Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sábado, 30 de abril de 2011

O debate é pela comunicação pública

O desmembramento do Irdeb da Secretaria Estadual de Cultura e a sua subordinação à recém criada Secretaria Estadual de Comunicação já foi aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia, mas o debate proposto pelo jornalista e cineasta Josias Pires vai além disso. Por isso, respoduzimos o texto abaixo, publicado no Blog do Anderson, para uma reflexão mais ampla sobre o  papel da comunicação e sua importância para a democracia ampla, real, concreta.  



28/04/2011
Por Josias Pires
Este episódio da transferência do Irdeb (TVE Bahia e Rádio Educadora) do âmbito da Secretaria de Cultura para a Secretaria de Comunicação, recém-criada, sem nenhum debate público com a sociedade, quase às escondidas, fora do projeto de reforma administrativa original enviado pelo governo para a Assembléia Legislativa é mais um capítulo que denuncia a distância que estamos no Brasil de uma democracia no sentido radical da palavra.
Quando elegemos um governante não elegemos um imperador, que faz as leis segundo a sua vontade pessoal. Não damos um cheque em branco ao governante. Votamos em alguém que imaginamos irá representar os nossos anseios e necessidades. E esperamos que as questões relevantes que não foram debatidas no âmbito da campanha eleitoral, quando se apresentarem para serem decididas, precisam ser postas no debate com os interessados para que as decisões tomadas estejam afinadas com o sentimento da maioria.
No Brasil o Estado (e os governos) sempre tiveram papel central nos comportamentos dos atores sociais. Para o bem e para o mal. São os indutores do desenvolvimento econômico e de transformações sócio-culturais. No caso da democracia têm papel de alta relevãncia. Mas os movimentos sociais também tem papel fundamental na conquista da democracia.
A questão democrática no Brasil é crucial. A nossa história é a história da espoliação secular de índios, de africanos e de brancos pobres. É uma história trágica. O cineasta baiano Geraldo Sarno “gosta” de dizer que todos os heróis populares do Brasil foram derrotados. Os acertos “por cima” patrocinado pelas elites para fazer a “revolução” antes que o povo a faça é a regra da política brasileira.
Essa história tem que mudar. A eleição de Lula e de governantes petistas representam este sentimento de mudança. Porém, uma questão chave para mudar essa história é a democratização da comunicação. O Brasil é o país em que a televisão tem papel central. Em nenhum outro grande país do mundo a televisão tem tanta influência quanto tem no Brasil. E o pior é que somos, ainda, um país com uma enormidade de analfabetos.
Ao contrário também da maioria dos grandes países, aqui predomina a televisão privada sem nenhum tipo de controle. A Constituição Cidadã de 1988 mudou o campo legal de praticamente todos os segmentos da sociedade brasileira. Menos o da comunicação. É verdade que a constituição proíbe o monopólio e tem quatro artigos que apontam para a democratização da comunicação. Mas esses artigos nunca foram regulamentados. E já fazem 23 anos que a Constituição foi aprovada.
Os senhores da mídia no Brasil são realmente poderosos. Mais poderosos do que o povo brasileiro? Talvez. Jogam solto, formam monopólios, impérios, controlam políticos e mais o que querem. E este é o fato ineludível: não teremos democracia forte no Brasil enquanto a televisão brasileira estiver nas mãos de cinco famílias, enquanto o monopólio da mídia persistir.
Enquanto não conseguirmos quebrar esses monopólios e criarmos redes alternativas de rádio e televisão comunitárias e populares pouco avançaremos. Precisamos de uma comunicação contra-hegemônica no Brasil. A regulação da mídia avança na Argentina, Uruguai, Equador, Venezuela. E existe em todo o chamadó mundo desenvolvido.  Menos no Brasil. Nesses processos de regulação, os governos dos países jogaram papel fundamental para a democratização.
Entre nós este é um assunto ainda espinhoso. Daí a importância deste debate  que, infelizmente, é raso e pobre na Bahia e, de resto, no Brasil. No pós-ditadura chegamos a ter cerca de 30 mil rádios comunitárias no país. Os senhores da mídia pressionaram, aprovaram uma lei contra as rádios comunitárias, que foram duramente reprimidas.
Mas é preciso insistir. Os movimentos sociais devem insistir.  O sentimento popular majoritário é para aprofundar as mudanças. Nos últimos anos foram realizados na Bahia alguns debates sobre televisão pública. Vimos anúncios de que teríamos uma televisão pública. O que, evidentemente, é uma inverdade. Efetivamente pouco avançamos nessa direção. Esse episódio agora do Irdeb é prova cabal disso. O debate tem que sair da esfera elitista para poucos e para os mesmos e ganhar dimensão popular e comunitária.
Para construirmos a democracia no Brasil precisamos de uma cadeia de emissoras públicas de rádio e televisão. Independentes do governo. Apoiadas pelos governos, porém sem subordinação aos governantes. Por esta razão, considero inteiramente falsa essa discussão se o Irdeb deve subordinar-se à Secretaria de Cultura ou a Secretaria de Comunicação.
Precisamos fazer o debate de fundo, que é a necessidade que temos de democratizar a comunicação e termos emissoras efetivamente públicas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Piada argentina?

