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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A religião e seus desmandos

Após tragédias como a que aconteceu no Rio de Janeiro, é aberto o espaço para os mais variados debates e temas polêmicos. Pois bem, vou aproveitar a deixa para também levantar mais um que a muito me incomoda: A Moral Religiosa.

A exemplo do louco assassino que deixa claro na sua carta de despedida que as suas motivações para praticar o genocídio teria relação com sua “pseudofilosofia” cristã- O fanatismo religioso, intrépido em sua irracionalidade, toma a dianteira, às vezes na pele mais exposta e explícita dos homens bomba, ou às vezes no mais piedoso descaso pela pandemia da Aids (os bispos da África são os mais ardorosos oponentes do uso de preservativos), é oportuno lembrar que essa filosofia, ou melhor essa moral é construída e embasada dentro de uma série de distorções históricas, muitas delas em função de interesses práticos e particulares que nada tem haver com a fé em si (principalmente as relacionadas com as instituições religiosas), ou seja as religiões são feitas e refeitas e principalmente desfiguradas durante todo o percurso da história.

A moral religiosa serve como pano de fundo para as maiores atrocidades, seu sectarismo e ódios atávicos, em nome da fé, são o gatilho das maiores barbáries histórica. Ela é a causa desde as precoces lavagens cerebrais da população pobre do Afeganistão, como da pretensa volta à pureza doutrinária emanada da infalibilidade papal, que é encarnada no purismo aperfeiçoado recentemente com os novos pecados capitais e um compungido apelo às raízes que não é senão pura indisposição ao diálogo e substantiva inclinação ao ressentimento retrógrado.

 Nunca se matou tanto como por e em nome de Deus. Desde as sanguinárias guerras religiosas das Cruzadas, passando pela Santa Inquisição, até os tempos atuais dos “onzes de setembros” e afins.

Mas quero me ater à necessidade de se ter cuidado ao incitar uma filosofia, a exemplo da cristã, para que ela não seja “distorcida” em prol de interesses que nada tem haver com seu propósito, ou até mesmo de criar adoradores fanáticos que chegam aos extremos em nome da sua fé.

 O avanço do fundamentalismo religioso, que intoxica o mundo de modo tão ecumênico, infiltrando-se em todos os cantos do planeta, traz a tona à necessidade de um poder maior, ou regulador, que tenha como base filosófica somente a racionalidade, para que possa manter o controle dos absurdos promovidos por essa moral religiosa. Foi nessa intenção que na Constituição de 88 foi proclamada a natureza laica do Estado.

Há algum tempo vem surgindo movimentos contrário a essa premissa constitucional. Esse que é o oposto do movimento iluminista do séc. XVIII, no qual o racionalismo era a bola da vez, contraria as normas de neutralidade religiosa dentro das instituições políticas progredindo a cada minuto.

Com o crescimento no Congresso federal e nas assembleias legislativas das bancadas religiosas, tais como as evangélicas e católicas, decisões importantes para o país que deveriam está pautadas somente na razão, terá todo o aparato religioso as influenciando.

É a volta do absolutismo em certa medida, só que agora não a força da instituição que toma o poder, é algo mais voraz e difícil de remover, a força de uma moral e de uma ideologia secular entranhada no poder público.

Diante desta inquietação,  recorro à genial obviedade do prêmio Nobel de Física Steven Weinberg:

“Gente boa costuma fazer o bem, gente má, comete más ações, mas para que se consiga que pessoas de bem pratiquem atrocidades, só em nome da religião”.

3 comentários:

Joana D'Arck disse...

Acho um grande equívoco, para não dizer um retrocesso, essa história de formação de bancadas parlamentares religiosas.

cida disse...

Certamente o texto apresenta uma reflexão explicita ao assombro de uma tendência que já esta implantada na sociedade amuito tempo, a de matar em nome de algo, mas esse algo não está apenas fundamentado na base da religião com seus diversos segmentos religioso/filosóficos, mas dentro de diversas estruturas de poder.
E em relação a apropriação dos espaços das bancadas legislativas não está apenas voltada aos "caciques políticos/religiosas" no intuito de utilizá-la como ferramenta para a ampliação e manutenção do poder de uns poucos em detrimento a um grande grupo de pessoas que ainda estão a margem do acesso a politica públicas em sua plenitude, mas devemos ter a clareza que a religião é também uma ferramenta de poder na mão de grupos marginalizados, que obtiveram espaços através de conquistas coletivas angariado por sua organização religiosas, pode-se exemplificar o avanço no semiárido brasileiro ao acesso a serviços públicos básico como água e energia que só foram adquiridos a partir de uma organizaçao popular envolta a comunidades de base, mas isso é o ideal? Claro que não é. è para muitos apenas uma migalha.
O povo tem direito a mais, e com mais qualidade e acesso pleno, aí que não só os grupos religiosos que detém o poder, mas grupos diversos (pequenos grupos) com grande poder massacra a grande população oferecendo acesso minimo da gestão pública na intenção de quem tem o poder, tem sempre o comando/controle da política.
Temos que ter clareza que os fanáticos são levados a ser fanáticos seja por uma tendência religiosa, política, ideológica ou simplesmente delirio do poder.

Simoa Borba disse...

Muito bom Cida. A relação Poder x Religião tem muito pano pra manga, e seu comentário prova isso. Abraço.

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