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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

domingo, 4 de novembro de 2012

Mais um vôo da Asa Branca


No mesmo fim de semana do apagão no nordeste, onde choveram abusos de discriminação contra os nordestinos pelas redes sociais, assisti ao filme “Gonzaga de Pai para filho”. Naquele oportuno momento, ainda amargurada pelo veneno da “ideologia sulista, elitista e medíocre”, reafirmei minha convicção de quanto é belo, forte e importante para todo o Brasil a cultura nordestina. O filme em si cai numa onda sentimentalista às vezes desnecessária e bem característica do seu diretor Breno Silveira (o mesmo dos Filhos de Francisco), porém, pra quem gosta das músicas, e no meu caso adoro tanto pai quanto filho, foi um verdadeiro deleite para os ouvidos. O filme toma um formato às vezes narrativo, às vezes documentarista, baseado nas fitas gravadas pelo próprio Gonzaguinha ao entrevistar o pai. Não é novidade pra ninguém que a relação entre progenitor e descendente (no caso aqui não sanguíneo) sempre foi conflituosa e é sob essa perspectiva que o filme se desenvolve, na busca, um pouco forçada, de um cenário harmonioso para seus personagens. Encerradas as críticas cinematográficas, o filme lhe presenteia com o que mais há de genuíno na música popular brasileira. Resgata as origens culturais e musicais de Gonzagão, além estabelecer as influências históricas da música de Gonzaguinha. Nesse aspecto é interessante observar que estão presentes no filme figuras que permeiam o imaginário da cultura sertaneja, e da música de Luiz Gonzaga, como a figura do vaqueiro e do coronel.  Com esses elementos, aliado a belíssima trilha sonora é um filme que, em tempos de tentativas de segregação regional, mostra o valor e a beleza da cultura sertaneja e nordestina, na qual eu muito orgulhosamente faço parte.

2 comentários:

Joana D'Arck disse...

Bem oportuno o seu comentário, Simoa. É um absurdo esse veneno contra o nordestino, que voltou à carga nas redes sociais, querendo nos responsabilizar pelo apagão. Só pode ser inveja, porque em meio a tantas adversidades e discriminação essa região do país formou uma cultura belíssima capaz de projetar talentos e genialidades como Gonzagão e tantos outros nas diversas áreas, que não vou citar aqui pra não parecer pernóstica e exibida. Sobre o filme, seu comentário me encheu de vontade de assistir. Amo esses dois igualmente. Vou nessa.

Isabel disse...

Simoa, eu gostei muito do filme. Achei lindo. E me veio a recordação do beijo que dei no rosto (na testa molhada)de Gonzagão após o show que ele fez no Circo Relâmpago (acho que não é do seu tempo), na Pituba, onde me esbaldei, junto com a companheira de farra/festa Mônica. Também me veio a memória Gonzaguinha, no início de carreira, com seu violão na costa, circulando pelo ICBA... Tantas e boas lmebranças. E o filme vai ficar na memória ainda porque levei para assistí-lo a minha secretária, que nunca foi ao cinema, apesar dos 39 anos de vida. Ela que não gosta de forró - (acho que são coisas da sua religião) saiu encantada e disse que sua mãe gostava de Gonzagão. Nesses tempos de tanta violência, vale o sentimentalismo, a 'melosidade'. Além do mais, a história de Gonzaguinha permeia a vida de muitos filhos por aí, que têm até tudo de material, mas o essencial... Ainda bem que eles se encontraram a tempo. Viva eles, a nossa cultura, o nosso povo do sertão que hoje chora mais ainda a seca e sua mazelas. Bjs

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