- Você sabe por que nos Estados Unidos não há golpes de Estado?

- Claro! É porque lá não há embaixada dos Estados Unidos.

(Esta é muito boa, não? Engraçado, não me lembro de ter ouvido ou lido esta piada no Brasil, aqui em Buenos Aires já li duas vezes).

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pastor é flagrado com garoto à beira da piscina

Achei título e foto no Facebook de André Setaro e resolvi reproduzir. Aliás a página do grande professor e crítico de cinema é hilária.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Policia Federal cerca Moema Gramacho em Ipitanga- Postado pelo Consulado Social

"Não falo com quem não garante as calças que veste"

Até as rampas para pessoas com mobilidade reduzida foram destruídas




Barraca Sol de Ipitanga antes de ser destruída








Cláudio Silva e o dep Rosemberg




















Ironia???????????????






Moema e a vereadora Marta Rodrigues



A prefeita Moema Gramacho é mesmo do balacobaco. Quem esteve hoje (26) de manhã em Ipitanga, acompanhando a operação de derrubada das barracas pelos tratores da prefeitura de Salvador, que nunca colocou um tostão no bairro administrado por Lauro de Freitas, ouviu quando ela deu um chega prá lá no superintendente da Sucom, Cláudio Silva. "Não falo com vc. Não falo com preposto que que não garante as calças que veste. Cadê o prefeito que não está aqui?", bradou e deu as costas.


Ela madrugou na praia liderando mais uma resistência, desta vez para impedir a derrubada de uma barraca, a Sol de Ipitanga, que fica visivelmente fora do limite oficial das duas cidades, portanto salva do litígio. Moema acusava a prefeitura de Salvador de ter rompido um acordo feito na quarta-feira passada, na presença do juiz Carlos D´Ávila (autor da ação de execução da retirada das barracas), de preservar a alvenaria das barracas para não danificar a calçada nem impedir o acesso das pesoas à praia. "Até as rampas para portadores de deficiência foram destruídas. E foi a prefeitura de lauro de Freitas que construiu, com recurso federal", protestou.

Presente em Ipitanga os deputados Rosemberg e Joseildo, a vereadora Marta Rodrigues (de Salvador), vereadores de Lauro, secretários como Ápio Vinagre e Mara Campos, moradores...todos indignados com a destruição dos acessos à praia.


No final, alívio só para o barraqueiro Edmilson, da barraca Sol de Ipitanga, que graças à interferência do governador Wagner junto ao prefeito João Henrique, a pedido de Moema, foi excluído da ordem judicial. "Valeu à pena acreditar nela (Moema) e não desmontar a barraca. Estou aqui há 8 anos", comemorou.


ATT: Reviravolta em Ipitanga. Acabo de receber (às 10h30) a informação de que apesar da decisão de manter a barraca, PF e PM cercaram tudo e mandaram a prefeita sair, começando a retirar os pertences para demolir tudo. "Isso é pior do que a ditadura", reage a prefeita Moema, segundo o amigo e jornalista Rogério Borges, o Marujo. Até spray de pimenta a polícia jogou para dispersar as pessoas que ajudavam a impedir a destruição da barraca. VERGONHA
Jogando Barandão

As mágoas que o destino me pregou
Uou! uou! uou!
O vento vai levar de volta pra quem me mandou
A minha alma voa, meu espírito tem 400 anos
Meu coração navega numa boa. mutcho boa,
Jogando barandão
"Pá culê cajá"
"Vamo nessa já"
"Vamo nessa !"
"Vamo nessa!
Jogando barandão...


Mário Mukeca

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Dinho Oliveira no Abril Musical - Grande Sertão

Foto de Elói Correa



Quem gosta de curtir forró "dos bão", autêntico, tem uma grande oportunidade nesta quinta-feira, dia 28, a partir das 20h30, no restaurante Grande Sertão (Costa Azul). É a apresentação do cantor e compositor baiano Dinho Oliveira, no Projeto Abril Musical.




Além de composições próprias, Dinho inclui no repertório clássicos do cancioneiro nordestino, como os melhores de Gonzagão, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos, e pérolas como Candeeiro Encantado (Lenine/Paulo César Pinheiro), Namorada do Cangaço (César Teixeira) e Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Hyldon).




Em maio Dinho lança Cordeliando o Destino. O couvert custa R$10.

Acorda, Salvador!

Cynara Menezes
Foto: André Fernandes


Com um dos prefeitos mais mal avaliados do País, João Henrique Carneiro, do PP, a cidade da Bahia acaba de ser ultrapassada por Fortaleza, no Ceará, que se tornou a mais visitada pelos turistas nacionais. A informação integra uma pesquisa mundial publicada em março pelo site Hoteis.com, a partir do número de reservas em hotéis e pousadas. Ao que tudo indica, as praias e o centro histórico foram trocados não só por outros destinos na região como por localidades mais aprazíveis no interior do próprio estado.

