todo mundo começa a gargalhar com a pilha de Jadson, mas o pior acontece quando chega Lucinha Cerqueira, junto com Nádia Argolo e Diogo. O cara se desespera com mais três na área e pergunta a Lúcia: “E você foi convidada? Quem lhe chamou? Tô perguntando, tô perguntando, porque a feijoada só dá para 30 e aqui já tem mais de 43 pessoas”. A amiga se desconcerta: “Você está achando que estou aqui de penetra?”. Jadson, pra lá de bebum, com mais de seis doses na cabeça, insiste e encarna na amiga, a essa altura respondendo com boas gargalhadas.

É a velha história: farinha pouca, meu pirão primeiro! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Editora do blog leva bronca logo de saída

Carmela Talento


Já que vocês me botaram na roda e estão cobrando participação retomo os causo dos bons tempos de redação de jornal. No século passado (adoro lembrar isso) exerci a função de editora de política na Tribuna da Bahia. A dona do Pilha Pura resolveu enveredar pela cobertura de política.

A realidade é que naqueles bons tempos, além de jornalismo a turma gostava mesmo era de ficar britando e contando vantagem no Abaixadinho, um boteco quase em frente ao prédio do jornal, na Djalma Dutra. Quando um editor ou repórter sumia da redação era certo que estava por lá.

Galera da Tribuna da Bahia no século passado
(Mônica, Isabel, Joaninha, Carmela e Sinval)
em protesto no último 2 de Julho contra a recente cassação do diploma

Não raramente flagrava “Ipezinho” o contínuo da redação, com copo plástico com bebida alcoólica, e quando perguntava o que era, ele alegava que era café que alguém tinha mandado comprar. A turma botava mesmo prá quebrar.

Na época ainda não existia celular e muito menos computador para passar e-mail. O que restava era ligar mesmo do bar dando uma desculpa para justificar a ausência ou comunicar que estava chegando com atraso.

Em um dos primeiros dias na editoria, Joaninha saiu com duas ou três pautas para cumprir. No meio da tarde liga dizendo que tinham furado, (em linguagem dos jornalistas quer dizer que não foram cumpridas), sendo assim entendia que não precisava voltar para a redação. A resposta foi curta e grossa: Você já viu furar pauta de política? Volte que vou lhe passar a lista de todos os deputados, senadores e vereadores. Vamos ver se não consegue fazer uma matéria. Poucos segundos depois da ligação, chegou com cara de poucos amigos, sentou perto do telefone e de lá só saiu com a matéria pronta. Detalhe: tinha ligado exatamente do Abaixadinho onde pretendia começar o expediente mais cedo, certamente com o meu aval.

Piloto dançarino



Bora Baêeeeaaa!!!!!!!!!!!


Já disse aqui que futebol não é o meu fraco. Mas não resisto a algumas informações como essas:


O Bahia é o clube com o maior número de títulos do planeta. É o campeão dos campeões.


Segundo estudos do centro estatístico da UFRJ, os times do Flamengo, Botafogo, Fluminense, Vasco, Internacional, Grêmio, São Paulo, Corinthias, Palmeiras, Santos, Real Madrid, Barcelona, Milan e muitos outros considerados grandes, levariam juntos cerca de 100 anos para chegar ao número de títulos que tem o Bahia em quantidade, conquistados e conhecidos pelas entidades competentes.


Aqui estão os somados até a última semana:


Títulos Protestados no Tribunal Regional do Trabalho: 344


Títulos Protestados na Justiça Civil: 922


Títulos Protestados na Justiça Federal: 135


Títulos Protestados nos Cartórios de Títulos e Documentos: 1.643


Total, são muito mais de 3.000 títulos !


Bora Baêa!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ah, trata-se de um…


Nossos contratados sumiram, mas o socorro vem de longe para ajudar a manter o Pilha em dia . Vem do Paraguai, com o amigo jornalista Jadson Olveira estreando aqui com um "causo" muito legal que deve provocar muitas boas lembranças dos coleguinhas da Facom/UFBA.

