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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

domingo, 6 de setembro de 2009

Hilário, o gozador


Carmel estréia com essa história hilária



Seo Hilário era um pouco diferente dos moradores da comunidade do Quebra-Machado. Negro, alto, forte, de cabelos e barba brancos, possuía todos os arquétipos de um preto velho. Seu passado, além de sua idade, eram icógnitas, já que ninguém sabia quando fora parar por aquelas bandas da zona rural de Valença. Morava num pequeno terreno às margens do Gereba, onde cultivava ervas e plantas ligadas aos rituais do candomblé.

Além de rezador dos bons, seo Hilário tinha outra fama, digamos assim, menos nobre – a de culhudeiro, mentiroso. Não podia ver um carro passar pela estrada de poeira que logo ia dizendo “Oh, ioiô, já dirigi um desses”, e quando a garotada tentava arreliar o velho, ele não deixava por menos:“Esse aí é pequeno... Eu já dirigi foi daqueles caminhão cheio de roda”, arrematava.

Se no céu pintava um avião, a assistência botava pilha, só de sacanagem: “E, rapaz, que avião bonito...”, no que o velho Hilário falava na tampa: “Já dirigi um daqueles. Aliás, aquele lá é pequeno. Já dirigi muito maior”, gastava. Se estava na feira de Valença, e alguém ao seu lado admirava a beleza da lancha Brisa Triônica, Hilário não perdia tempo. “Eu já dirigi foi navio..”.

Um dia, lá pras bandas da fazenda de Dino, a rotina da turma da bodega foi alterada com a chegada de um trator. O homem saltou da máquina, dirigiu-se à venda, pediu uma pinga e foi logo perguntando: “Tem alguém aí que possa servir de auxiliar de tratorista?”. A galera não perdeu tempo “Tem sim”, e apontou pro velho Hilário. O recém-chegado pegou um molhe de chaves e entregou ao ‘piloto’. “Traz o trator pra cá véi”.

Pediu outra pinga e se acotovelou no balcão. Depois de uns 10 minutos, lembrou da manobra que mandara executar. “Oxente, cadê o véi?”, e a galera respondeu “Oi ele lá, em cima do trator...” . Sério, o homem chamou Hilário. “Oh véi, cadê o trator?”, e o rezador, na maior calma, desceu do veículo, se chegou pra turma e, com a penca de chaves na mão, bradou: “tô acostumado só com os tratô grande. Qual é a chave, mermo, que liga?”.

5 comentários:

Anônimo disse...

Boa chegada Carmel. Sei que "papai" também tinha uma frota de tratores lá na fazenda que ia de Valença a Montes Claros. Continue colaborando, para deleite dos leitores da pilha de Joaninha.
Diogo

Jadson disse...

Hilário esse Hilário da estreia do nosso Carmel. Um grande abraço.

Joana D'Arck disse...

kkkkkkkkkk... essa saída de Seu Hilário foi porreta!

Mônica Bichara disse...

Muito bom, Carmelito! Adorei a estreia, hilária. bjs

|| Assessoria de Comunicação da Embasa || disse...

A todos e a todas que me apoiaram quero dizer que dentro em breve postarei outros causos, contos, poemas...até ter material suficiente para escrever um livro, ser sucesso, ir para a ABL e vender que nem Paulo Coelho. Obrigado pelo apoio.
ac

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