Além da segurança e da limpeza urbana, preocupações constantes em Salvador, três temas fazem os tranquilos baianos esquentarem a cabeça ultimamente: a sujeira e desorganização da orla marítima, o abandono do centro histórico e o trânsito. Como se fosse pouco, o prefeito teve as contas de 2009 rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Município, com quem trava uma disputa judicial. No início do mês, o prefeito conseguiu uma liminar para anular o parecer do TCM, que o acusa de uma série de irregularidades lesivas aos cofres públicos. Se as contas forem mesmo recusadas, ele se tornará inelegível por oito anos.

Não é, porém, o único imbróglio jurídico a envolver João Henrique. Há exatamente um ano, por determinação judicial, todas as barracas de praia da orla de Salvador foram derrubadas e nada foi posto no lugar. O resultado é que os antigos barraqueiros passaram a ocupar a beira-mar com cadeiras e mesas plásticas em frangalhos, que devem ser colocadas e retiradas diariamente, por ordem da prefeitura. Não existem mais duchas e banheiros públicos nas praias.

Virou uma favela”, reconhece o proprietário de uma das mais antigas barracas da orla, na Praia de Piatã, Nadson Araújo. Há 18 anos, Araújo possuía a maior barraca do pedaço, a Malibu, agora reduzida a dois isopores grandes com cerveja, refrigerante e água de coco. “É para minha família não morrer de fome que me submeto a essa humilhação de ficar tirando e botando cadeira e mesa todo dia”, diz o barraqueiro. “Pagamos financiamento por meio de um banco público, o Desenbanco, para levantar as barracas, em 1985. Não entendo como só depois descobriram que a areia é tombada”, reclama José de Lima Praxedes, outro proprietário.

A última revitalização da orla marítima de Salvador foi feita em 1985, durante o governo João Durval Carneiro, pai do atual prefeito, João Henrique, que em 2007 trocou o PDT pelo PMDB e depois pelo PP. Em 2006, o prefeito anunciou sua intenção de intervir mais uma vez na orla, modernizando as barracas. O novo projeto para a orla foi apresentado à cidade em janeiro do ano passado, mas, antes que pudesse ser iniciado, em abril, uma ação do Ministério Público Federal determinou que todas as barracas teriam de ser retiradas da areia. A prefeitura exime-se da responsabilidade por, após um ano, a situação continuar a mesma.

“Isso depende da Justiça, a prefeitura não pode fazer nada”, afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Habitação de Salvador, Paulo Damasceno. “A única coisa que podemos fazer é fiscalizar para que os barraqueiros tirem as mesas e cadeiras todos os dias.” Na cidade, muita gente concorda que as barracas antigas não tinham mais condições de funcionamento, sujas e deterioradas pelo tempo. Mas, sem elas, ficou pior e, mais grave, não existe solução à vista.

Outro cartão-postal de Salvador, o centro histórico também virou um espanta-turistas. Com algumas ruas do entorno do Pelourinho tomadas por usuários de crack, a região é evitada até mesmo por moradores da capital. Os lojistas reclamam de uma queda de mais de 70% do movimento nos últimos três anos. “De dia ainda vêm algumas pessoas. De noite, todo mundo some”, diz o americano Pardal Roberts, há seis anos proprietário- de uma loja de música no Pelourinho. “Se tiver show, os turistas e o pessoal daqui vão à praça onde estiver acontecendo e depois vão embora. Nos próprios hotéis eles já ouvem o conselho de evitar o Pelourinho, dizem que é perigoso.”

Integrantes da prefeitura, do governo e representantes dos lojistas dizem que o Pelourinho “pegou fama” de local inseguro, onde proliferariam gatunos à espera de uma distração para roubar objetos como câmeras, correntes e relógios. O coronel José Nascimento, responsável pelo policiamento do centro histórico, é elogiado por não dar expediente no gabinete, e, sim, zelar pessoalmente pela segurança dos turistas. “A senhora está há duas horas aqui. Viu alguém ser assaltado?”, pergunta o coronel diante da Igreja de São Francisco, no Terreiro de Jesus. Eram 5 da tarde. Quando a noite cai no Pelourinho, todo mundo sabe, começa o assédio de pedintes aos turistas e as aparições das figuras esquálidas dos viciados em crack, dispostos a tudo.

Segundo o presidente da Associação dos Comerciantes do Centro Histórico (Acopelô), Lenner Cunha, mais de 200 lojas fecharam na região nos últimos sete anos. Cunha se mostra saudoso da época do falecido governador Antonio Carlos Magalhães, quando havia o projeto “Pelourinho Dia e Noite” e o centro histórico vivia seu auge. “Hoje, o governo não tem diagnóstico para a área e a prefeitura vive uma inércia reconhecida por todos”, critica o comerciante. “A Secretaria Estadual de Cultura dá informações imprecisas à Unesco, de que ACM ‘botou todo mundo pra fora’. Mesmo que ele tenha errado, tem de se ver as benesses que houve desde a revitalização.”

O Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), por sua vez, acusa os comerciantes da área de não pagarem pela ocupação dos imóveis desde o início, totalizando uma dívida de quase 8 milhões de reais para com o estado. Nessa queda de braço, a voz mais sensata parece ser a da coordenadora do setor cultural da Unesco no Brasil, Jurema Machado, que atua em conjunto ao governo na busca de uma solução para o centro antigo de Salvador, que compreende não só o Pelourinho. “Não vou demonizar o que foi feito no passado, porque houve o salvamento de uma situação física grave. Mas houve -uma -estratégia de uso incompleta. Não tem gente no Pelourinho porque ele é artificial.”

Jurema Machado compara a revitalização do centro histórico baiano com outras experiências mais bem-sucedidas em capitais da Europa, em que não se visou apenas o turismo, mas o caráter de normalidade das regiões, com moradores inclusive. No Pelourinho, só existe comércio, e mesmo os soteropolitanos não o frequentam no dia a dia, o que seria o ideal. “O morador de Salvador não vai ao Pelourinho para nada. É preciso haver uma estratégia de uso que envolva os setores público e privado. O governo é proprietário de centenas de imóveis na região, alugados exclusivamente para uso comercial e de serviços, o que não confere vitalidade à região”, diz a representante da Unesco. Os comerciantes, a propósito, são contrários à ideia de atrair moradores para o centro antigo.

Você que levou poucos minutos de leitura para chegar da orla ao Pelourinho nesta reportagem, na vida real gastaria ao menos duas horas no trânsito caótico de Salvador para fazer idêntico percurso. Com o tempo recorde de 12 anos sem concluir, o metrô da capital estimula as piadas sobre a célebre lentidão baiana. Atualmente sob fiscalização do Exército, a prefeitura promete concluir o primeiro trecho do metrô, de apenas 7 quilômetros, no fim deste ano. O segundo, garante a prefeitura, será entregue aos soteropolitanos até o fim do mandato de João Henrique, em 2012. No total, o metrô de Salvador terá parcos 12 quilômetros, absolutamente insuficientes, sob qualquer perspectiva, para desafogar o tráfego na capital.

Especialistas questionam ainda o traçado do metrô, que ligará o subúrbio ao terminal da Lapa, trecho onde não há grande fluxo de automóveis. “O metrô vai ligar o nada a lugar nenhum. Não retira carro da rua porque passa por locais onde não tem carro”, desdenha a socióloga Maria Brandão, secretária de Planejamento na administração Lídice da Matta (1992-1996), hoje senadora, de quem também é crítica. “Ninguém até hoje fez uma análise de fluxo em Salvador, o que se tem é uma visão tópica. Resolver o tráfego não é só uma questão de mecânica de cir-culação, de se planejar em cima da planta”, defende a socióloga. “É preciso observar também as questões socioculturais.”

O secretário de Transportes de Salvador, José Mattos, reconhece que o metrô servirá apenas para dar uma “amenizada” no trânsito, mas promete que, até a Copa de 2014, outras soluções serão implementadas. “Em 60 dias apresentaremos projetos para receber recursos do PAC da Mobilidade nas Grandes Cidades”. As ideias vão desde a ampliação de vias à instalação de semáforos “inteligentes” em pontos críticos. A prefeitura decidirá ainda se vai optar pelo modelo de transporte em massa Bus Rapid Transit (BRT) – linhas exclusivas para ônibus – ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Se a obra do metrô for o modelo, Salvador passará mais três Copas do Mundo na lanterninha.


Cynara Menezes
Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital

domingo, 24 de abril de 2011

Paixão de Cristo com sotaque baiano

Jackson Costa: Jesus Cristo com sotaque
Para quem ficou em Salvador, ou já retornou cedo com medo de engarrafamentos na estrada, a boa pedida do Domingo de Páscoa tem tudo a ver com a Bíblia.

Calma, não se trata de missa nem de ter fé ou não. Trata-se do espetáculo A Paixão de Cristo, na Concha Acústica, dirigido por Paulo Dourado, e com Jackson Costa no papel de Cristo, e Regina Dourado, interpretando Maria.

Fui ontem (sábado) levar a filhota e a afilhada e quase não entro porque cheguei em cima da hora e só havia troca de alimento por ingresso (1kg de feijão ou arroz) para hoje. Um carinha me viu desolada com as meninas e me ofereceu os que ele tinha de sobra. Vou repassar adiante os que troquei para hoje.

A Concha estava lotada e atenta. Um público como a gente não tem visto ultimamente, mesclado por jovens crianças, adultos, poucos idosos (devido à dificuldade de acesso para esses, desde á ladeira íngreme demais às escadarias do teatro aberto) classes variadas, gente com fé ou apenas curiosa, ou amante do teatro... enfim, coisa linda de se ver.



Jackson e Regina Dourado arrasam em cena
Liz e Nana vibraram com os efeitos especiais, um atrativo à parte do espetáculo, muito legal mesmo. Ficaram deslumbradas, com os olhinhos vidrados especialmente nas cenas de maior impacto, destacadas pelo som, iluminação e outros artífícios, como a subida de Jesus ao céu depois da ressurreição. 