Jadson vem publicando textos imperdíveis no seu próprio blog http://blogdejadson.blogspot.com/ sobre a vida política dos lugares por onde tem andado e nós já falamos disso aqui recentemente, no dia em que ele embarcou para Assunção confira

O "causo" de Jadson é o seguinte:

"Não conheço cara a cara o André Setaro, professor da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom) e crítico de cinema na Tribuna da Bahia. Conheço através de amigos/conhecidos comuns, como nosso Franciel, do combativo e imbatível Ingresia, e o tenho na melhor conta.
Outro amigo/conhecido é Oldemar Victor (é ou foi, porque a indesejada, a inominada, a morte – falei sem querer o nome da desgraçada – já o levou).




André Setaro


Fotógrafo, professor também na Facom de algumas gerações de jornalistas – só ensinava a quem estava interessado na fotografia, mas todo mundo passava de ano, um irresponsável, diriam -, irreverência sutil e ferina. (Me lembro de Jorginho Ramos, os três







Jorge Ramos ensinando baianas a fazer acarajé sem coliformes fecais


- Jorginho, Oldemar e eu - companheiros da velha Confraria. Oldemar começou um papo com, en passant, um elogio a Jorginho. Jorginho se retesou todo: quando Victor começa elogiando, pode esperar que logo em seguida vem a cacetada).


Pois bem, Oldemar contava uma tirada do Setaro. Os dois participavam de uma campanha lá na Facom para a escolha do diretor, entre os colegas professores. Cada um dos candidatos dedilhava seus planos, promessas, plataforma de governo. Um deles, porém, caiu no “deslize” de mencionar, como uma vantagem ou um componente do cargo, o recebimento de uma gratificação.


Foi o bastante para ser alvejado por uma certeira observação (por uma seta) do nosso Setaro: “Ah, trata-se de um emprego!”

terça-feira, 15 de setembro de 2009

PROCURA-SE


Ei, cadê meus contratados? Desse jeito, só cortando o ponto :)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

beba,beba,beba, beba...




Nada de curtir ressaca na segunda-feira. Hoje o Pilha brinda a entrada da semana com uma boa dica.

Entre um copo e outro, um amigo biólogo desenvolveu uma teoria que ele chama teoria do búfalo, que a seguinte:

Quando uma manada de búfalos é caçada, só os búfalos mais fracos e lentos, em geral doentes, que estão atrás do rebanho, são mortos primeiro.

Essa seleção natural é considerada boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho pela matança regular dos membros mais fracos.

O biólogo biriteiro defende que o cérebro humano opera de forma parecida: beber álcool em excesso mata os neurônios, mas naturalmente, ele ataca os neurônios mais fracos e lentos primeiro.

Neste caso, o consumo regular de cerveja, cachaça, whisky, vinho, rum, vodka, elimina os neurônios mais lentos, tornando o cérebro uma máquina mais rápida e eficiente...
E mais: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool.

Nas contas do nosso amigo, isto significa que “outros 77% dos acidentes são causados pelos filhos da p... que bebem água, suco ou refrigerante”.

Ele tem até um slogan para a sua teoria:

Seja inteligente! JÁ PRO BOTECO!

domingo, 13 de setembro de 2009

Quem será?


Da série "um doce pra quem advinhar", quem é esse cinquentão?


"Acabei de completar 56 anos. Minha mulher me
presenteou com uma semana de treinamento físico em
uma boa academia. Estou em excelente forma mas
achei boa idéia diminuir minha "barriguinha".
Fiz reserva com a "personal trainner" Nádia, instrutora
de Aeróbica e modelo de 26 anos. Foi-me recomendado
levar um diário para documentar meu progresso, que vai
transcrito a seguir.


SEGUNDA-FEIRA
Com muita dificuldade levantei-me às 6 da manhã. O
esforço valeu a pena. Nádia parecia uma deusa grega:
ruiva, olhos azuis, grande sorriso, lábios carnudos e
corpo escultural. Inicialmente, Nádia fez um tour,
mostrando os aparelhos. Comecei pela bicicleta. Ela
me tomou o pulso, depois de 5 minutos, e se alarmou,
pois estava muito acelerado. Não era a bicicleta, mas
ela, vestida com uma malha de lycra coladinha.
Desfrutei do exercício. Ela me motiva muito, apesar da
dor na barriga, de tanto encolhê-la, toda vez que ela
passa perto de mim.



