Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sinval: olhaí o ginebra!

Olhaí companheiro, demorei, mas encontrei num bar de Montalbán, meu bairro caraquenho. A marca é Gordon's, a nossa velha e querida genebra, ou "ginebra". Salud!

Vem aí A Cor do Som na Concha Acústica

Beleza pura! A gente vai ter a oportunidade de rever a  banda A Cor do Som, na sua composição originail, e curtir os maiores sucessos no show  que será realizado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), no dia 14 de outubro.
Com  os músicos Armandinho, Dadi, Mú Carvalho, Gustavo e Ary Dias, A Cor do Som vai matar a saudade de quem curtiu sucessos como Menino Deus, Zanzibar e a própria Beleza pura.
 
 O show terá início às 18h30, sendo que a  banda Os Romeus fará a abertura.

Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) e começam a ser vendidos na quinta-feira (27) na bilheteria do TCA e nos postos do teatro no SAC do shopping Barra e do Iguatemi.
Serviço
Show: A Cor do Som, com abertura de Os Romeus
Data: 14 de outubro (domingo)
Horário: 18h30
Local: Concha Acústica do TCA
Classificação: 15 anos
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia);
Vendas no TCA e postos do SAC no shopping Barra e Iguatemi

Fonte: G1

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O que será da blogosfera sem o Serra?



Deu no blog do Azenha ( Viomundo)

Depois da farsa da bolinha de papel que quase o "matou" na campanha para presidente, quando foi derrotado por Dilma, o tucano José Serra parte para outra bolada agora, na campanha para prefeito de São Paulo.

domingo, 23 de setembro de 2012

ACM Neto é hostilizado na periferia de Salvador (vídeo)

Publicado em 17/09/2012 por

ACM Neto, candidato do DEM, foi expulso a ponta pés da cidade de plástico. Salvador não te quer, ACM Neto! Vai ser hostilizado em cada casa humilde de nossa cidade. Volta para a riqueza e a tua vida de neto do malvadeza.
 

O Caderno de Maya - Isabel Allende inova com livro sobre adolescente


O Pilha também é cultura. E aqui vai uma dica sobre um livro escolhido pela pilhinha Ana Carolina, que acabei lendo.  "O Caderno de Maya", de Isabel Allende, tem um pouco de tudo: história, sexo, drogas, mistério, paixão, e outras coisas mais. Além disso, é atual.

Este livro me emocionou especialmente pelo amor de Maya pelo avô e pelos detalhes da sofrida vida da adolescente no submundo das drogas. Veja resumo publica na Folha:

“O texto sempre charmoso de Isabel Allende é um convite à boa leitura. Boa parte de seus livros cruza o tempo e visita passados, reconstrói lembranças e inventa impressões.

A autora renova sua prosa e volta seus olhos para o atual (com um pé atrás, claro), e explora com muito cuidado a vida da garota do título, uma norte-americana de apenas 19 anos que fugiu de sua terra natal e encontrou refúgio em uma ilha da costa chilena.

 O motivo de encontrar-se em outro lugar é para esquecer ou superar seu passado recente (uma ilha, só, rodeada por ondas que vão e vem), quando esteve envolvida com crimes, drogas e prostituição. Não se sabe, ao certo, onde termina um problema e começa outro. Estão todos juntos, ainda mais quando outras tantas pessoas estão envolvidas nesse triângulo sedutor e mortal.

 O passado se mantém vivo. A carne sente ou é apenas a imaginação que o torna real? Alucinação, incerteza, futuro.

 Apesar de prosear com novas possibilidades, Allende faz ela mesmo uma volta ao passado, não deixando passar a oportunidade de relembrar os eventos da ditadura de Pinochet e os fantasmas inscritos nela e no povo chileno.

 "O Caderno de Maya" traz anotações e pensamentos, seja da personagem ou da autora, e pouco importa essa informação, desde que a mensagem final seja entregue”.

sábado, 22 de setembro de 2012

"Somos pobres e somos muitos..." (nas ruas de Caracas 1)

De Caracas - "Somos pobres e somos muitos..." discursava uma mulher no meio da multidão que cercou o Palácio Miraflores, sede do governo, para resgatar Hugo Chávez no contra-golpe popular do dia 13 de abril de 2002 (o presidente tinha sido sequestrado dois dias antes pelos golpistas, a direita e o imperialismo festejavam pelo mundo afora a derrubada do "tirano"). Chávez voltando ao Miraflores nos braços do seu povo. Já assisti a este documentário bem uma dezena de vezes desde que aqui estive pela primeira vez em 2008 (de março a maio), peguei inclusive os eventos marcando o sexto aniversário do golpe.