 Amei a atuação de Jackson. Mas o curioso é o sotaque fortíssimo do ator, que dá até pra gente dizer: Cristo é baiano. Regina Dourado, nem precisa dizer, faz uma Maria densa, sensível, maravilhosa. A cenografia de Zuarte Júnior e Fritz é impecável. O som também merece destaque, com os atores utilizando microfones que garantem excelente audição.

Dou cinco estrelas.



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Barracas de Ipitanga estão sendo DESMONTADAS




Agora é pra valer: as barracas que restam em Ipitanga estão sendo desmontadas. Isto mesmo, des-mon-ta-das (como a Rainha do Mar, da figuraça Ana, na foto acima). Muito diferente de destruídas, como aconteceu em Salvador.




E o "barracódromo" já está sendo concluído em um terreno em frente à praia, que funcionava como estacionamento, cedido por um empresário e preparado pela prefeitura de Lauro de Freitas para abrigar as barracas, provisoriamente, enquanto o projeto definitivo de valorização da orla estiver em implantação. Não é o ideal, mas é uma alternativa para barraqueiros e trabalhadores.


E nós, frequentadores, vamos fazer o possível para tornar aquele lugar viável e agradável, preservando os empregos gerados pela atividade. Mesmo que não dê para curtir a barraca como antes, podemos dizer que temos uma opção e dar um voto de confiança à prefeita Moema Gramacho, que por três vezes conseguiu adiar a derrubada das barracas.


Frutificar (Mú) ensaio no Rio

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Luiza

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

A religião e seus desmandos

Após tragédias como a que aconteceu no Rio de Janeiro, é aberto o espaço para os mais variados debates e temas polêmicos. Pois bem, vou aproveitar a deixa para também levantar mais um que a muito me incomoda: A Moral Religiosa.

A exemplo do louco assassino que deixa claro na sua carta de despedida que as suas motivações para praticar o genocídio teria relação com sua “pseudofilosofia” cristã- O fanatismo religioso, intrépido em sua irracionalidade, toma a dianteira, às vezes na pele mais exposta e explícita dos homens bomba, ou às vezes no mais piedoso descaso pela pandemia da Aids (os bispos da África são os mais ardorosos oponentes do uso de preservativos), é oportuno lembrar que essa filosofia, ou melhor essa moral é construída e embasada dentro de uma série de distorções históricas, muitas delas em função de interesses práticos e particulares que nada tem haver com a fé em si (principalmente as relacionadas com as instituições religiosas), ou seja as religiões são feitas e refeitas e principalmente desfiguradas durante todo o percurso da história.

A moral religiosa serve como pano de fundo para as maiores atrocidades, seu sectarismo e ódios atávicos, em nome da fé, são o gatilho das maiores barbáries histórica. Ela é a causa desde as precoces lavagens cerebrais da população pobre do Afeganistão, como da pretensa volta à pureza doutrinária emanada da infalibilidade papal, que é encarnada no purismo aperfeiçoado recentemente com os novos pecados capitais e um compungido apelo às raízes que não é senão pura indisposição ao diálogo e substantiva inclinação ao ressentimento retrógrado.

 Nunca se matou tanto como por e em nome de Deus. Desde as sanguinárias guerras religiosas das Cruzadas, passando pela Santa Inquisição, até os tempos atuais dos “onzes de setembros” e afins.

Mas quero me ater à necessidade de se ter cuidado ao incitar uma filosofia, a exemplo da cristã, para que ela não seja “distorcida” em prol de interesses que nada tem haver com seu propósito, ou até mesmo de criar adoradores fanáticos que chegam aos extremos em nome da sua fé.

 O avanço do fundamentalismo religioso, que intoxica o mundo de modo tão ecumênico, infiltrando-se em todos os cantos do planeta, traz a tona à necessidade de um poder maior, ou regulador, que tenha como base filosófica somente a racionalidade, para que possa manter o controle dos absurdos promovidos por essa moral religiosa. Foi nessa intenção que na Constituição de 88 foi proclamada a natureza laica do Estado.

Há algum tempo vem surgindo movimentos contrário a essa premissa constitucional. Esse que é o oposto do movimento iluminista do séc. XVIII, no qual o racionalismo era a bola da vez, contraria as normas de neutralidade religiosa dentro das instituições políticas progredindo a cada minuto.

Com o crescimento no Congresso federal e nas assembleias legislativas das bancadas religiosas, tais como as evangélicas e católicas, decisões importantes para o país que deveriam está pautadas somente na razão, terá todo o aparato religioso as influenciando.

É a volta do absolutismo em certa medida, só que agora não a força da instituição que toma o poder, é algo mais voraz e difícil de remover, a força de uma moral e de uma ideologia secular entranhada no poder público.