TERÇA-FEIRA
Tomei café e fui para a academia. Nádia estava mais
linda que nunca. Comecei a levantar uma barra de
metal. Depois ela se atreveu a por pesos!!! Minhas
pernas estavam debilitadas, mas consegui completar
UM QUILÔMETRO. O sorriso arrebatador que
Nádia deu me convenceu de que todo exercício valeu
a pena... era uma nova vida para mim.



QUARTA-FEIRA
A única forma de conseguir escovar os dentes, foi
colocando a escova sobre a pia e movendo a cabeça para os
lados. Dirigir também não foi fácil: estender os braços para
mudar as marchas era um esforço digno de Hércules, doía o
peito e minhas panturrilhas ardiam toda vez que pisava na
embreagem. Fisicamente impossibilitado, estacionei meu
carro na vaga para deficientes físicos, até pq, saí mancando.
Nádia estava com a voz um pouco aguda a essa hora da
manhã e quando gritava me incomodava muito. Meu corpo
doeu inteiro quando ela me colocou uma cinta para fazer
escalada. Pra que merda alguém inventa um treco pra se
escalar quando isso já está obsoleto com os elevadores?
Nádia me disse que isso me ajudaria a ficar em forma e
desfrutar a vida... ou alguma dessas merdas de promessas.


QUINTA-FEIRA
Nádia estava me esperando com seus odiosos dentes de
vampiro escroto. Cheguei meia-hora atrasado: foi o
tempo que demorei pra colocar os sapatos. A
desgraçada me colocou para trabalhar com os
pesos. Quando se distraiu, saí correndo e me escondi no
banheiro. Mandou um outro treinador me buscar e
como castigo me pôs a trabalhar na máquina
de remar... me fodi todo.



SEXTA-FEIRA
Odeio essa desgraçada. Estúpida, magra, anêmica, chata
e feminista sem cérebro! Se houvesse uma parte do meu
corpo que pudesse se mover sem uma dor angustiante, eu
partiria no meio a vaca que pariu essa xexelenta. Ela
quis que eu trabalhasse meus tríceps... EU NEM SEI O
QUE É ESSA PORRA DE TRÍCEPS, CARALHO!!! E
se não bastasse me colocar o peso para que o rompesse,
me colocou aquelas merdas das barras... A bicicleta me
fez desmaiar, e acordei na cama de uma nutricionista,
uma idiota com cara de mal comida que me deu uma
catequese de alimentação saudável, claro.



SÁBADO
A lazarenta me deixou uma mensagem no celular
com sua vozinha de lésbica assumida, perguntando-
me por que eu não fui. Só com a vozinha me deu
gana de quebrar o celular, porém não tinha certeza
se teria força suficiente pra levantá-lo; até mesmo
pra apertar os botões do controle remoto da tevê tava
difícil...



DOMINGO
Pedi ao vizinho pra ir à missa agradecer a Deus por
mim por essa semana que terminou. Também rezei pra
que o ano que vem, a infeliz da minha mulher me
presenteie com algo um pouco mais divertido, como
um tratamento dentário de canal, um cateterismo ou,
até mesmo, um exame de próstata".

sábado, 12 de setembro de 2009

Jesus me abana!


Buemba, buemba! O Pilha está bombando! Vai ter correspondente internacional contratada a peso de francos suíços!
Dica: é jornalista com diploma e alta executiva em Genebra.

Regina Casé e Roberto Carlos

Cai na real!


