Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reveillon do Samba no Mercado do Peixe




Grande pedida! Além de grandes nomes do samba local, matar a saudade da dupla Antônio Carlos e Jocafi e presenciar o lançamento em Salvador de uma grande cantora e compositora, Kareen Mendes. Guardem este nome...

Feliz 2014 para todos

domingo, 29 de dezembro de 2013

Os jornalistas mais reacionários de 2013

A seleção escalada pelo  jornalista Paulo Nogueira, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

"Bem, final de ano é tempo de retrospectiva.

O DCM acompanhou a mídia com atenção, e então vai montar sua seleção de jornalistas do ano, o Time dos Sonhos do atraso e do reacionarismo, o TS, o melhor do pior que existiu na manipulação das notícias.

A cartolagem é parte integrante e essencial do TS: Marinhos, Frias, Civitas, Mesquitas etc.

À escalação:

No gol, Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo. Devemos a ele coisas como a magnífica cobertura da meia tonelada de cocaína encontrada no famoso Helicóptero do Pó, pertencente à família Perrella.

Kamel é também notável pela sagaz tese de que não existe racismo no Brasil.

Na ala direita, dois jogadores, porque pela esquerda ninguém atua. Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes são os selecionados. Os blogueiros da Veja são entrosados, e pô-los juntos facilita o trabalho de treinamento do TS.

Azevedo se notabilizou, em 2013, por ser comparado por diferentes mulheres a diferentes animais, de pato a rottweiler.

Nunes brilhou por lances de genialidade e inteligência – e total ausência de preconceito —  como chamar Evo Morales de “índio de franja” e classificar Lula de “presidente retirante”.

Uma disputa interessante entre Nunes e Azevedo é ver quem utilizou mais a palavra “mensaleiros”. Gênios.

Na zaga, uma inovação: duas mulheres. Temos a cota feminina no TS do DCM. Eliane Cantanhede, colunista da Folha, e Raquel Scherazade, a versão feminina de Jabor.

Ambas defenderam valentemente o país dos males do lulopetismo, e fizeram a merecida apologia de varões de Plutarco da estatura de Joaquim Barbosa, o magistrado do apartamento de Miami.

No meio de campo, três jogadores de visão: Jabor, Merval e Míriam Leitão. Sim, a cota feminina subiu durante a montagem do TS.

Jabor se celebrizou em 2013 pela rapidez com que passou da condenação absoluta à louvação incondicional das jornadas de junho quando seus superiores na Globo lhe deram ordem para mudar o tom.

Merval entrará para a história pelo abraço fraternal em Ayres de Britto, registrado pelas câmaras. Merval conseguiu desmontar a tese centenária e mundialmente reverenciada de Pulitzer de que jornalista não tem amigo.

E Míriam Leitão antecipou todas as calamidades econômicas que têm assaltado o país, a começar pela redução da desigualdade e pelo nível de emprego recorde.

Numa frase espetacular em 2013, Míriam disse que só escreve o que pensa. Aprendemos então que ela é tão igual aos patrões que poderia ser o quarto Marinho, a irmãzinha de Roberto Irineu, João Roberto e Zé Roberto.

No ataque, dois Ricardos, também para facilitar o entrosamento. Ricardo Setti e Ricardo Noblat. Setti foi uma revelação, em 2013, no combate ao dilmismo, ao lulismo, ao bolivarianismo, ao comunismo ateu e à varíola. Noblat já é um jogador provado, e dispensa apresentações. Foi o primeiro blogueiro a abraçar a honrosa causa do 1% no Brasil.

Para completar o trio ofensivo, Eurípides Alcântara, diretor da Veja. Aos que temiam que a Veja pudesse se modernizar mentalmente depois da morte de Roberto Civita, Eurípides provou que sempre se pode ir mais adiante.

Suas últimas contratações são discípulos de Olavo de Carvalho, o astrólogo que enxerga em Obama um perigoso socialista. Graças a Eurípides, em todas as plataformas da Veja, o leitor está lendo na verdade a cabeça privilegiada de Olavo.

Na reserva do TS, e abrindo espaço para colunistas que não sejam necessariamente jornalistas, dois selecionados.

O primeiro é Lobão, novo colunista da Veja e novo olavete também. No Roda Viva, Lobão defendeu sua reputação de rebelde ao fugir magistralmente de uma pergunta sobre o aborto.