Diante desta inquietação,  recorro à genial obviedade do prêmio Nobel de Física Steven Weinberg:

“Gente boa costuma fazer o bem, gente má, comete más ações, mas para que se consiga que pessoas de bem pratiquem atrocidades, só em nome da religião”.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Charge do Borega

Publicada no site Bahia Notícias

segunda-feira, 18 de abril de 2011

NO CASTELO DE CARAS

Euzinha-Gucci;            Rosinha- Prada;                Simoa-Dolce & Gabana; 

“A Paixão de Cristo”, com Jackson Costa e Regina Dourado em Cartaz na Concha Acústica do Teatro Castro Alves

Uma superprodução teatral patrocinada pelo Projeto Vivo EnCena,  o espetáculo “A Paixão de Cristo” será apresentado na Semana Santa, de 22 a 25 de abril, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, às 18h30. Sob a direção geral de Paulo Dourado, estarão no palco nada menos que 50 atores e figurantes, além de um coro de 300 vozes regido pelo maestro Dilton César. No elenco, grandes nomes do teatro baiano: Jackson Costa, no papel de Jesus Cristo, Regina Dourado, como Maria, a mãe de Jesus, Andrea Elia, como Maria Madalena, e ainda Marcelo Praddo, Luiz Pepeu, Urias Lima e Carlos Betão, entre outros artistas. Os ingressos serão trocados por 1 kg de feijão ou arroz para o programa Fome Zero, na bilheteria do TCA. Para os quatro dias de  apresentação é esperado um público de 20 mil pessoas. No dia 21, quinta-feira, acontece o Ensaio Aberto, às 18h30.
 

domingo, 17 de abril de 2011

No Mês da Dança, minha dançarina de volta

No Mês da Dança, o presente é meu: minha dançarina Clara volta do Rio, nesta segunda-feira (18), para tomar posse como professora de dança, concursada, da prefeitura de Salvador. Estou vibrando, porque sempre desejei vê-la exercendo a grande paixão da sua vida, a dança, e não funções burocráticas que nada têm a ver com ela.


El nuevo Libertador!

Ontem, sábado, dia 16, vinha eu nas minhas “largas” caminhadas pela charmosa Buenos Aires. Parei junto a um rapaz na compridíssima Rua Rivadavia, na beira de um parque (aqui é parque pra todo lado).
- É o parque Centenário?
- Não, aqui é o Rivadavia, o Centenário fica a umas 10 quadras.
- E aquele monumento ali, a Simón Bolivar... - retomei eu (quando o interlocutor se mostra receptivo, sempre espicho o papo).
- É o Libertador da Colômbia, do Equador... - disse o rapaz.
- Da Venezuela também - emendei, acrescentando: “Em Caracas tem estátua de Bolivar em quase todas as praças”.
- Ah, aqui é San Martín – falou, arrematando: “Ustedes, daqui a 100 anos, vão ter estátua de Lula em todas as praças”.
- É verdade, é verdade – disse eu me despedindo e pensando: “Que me desculpe, Tiradentes, e vpp D.Pedro, será um Libertador conciliador, pra fazer jus à tradição da História brasileira”.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Onde seria o sertão de Jerônimo, o Herói do Sertão?