A tal mulher no documentário, com cara e jeito de gente pobre, é sempre uma emoção renovada, toda vez que vejo me bate forte. Há umas duas semanas vi novamente, numa sexta-feira à noite, nas imediações da Praça Simón Bolívar, miolo da capital. Uma pequena aglomeração diante de três televisores (a foto acima), mais uma das inúmeras - muitas vezes simultâneas - promoções da campanha eleitoral pró Chávez (eleição em 7 de outubro), tocadas pelo chamado Comando Carabobo (nome de uma batalha vencida por Bolívar durante a guerra de libertação no início do século 19) e pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e mais de uma dezena de partidos aliados (inclusive o antigo Partido Comunista da Venezuela, PCV, aqui apelidado de "Gallo Rojo" - Galo Vermelho).
Topei com a exibição do documentário a uma quadra e meia, ao deixar outra pequena manifestação, um pouco mais abaixo, junto ao prédio da Assembleia Nacional (equivalente ao nosso Congresso Nacional, com a particularidade de que aqui não há Senado, apenas o que equivale à nossa Câmara dos Deputados, com 165 "diputados": 98 pró Chávez e 67 contra).

São estas duas fotos aí. Era um grupo musical que estava tocando reggae, cantaram músicas revolucionárias, algumas cubanas ("...tu querida presencia, comandante Che Guevara..."). Essa figura aí olhando para o palco e apontando para o boneco de Chávez, estava se mexendo ao ritmo da música (aqui não falta gente "bailando" em tais manifestações), me explicou uns detalhes do reggae, da salsa, do merengue (o mais popular aqui), ou seja, dos ritmos caribenhos, na verdade não entendi quase nada (definitivamente música não é o meu forte, me desculpem amigos baianos como Militão, Paulo Bina, Borega, Araken, Wilson Aragão, Rui Santana...).


Seu nome é Armando Torres, uns 40/50 anos, de profissão carpinteiro, chavista roxo, morador de bairro popular (Paróquia de Sucre, município de Libertador, Caracas), é ligado em música, disse que já esteve em Cuba treinando a percussão, aí aproveitei pra dizer "ah, Cuba é considerada a Meca da percussão", ele concordou mostrando contentamento (quando converso sobre assunto que não entendo bem, aproveito pra mencionar alguma coisinha que li ou ouvi a respeito).


Mas a história do simpático Armando é mais longa: me contou que estuda Comunicação, quinto semestre, na Universidade Bolivariana, inclusive trabalhou num documentário para Catia TV. Catia (pronuncia-se como se tivesse acento no primeiro "a" no nosso português) é outro bairro popular aqui da capital muito populoso, Chávez esteve fazendo comício lá na segunda-feira, dia 17. Trata-se de uma emissora de TV comunitária, de atuação muito reconhecida por aqui, já ouvi algumas referências elogiosas partidas de chavistas.


(Botei o número 1 acima no título, como sendo uma série. Tenho um bocado de fotos de minhas andanças pela cidade, a maioria coisas de política, que terminam sem aproveitamento no blog. Vamos ver).

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Vidente diz prever o futuro analisando o bumbum

A vidente americana Jacqueline Stallone promete descobrir seu passado e prever seu futuro analisando seu bumbum. Por mais que pareça estranha, a técnica, chamada rumpologia, era praticada na antiga Babilônia, Índia, Grécia e Roma.
A rumpologia, também chamada de "leitura de bunda", analisa as linhas, fendas, cavidades e dobras das nádegas do indivíduo. A partir daí, Jacqueline diz que pode compreender os acontecimentos do passado e até desvendar o que o futuro reserva.

Segundo o site da vidente de Santa Mônica, na Califórnia, "as impressões são altamente individuais e não há duas pessoas que compartilham as mesmas marcas nas nádegas". A técnica diz que na nádega direita é possível ver o passado e na esquerda, o futuro.( informação do portal Terra Esotérico)