Léa acordou romântica e enviou esses dois poeminhas para quem está pensando em casar



POEMA ESCRITO POR ELE (o noivo):


Que feliz sou eu, meu amor!
Já, já estaremos casados,
o café da manhã na cama,
um bom suco e pão torrado


Com ovos bem mexidinhos
tudo pronto bem cedinho
depois irei pro trabalho
e voce para o mercado


Daí vc. corre prá casa
rapidinho, arruma tudo
e corre pro seu trabalho
para começar seu turno


Você sabe que de noite
gosto de jantar bem cedo
de ver voce bem bonita
alegre e sorridente


Pela noite mini-séries
cineminha bem barato
nunca iremos ao shopping
nem a restaurantes caros


Voce vai cozinhar pra mim
comidinhas bem caseiras
pois não sou dessas pessoas
que gosta de comer fora...


Voce não acha querida
que esses serão dias gloriosos?
Não se esqueça meu amor
que logo seremos esposos!


POEMA ESCRITO POR ELA

Que sincero meu amor!
Que oportuna tuas palavras!
Esperas tanto de mim
que me sinto intimidada


Não sei fazer ovo mexido
como sua mãe adorada,
meu pão torrado se queima
de cozinha não sei nada!


Gosto muito de dormir,
até tarde, relaxada
ir ao shopping fazer compras
com a Mastercard dourada


Sair com minhas amigas,
comprar só roupa de marca
sapatos só exclusivos
e as langeries mais caras


Pense bem, que ainda há tempo
a igreja não está paga
eu devolvo meu vestido
e voce seu terno de gala


E domingo bem cedinho
prá começar a semana,
ponha aviso num jornal
com letras bem destacadas


HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
POR QUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR PRÁ MERDA!!!!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

InJustiça








Jogo no novo estádio não tem fubuia. Todo mundo sabe.


Liberaram o mé ontem em Pituáçu ? Por isso que eu acho que o melhor lugar para assistir aos jogos é no bar de Risaldo, no Conjunto dos Contabilistas, onde Mané Porto mora.



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Leite derramado




Pai rico, filho nobre, neto pobre. Taí uma frase emblemática do livro de Chico Buarque que conta a saga de uma família rica no Brasil, marcada pela decadência.




Eu tinha resistência ao escritor, de tanto que admiro o compositor. Mas encarei e gostei de Leite derramado.




A história é triste, mas tem lá suas passagens bem leves, outras vezes doidonas, como o tesão do velhinho pela namorada do bisneto que tinha "argola espetada no umbigo" e tatuagem acima do cóccix com o nome Jesus Cristo em letras góticas. O ancião ficou doidão pela menina, principalmente quando ela se abaixa e ele vê o rego da bunda dela. E quando ele lembra dela enquanto tomava banho ...




A narrativa de Chico é vibrante e envolvente (tô muito metida a besta mesmo falando desse livro, não é?) . E olha que é um monólogo de um idoso que conta fatos misturando tudo, confundindo o tempo cronológico com o psicológico. Isso no começo do livro dá uma certa impaciência e achei até meio chato, mas depois a gente viaja na cabeça da personagem e aí não quer parar mais de ler.




Esse Chico é o cara mesmo. Só tem um defeito: ronca muito (hehehehehe)






segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O nosso Grito


" Vida em primeiro lugar, a força da transformação está na organização popular" . O grito dos /as excluídos/as enrolou, enrolou pra sair do Campo Grande, depois do desfile oficial comemorativo do Dia da Independência do Brasil, mas deu o recado, ou melhor, os recados, porque não são poucos os excluídos, boa parte representada na avenida 7 de Setembro.



O velho militante Célio Maranhão e seus protestos contra tudo


O entusiasmo da platéia no circuito


Beleza e inocência na rua

Flagrante de um grande encontro


Presença sempre garantida.


Manoel Porto foge dos ligeiros chuviscos, não só pela preocupação com o equipamento fotográfico, como também pelo novo corte de cabelo, que não ia fazer o mesmo efeito ensopado (rsrsr)


As coleguinhas improvisam coletiva com o pessoal da coordenação do evento

Os coleguinhas disputam o melhor ângulo para registrar tudo

Pai engajado, filhos entediados. Olha a disposição dos "pestinhas" de Julio Rocha


A satisfação de encontrar amigos.

A presença do herói revolucionário.

Muito experto foi esse Papai Noel, que foi ao grito, mas não estava nem aí para protestos. Pra quê?
Sinta o clima

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