O Jerônimo da novela da TV: o da novela do rádio
dependia de nossa imaginação.
Eu nunca perguntei ou me perguntei explicitamente onde seria, como seria o tal do sertão do nosso destemido e invencível herói. O pa-ta-ta... pa-ta-ta... dos cascos dos cavalos, manejado pelo contra-regra no estúdio da Rádio Nacional, levava aquele grupo de garotos ao pé do rádio de Seo Adelino, na década de 50, a paragens indizíveis, só imaginadas. Eu sei que havia mato, aquele mato meio raquítico do semi-árido nordestino, muita poeira, ah! isso aí era bem nítido, bem acentuado, levantava aquele poeirão dos diabos quando os dois intrépidos cavaleiros disparavam na perseguição tenaz aos maus, aos bandidos impiedosos. Um branco, bonitão, alto, forte, o outro um negrinho pequeno e engraçado, o justiceiro e seu “inseparável” companheiro, Jerônimo e Moleque Saci.
Poderia ser uma cidadezinha como Seabra, lá na Chapada Diamantina, nos diziam que por aquelas bandas começava o sertão baiano. Mas Seabra, apesar de não ter luz elétrica, já tinha muitas ruas calçadas com paralelepípedo (que palavra!), não parecia muito apropriada para correrias de cavalo. Certamente seria lá pros arrebaldes, pois não era por ali que começava o sertão?
De qualquer jeito, a gente brincava com os amigos, com os primos, o mais atirado fazia o papel de Jerônimo, um outro era o bandido mais valente da novela atual. Os dois lutavam, eram “brigas” de fazer de conta pra ver quem derrubava quem.
Uma vez, de noite, numa “encenação” dessa com meu primo Jorge, subi num pé de figo (é esse mesmo o nome, de figueira?) pra me esconder (era num jardim defronte de minha casa, um jardim bastante afamado. Os jovens seabrenses que estudavam no Colégio Ponte Nova - onde hoje é a cidade de Wagner -, de uns presbiterianos norte-americanos da Fundação Baker, a mesma do Colégio 2 de Julho, de Salvador, diziam que o jardim parecia os jardins suspensos da Babilônia. Viu aí? Fui longe desta vez. Eram por assim dizer os intelectuais da terra, de férias, logo voltariam pra estudar. Eu morria de inveja deles, ainda mais que no colégio “dos americanos” havia um time de futebol dos mais badalados da região, e eu era bom de bola, o que atesta o apelido de Diabo Louro, criado pelo famoso locutor do serviço de alto-falante local, Robério, que narrava o jogo imitando os locutores da Rádio Globo do Rio de Janeiro, até os patrocinadores, Gillette!!!!, estalava enfático durante a narração).
E voltando à conversa que adiante ia, subi no pé de figo pra me esconder, escorreguei e caí. No dia seguinte, me levantei e minha mãe Nenen, assim em torno de mim, parecendo meio vexada, e olhei no espelho e minha cara estava toda cheia de manchas vermelhas. Não era sangue, era mercúrio cromo, daquele vermelhão que se usava antigamente. E fui me inteirar dos sucedidos da noite passada, tinha apagado total, nem da queda eu me recordava. E não sei como foi, ninguém viu, me acharam “morto” debaixo do pé de figo?
Podemos concluir que foi uma queda feia. Chamaram logo Sea Donana, que fazia as vezes de médica/enfermeira e etc e ela tomou as devidas providências. Me recuperei logo, acho que não ficou seqüela alguma. Dizem que minha mãe dizia: “Que menino corajoso, não se queixa, não reclama nada, não grita, não chora!”, quando Sea Donana aplicava o mercúrio cromo e as compressas quentes na minha cara estragada. E eu inconsciente, fora de mim, “desmaiado”, não estava sentindo nada, só sei disso porque me falaram no dia seguinte. Mas deve ter ficado a fama: “Que menino corajoso!”.
Não havia médico em Seabra, Sea Donana (por sinal, mãe do famoso Robério, locutor de futebol e da Gillette!!!!) dava conta do recado, sabe lá Deus como! Sea Donana que Alceu Correia Guedes e Gonçalves chamava Dona Donana, um nome extraordinário, era Ana, virou Dona Ana, depois Donana, depois Sea Donana, e agora vinha esse cara de fora, pernambucano, jovem, bonito, rico (pra nós era rico, era coletor federal, hoje seria auditor), com o modernoso Dona Donana. Me mandou uma vez, eu menino, dar um recado a “Dona Donana”, fiquei impressionado.
Bem, me desculpem, viajei. Será que Alceu curtia Jerônimo, o Herói do Sertão? Isto não sei, só sei que a dona do Pilha Pura vai se retar porque o texto está muito além do padrão do blog. Me desculpe, companheira. Prometo me conter na próxima.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cavalo paciente

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El declamador

O Pilha Pura  também é cultura. Revelando o lado artisitco dos companheiros jornalistas  exibe com exclusividade  Jorginho Ramos, "el declamador", interpretando o poema de Manoel Bandeira" Vou-me embora prá Pasárgada".Imperdível.

E a cervejinha, não vai rolar?

Carmela publicou no blog do Rio Vermelho - A voz do bairro

Matéria publicada hoje no jornal A Tarde sobre a acampamento de mais de três mil sem-terra no Centro Administrativo onde ocuparam a Secretaria de Agricultura, informa que o governo mandou instalar mais de 30 banheiros para garantir mais conforto aos militantes do MST e forneceu carne para incrementar o feijão com arroz da galera que promete ficar no local por tempo indeterminado. Um dos lideres do movimento considerou normal o governo fornecer carne para os trabalhadores. Para completar a acolhida só falta mesmo a cervejinha.

Bom, se rolar avisem porque a gente pode fazer uma visitinha pros companheiros no final do expediente (rsrs)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Show de Hugo Luna dá continuidade à Caravana de Humor

Com 50 anos de carreira, o próximo convidado da Caravana de Humor e Perfomance é o showman, também conhecido como A Luz do Forró: Hugo Luna. O forrozeiro se apresentará pelo projeto que faz parte da agenda do Pelourinho Cultural, programa do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba), no dia 16 de abril (sábado), no Largo Pedro Archanjo, às 20h, com entrada gratuita.

Viagra e similares lideram vendas de medicamentos

Falando com o marido no msn

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

No Parque da Memória com Lina Lordello

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De Buenos Aires, Argentina - Visita ao Parque da Memória, vizinho à Cidade Universitária, no bairro de Núñez, onde estão gravados em vários murais milhares de nomes de desaparecidos (assassinados) políticos pela última ditadura argentina (1976-1983), período do "terrorismo de Estado". (Faltou mencionar no áudio que Lina é amiga da nossa pilheira Simoa).

sábado, 9 de abril de 2011

Pirombeira faz o som de Zilda

Sábado (16/04), tem Pirombeira em São Lázaro.

SOM DE ZILDA from Luan Ferraz on Vimeo.

"Pé na Estrada" (Borega/...) com Grupo Pirombeira: Rafael Galeffi - teclado; Ian Cardoso - guitarra; Gabriel Arruti - baixo; Caio Rubens (Rubão) - bateria; João Gilberto - violão.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pra não dizer que não falei de Jerônimo e Chumbinho... “apresente seu relatório!”