II Encontro de Cantadores reúne grandes nomes da música brasileira no Pelourinho



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Entre os dias 20 e 23 de setembro, a música e a poesia de diversos estados do país tomam conta do Pelourinho. A segunda edição do Encontro de Cantadores apresenta gratuitamente grandes nomes da música brasileira, como Maciel Melo, Juraildes da Cruz, Socorro Lira, Paulo Matricó, 4 Cabeça, Flávia Wenceslau, Raimundo Sodré, Xangai e mais uma dezena de artistas, transformando o Largo Pedro Arcanjo no centro da cultura popular nordestina.
Confira a programação.
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20/09 (quinta-feira) às 20h
Grupo Sertanília – BA
Celo Costa – BA
João Sereno – BA
Xangai – BA
21/09 (sexta-feira) às 20h
Dinho Oliveira – BA
Flavia Wenceslau – PB
Grupo 4 Cabeça – RJ
22/09 (sábado) às 20h
Carlos Vilela – BA
Maviael Melo – PE
Alisson Menezes – BA
Socorro Lira – PB
23/09 (domingo) às 17h
Paulo Matricó – DF
Raimundo Sodré – BA
Verlando Gomes – BA
Maciel Melo – PE
Juraildes da Cruz – TO
Quando: de 20 a 22/09, às 20h e dia 23/09, às 17h
Onde: Largo Pedro Arcanjo – Pelourinho
Quanto: Entrada Franca

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Patriota, cristão, depravado e homofóbico



Grant Storms (foto), o reverendo estadunidense conhecido como “o patriota cristão” por suas iniciativas contra os homossexuais, foi condenado por obscenidade em público após haver sido surpreendido masturbando-se num parque de Nova Orleans, perto da zona de lazer para crianças, informou o New Orleans Times-Picayune. O pastor homofóbico, de 55 anos, foi sentenciado a três anos de liberdade vigiada após confessar que masturbar-se em público era para ele “uma emoção” e que o dia em que foi preso era o terceiro numa semana que ele se masturbava no parque.

(Notinha da capa do jornal argentino Página/12, de 24/08/2012)

domingo, 16 de setembro de 2012

Quando eu crescer quero ser analista político

A foto aí é do "comício da virada" de Pellegrino em Salvador na sexta, dia 14 (peguei no portal Vermelho, acho que é de A Tarde Online, vi lá com matéria do nosso grande companheiro Biaggio Talento). Aparecem Lídice (creio que é ela), o candidato, Lula, Wagner, Olívia (dá pra reconhecer também Leonelli, pelo pedacinho da cara quase totalmente encoberta pelo novo "cabeça branca").

Pela matéria de Biaggio, nosso Lula continua brilhante. Será que é "da virada" mesmo? Pellegrino deu um salto ultimamente numa pesquisa dessa aí, de 6 a 17 pontos, mas tá pela metade de ACM Neto. Ainda.

Ainda porque continuo acreditando que esta eleição é de Pellegrino, conforme meu palpite de muito antes. Palpite, chute, porque não consigo entender cabeça/coração de eleitor. De qualquer forma, gosto de torcer e checar meus palpites. Pelo menos um até agora parece que acertei: achei desde muito antes que Mário Kertész não ia pra canto nenhum, seu tempo já tinha passado. Aliás, achei que ele nem aceitaria ser candidato, por causa da idade e por considerá-lo muito sabido, não ia entrar numa errada dessa.

Bem, tentei colar aqui (não consegui) o vídeo da "luta" entre Lula e o grampinho, que tinha ameaçado dar uma surra no então presidente. Está engraçado. Boto aqui o link.

domingo, 9 de setembro de 2012

Imagens turísticas de 15 países

É uma Feira de Turismo que está acontecendo aqui em Caracas com a participação de 15 países. Tirei fotos das fotos turísticas e exibo uma seleção aqui. Começo por Bolívia por causa do comandante Che Guevara: "La ruta del Che": "Tu ejemplo alumbra (ilumina) el nuevo amanecer". Vou postar as de cada país juntas. A maioria tem claramente o nome do país, mas acho que dá para identificar mesmo sem explicitar o nome. A da China, por exemplo, está com aquela "caligrafia" inconfundível. As da Venezuela estão com nomes diferentes: são alguns dos estados. Recomeço com as bandeiras dos países participantes e seguem primeiro as da Venezuela (a última venezuelana é a réplica do carro da Williams, da Fórmula 1, cujo piloto é daqui: Maldonado; a penúltima é uma das estações do belo teleférico no estado de Mérida, região andina), depois as do Brasil e etc.