A decepção do gibi, a história em
quadrinhos... acho que funcionava
pra nós a magia do rádio, os voos
da imaginação a partir da voz e
sons da radionovela.
Não, Joaninha, “Jerônimo, o Herói do Sertão”, não era uma série, pelo menos do jeito que entendo. Era uma novela, radionovela, com uma história, um enredo, em vários capítulos, das 18:30 às 19 horas, na Rádio Nacional (o autor, ainda me lembrava do nome, mas confirmei na Internet, era Moysés Weltman), como nas novelas de TV hoje.
Só que em todas as histórias, as novas novelas que se seguiam, tinham sempre os mesmos heróis, Jerônimo e seu “companheiro (ou era amigo?) inseparável”, Moleque Saci, o estereótipo antigo do negrinho gente boa, valente e engraçado como ele só. Cada história era diferente, em vários capítulos, os personagens (ou as personagens, como querem alguns) eram outros, os bandidos eram outros (somente o Caveira e Chumbinho foram repetidos em três novelas, se não me trai a velhaca da memória, como dizia o saudoso professor Raul Sá. Uma delas se chamou “A volta do Caveira”, ah! que expectativa!, que ansiedade!, a gente já conhecia o personagem, aquele mesmo bordão, aquela voz com aquele timbre metálico, arrepiante: “Chumbinho, apresente seu relatório!” Era o Caveira, o chefe misteriosa que Jerônimo no final desmascarava, no maior suspense, anunciando finalmente a sua identidade, um dos membros da comunidade onde se desenrolava a aventura, ninguém suspeitava, logo ele, Fulano de Tal. Chumbinho era o lugar-tenente do Caveira. Aí, Chumbinho, que voltava de alguma missão a mandado do chefe, missão má, ilegal, traiçoeira, injusta, contra pessoas boas, respeitáveis cidadãos, obviamente, e Chumbinho, invariavelmente, respondia gaguejando: “Oh Caveira... ia tudo bem, Caveira, nós chegamos lá... mas aí apareceu Jerônimo e Moleque Saci, Caveira... E Caveira exclamava um sonoro “Idiota!!!!” e repetia “Idiota!!!!”. A gente vibrava).
Jerônimo, com Saci, estava lá, em todas as histórias/aventuras, firme e forte, defensor dos fracos e dos injustiçados, “pelos fracos a lutar sem temer”, parece que era assim sua música, é provável que tenha toda ela na memória – “Filho de Maria Homem nasceu...” – para felicidade de um grupo de garotos na faixa dos 9/10 anos que se reuniam ao redor do rádio de “seo” Adelino (meu pai), daqueles grandões, moderníssimos, com olho mágico, movido à bateria (não havia luz elétrica), isto lá em Seabra, Chapada Diamantina, no coração da Bahia, década de 50 do século passado (viu Carmelita?).
Uma vez, naquele suspense, naquela ansiedade, a bateria esgotou... e um de nós chorou... Ah, tem coisa demais pra recordar, tem o choro aí, tem a decepção com o gibi de Jerônimo, com a novela da TV, tem passagens que a gente pensa que é coisa antiga, do arco da velha, e descobre elas se repetirem em modernas e caras produções hollywoodianas, tem a eterna noiva Aninha, tem a caretice do herói (a caretice descobri muitos anos depois, depois que fiquei “sabido”).
É coisa demais, vamos dividir em capítulos, este é o primeiro, em homenagem à trilogia em vídeos de Biaggio/dra. Helenita.  

sábado, 2 de abril de 2011

Mais uma Baêa



Eu sabia que nossa pilheira Talento era Baêa de coração. Precisavam ver como ela vibrava torcendo pelo tricolor de aço. Além da bandeira, vejam o detalhe da sandália do Baêa na foto menor.

Viu, Dani? Ipitanga opera milagres


Foi um luxo, Carmelinha, passar uma tarde com você na MINHA praia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A solidão dos mortos


Jadson em mais uma de suas grandes interpretações auxiliado pela companheira Deta.

Aos amantes da genebra (só conheço um)

Pois é, só conheço o velho companheiro Sinval, lá no bar do nosso Bahia (eu também dava umas bicadinhas). Topei aqui em Buenos Aires com a "ginebra" (pronuncia-se "rinebra"). Taí na foto, no La Niña de Oro, um de meus pontos prediletos no meu bairro, Palermo (ao lado de meus óculos, aqueles ex-escuros, de tão velho, clareou, e do garçon Willy). Cor amarelada, sabor parecido com o da nossa genebra, dizem que é feita de milho. A marca mais conhecida é Bols, segundo consta no rótulo, fabricada desde 1575. É uma bebida popular por aqui. Os portenhos a bebem (usam o verbo "chupar" no lugar de beber, tomar) com gelo, ou com soda, ou com coca-cola. O pessoal do El Rápido, meu barzito predileto, disse que a "ginebra" só perde na preferência de sua clientela para o vinho e a cerveja. Empata com um tal de "fernet", de cor e gosto parecidos com nossa jurubeba.

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