Isto é o que está lá no Evidentemente. Selecionei duas especiais aqui para o Pilha: uma de um "turista" baiano em pleno Pelourinho e a outra de "Simoa", quem diria, na Indonésia!
Quem quiser conferir a seleção completa é só clicar para o Evidentemente. É uma boa para quem curte atiçar a imaginação com o viajar (nos dois sentidos).
 

sábado, 8 de setembro de 2012

FHC, ex-presidente muito mimado



*Paulo Moreira Leite

Eu acho que os amigos e admiradores de Fernando Henrique Cardoso,
situados no topo de nossa pirâmide social,  deveriam evitar mimos
exagerados.
Vão acabar estragando este político e intelectual culto e simpático,
que já passou dos 80. FHC participou da luta pela democratização, fez
um governo com realizações discutíveis, algumas trágicas e  outras
muitos importantes. Também   deixou muitas recordações junto a tantos
brasileiros.
Poucos  tiveram a honra de sentar-se à mesa para debater política com
Fernando Henrique Cardoso. Eu já.
Em 1975, em plena ditadura militar, FHC compareceu a um debate na USP
para discutir a luta pela democratização do país.
Foi um encontro de horas, animado, divertido e inesquecível. Quando me
encontra, mais de 30 anos  depois, FHC não deixa de fazer brincadeiras
a respeito.
No Brasil de 2012, FHC é um ex-presidente mimado. Você entende a
situação. A oposição não ganha uma eleição há três campanhas
presidenciais.  Colocou seu principal herdeiro para disputar o pleito
em São Paulo como se fosse a mãe de todas as batalhas e agora enfrenta
a possibilidade de  encarar a mais dolorosa de todas as derrotas.
Aquele que seria o favorito para concorrer em 2014 anda cada vez mais
discreto…
Sobrou FHC e ninguém para de falar bem dele. Repare: parece que
Fernando Henrique tem razão antes de começar a falar.
Você conhece a situação do garoto mimado. É aquele que é dono da bola
e das camisas – e sempre tem lugar garantido no time titular. A mãe
nunca dá bronca e o pai sempre arruma um jeito de melhorar a mesada.
As professoras o protegem na sala de aula. Melhoram as notas até
quando não merece. Tem aluno que faz muito mais força e nunca recebe o
mesmo elogio. Todos nós já vimos isso.
Mas os pedagogos de bairro advertem: graças a esse ambiente de
tolerância excessiva, o garoto mimado abusa – e todo mundo acha graça.
Não precisa assumir responsabilidades pelo que faz.
Sempre aponta defeitos nos outros.
Qualquer sociólogo B – como filmes B – entende o que ocorre. Os mimos
vem de longe mas se acentuaram de uns tempos para cá.
Há  um sentimento de culpa em relação a FHC. Abandonado na hora em que
teria sido ético fazer sua defesa,  agora lhe permitem falar o que
quer. Pagam a dívida em dobro, com juros  de Pedro Malan.  É  sempre
elogiado, lhe passam a mão na cabeça e jamais se ouve uma critica.
Faça um teste, você mesmo.
Dê uma gugada e procure um adjetivo negativo, uma observação crítica
ou mesmo uma ironia.  Daqui a pouco, vão dizer que a Dilma só faz um
bom governo porque vez por outra trocou umas palavrinhas gentis com
ele e parou de levar em conta dseu padrinho Luiz Inácio Lula da Silva.
Já perdi a conta de quantos livros saíram sobre ele, quantos balanços,
quantas interpretações. Gostam tanto de FHC que o formato preferido é
de livros-entrevista, onde o próprio protagonista tem a palavra final.
FHC ganhou até uma antologia de fotos. Ficou bem até quando falou que
era preciso legalizar a maconha, cocaína, heroína… Em teatro isso se
chama fazer o coro. O personagem principal diz o que pensa e os
coadjuvantes dão sustentação:  repetem, perguntam se não foi mesmo
bacana, e assim por diante. Isso é o mais importante. Os
universitários, como dizia Silvio Santos, precisam dar razão.
Mas: e a política? A economia? O texto? O debate? O contraponto? Sem
substância, os mimos parecem hipocrisia,  não é mesmo?
Os carinhos desmedidos são tantos, e tão intensos, que muitas pessoas
acreditam, como se fosse um fato demonstrado cientificamente, que tudo
o que aconteceu de bom no Brasil depois de 2003 é fruto da herança do
governo FHC.Tudo: do Bolsa Família ao crescimento duas vezes maior do que na
década anterior, a redistribuição de renda,  a valorização do salario
mínimo, o reforço nas garantias dos assalariados, a reação imediata ao
colapso dos mercados.
Alfredo Bosi, que dedica vários parágrafos de Dialética da Colonização
a criticar FHC, admite que se trata de uma águia intelectual –
consegue enxergar, muito longe, mudanças e evoluções que escapam aos
observadores pedestres.
Os mimos ajudam a explicar   o último artigo de FHC,  publicado no
Globo e no Estado. O texto tem o título de “Herança Pesada” e se
dedica avaliar o governo Lula
. Pode ser resumido nestas 21 palavras:
“É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar
que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro
da Nação.”
Vamos combinar. Fernando Henrique entregou um país com a inflação em
dois dígitos. Os impostos foram às alturas e só os bobos e acham que a
carga tributária é obra de seu sucessor.  O desemprego subiu. Sua
popularidade era negativa em 13 pontos. Quando foi positiva era menor
que a de José Sarney do Plano Cruzado. E antes que você diga que isso
é populismo, não custa lembrar que, numa democracia, a opinião popular
é (ou deveria ser) muito importante. Essencial, na verdade. Todos os
políticos deveriam saber disso.
E a herança de Lula é que é “pesada como chumbo?” Gerou “males morais
e prejuízos materiais”?
Falando sério. Em tempos de mensalão, não custa lembrar que o único
caso comprovado de compra de votos por dinheiro (“compra de
consciências,” como disse o PGR Roberto Gurgel) ocorreu no governo
FHC, para aprovar a reeleição.
É mimo demais.

Há um sujeito oculto neste debate. Ora é o sociólogo, distanciado,
culto, crítico. Aqui valem as ideias. Ora é o político, engajado,
direto, interessado. Aqui residem os fatos.
A arte consiste em escrever como presidente para ser lido como sociólogo
.
*Texto de Paulo Moreira Leite, em seu blog da revista Época.
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Nasci assim, vou morrer assim

Gostei desse texto de Martha Medeiros, pulicado em 2010, portanto bem antes do remake da novela.
Uma das provas irrefutáveis de que estou prestes a virar um fóssil é que assisti à novela Gabriela, em 1975, e lembro até hoje da famosa cena em que Sonia Braga se arrasta feito uma lagartixa por cima de um telhado de Ilhéus, para assombro do seu Nacib. Outro dia, numa dessas retrospectivas tipo vale a pena ver de novo, reprisaram a cena, enquanto se ouvia a trilha sonora que virou hit: “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu vivi assim, vou ser sempre assim, Gabriééééla”.

Salve Dorival Caymmi, autor da letra, mas, cá entre nós, hoje em dia Gabriela seria forte candidata a algumas sessões de psicanálise, porque só pode ser teimosia crônica essa mania de nascer assim, crescer assim, viver assim e, mais grave, ser sempre assim. Por mais que “assim” seja bom, é muito assim pra pouco assado.

Tenho uma amiga que é a última a sair dos encontros da nossa turma. Invariavelmente, a última. No entanto, dias atrás, nos reunimos e não eram nem 21h quando ela pegou sua bolsa e se despediu. Silêncio na sala. Está se sentindo mal? Não. Alguma coisa que dissemos te ofendeu? Não. Vai se encontrar com alguém? Não. Ela apenas sentiu vontade de voltar cedo pra casa em vez de, como de hábito, ficar para apagar a luz. Havia nascido assim, crescido assim, vivido assim, mas não precisava ser sempre assim.

Depois que ela se foi, ficamos especulando sobre o que a teria feito ir embora, sem aceitarmos a explicação trivial que ela deu: vontade. Como vontade? Desde quando alguém faz algo diferente por simples vontade? Muito suspeito.

É por causa dessa desconfiança que tanta gente se algema aos seus preconceitos, aos mesmos gostos que cultiva há 20 anos, às manias executadas no automático e a amores que nem lhes satisfazem mais, tudo para que os outros não questionem sua integridade, já que se estabeleceu que quem muda é frívolo.

Se é isso mesmo, salve os frívolos. Só não muda quem não se relaciona com o mundo, não passou por nenhuma experiência amorosa, por nenhuma frustração. Só não muda quem não consegue racionalizar sobre o que acontece a sua volta, não se interessa pela condição humana, não é curioso a respeito de si mesmo, não se permite ser atingido pela arte e pelo pensamento filosófico, em suma, só não muda quem está morto.

A vida não recompensa os amadores. No máximo, lhes dá uma vida tranquila, e isso nem sempre é uma graça divina. Gabriela era um personagem de ficção, e Caymmi um poeta enaltecendo a pureza humana, que merece mesmo ser enaltecida em prosa e verso. Mas a pureza não precisa se defender o tempo inteiro contra a mudança. Pode-se migrar da pureza para o experimentalismo, sem perdas.

Minha amiga, naquela noite, dormiu cedo como há séculos não fazia, e eu, que costumo cabecear quando termina a novela, fui a última a sair, fiquei para apagar a luz. E ambas continuamos íntegras como sempre fomos.