O outro é o professor Marco Antônio Villa, que conseguiu passar o ano sem acertar nenhuma previsão e mesmo assim tem cadeira cativa em todas as mídias nacionais.

O patrono do TS é ele, e só poderia ser ele: José Serra.

Mas Joaquim Barbosa pode obrigar Serra a cedê-la a ele, JB, nosso Batman, nosso menino pobre que mudou o Brasil e, nas horas vagas, arrumou um emprego para o júnior na Globo."

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

"O que o céu espera para implantar a banda larga?"

Reproduzido do blog Evidentemente


Do jornal argentino Página/12, de 27/12/2013 
(Clique sobre a imagem para ver maior)

Surfando nas ondas do tempo e da paixão (devaneios)

Vale do Anhangabaú, São Paulo, em foto dos anos 70: foi dali, subindo as escadas rolantes da Galeria Preste Maia, há mais de 40 anos... (Foto: Blog do Flavio Gomes)
...vá lá que o escudeiro filósofo Sancho Pança tenha dito que “enquanto não se morre, tudo é vida”, mas até o meu louco favorito Dom Quixote morreu, perdeu a louca certeza de reencarnar os cavaleiros andantes...

Reproduzido do blog Evidentemente
 
Me perdoa, amor, soube que você não foi feliz, ou melhor dizendo, tem sido mais infeliz do que feliz, mas eu tinha outros sonhos, queria viver a grande utopia da minha geração, tinha outras prioridades, como busquei me explicar na época, não tinha tempo de viver um grande amor, também não podia adivinhar que talvez seria o maior amor da minha vida, era cedo demais, a juventude palpitante, os caminhos se abriam à minha frente, a esperança, uma grande esperança, como eu poderia supor tantas promessas, tantas auroras, tantos entardeceres? com você, sem você... como vou saber todas as diferenças? depois de tantos anos, tantas águas, surfando nas ondas do tempo e da paixão, a primeira vez que te vi deixando o Anhangabaú, coalhado de ônibus, era o grande terminal de transporte coletiva da cidade imensa, lembra? numa manhã paulistana típica de muita chuva e muito frio, subindo as escadas rolantes da Galeria Prestes Maia naquele tempo naquela hora entupidas de gente, aquele aperto de capas e guarda-chuvas/sombrinhas eu como que enlouqueci e meti a mão em você e alisei suas coxas grossas, depois fui ver que elas eram brancas, bem brancas, “branquinhas como leite do curral da Cana-Brava”, eu dizia nos momentos de intimidade e fervor, e você não reclamou, não me deu um tapa na cara como seria o convencional nos filmes e novelas, você gostou e me sorriu, eu fiquei pirado total, “que menina louca!, mais louca do que eu”, admirei e desde aquele dia então foi tudo enlevo e piração, e você me chamou de “meu Deus grego!”, eu confesso que não tinha ideia de como seria um Deus grego, mas pensei “só pode ser bem bonito”, depois andei lendo a mitologia grega pra entender, mas achei um troço muito chato embora gozasse de muito charme nos meios intelectuais daqueles tempos, “e depois, foi tanto querer bem” como dizia a canção cantada por aquele colega lá no extinto Palace Lila, já em Salvador na Bahia, no número 15 da então Rua Joaquim Nabuco, que não existem mais nem aquele velho prédio número 15 nem a rua que voltou a ser Rua Nova de São Bento, “tanto querer bem, alguém dizendo a alguém, meu bem...” seja na gruta lá na bela Chapada Diamantina, você com aquela calça azul bem claro com uns desenhos em delicado alto-relevo ou no terraço dum bar no boêmio bairro do Rio Vermelho, você vestida mais apropriadamente com uma saia leve e curta, são lembranças, retratos de momentos especados na memória, são mais de 40 anos, agora soube que você não foi feliz, será? não teve outros amores para apreciar suas coxas grossas e “branquinhas como leite”?, me perdoa, amor, e eu me pergunto se sou feliz, se tenho sido, acho que sim... tive outros amores, alimentei minha utopia, vivi meus sonhos, tenho vivido, aliás, embora no declinar do viver apareçam dúvidas, vá lá que o escudeiro filósofo Sancho Pança tenha dito que “enquanto não se morre, tudo é vida”, mas até o meu louco favorito Dom Quixote morreu, perdeu a louca certeza de reencarnar os cavaleiros andantes, consertador de tortos, desfazedor de todos os agravos do mundo e amparo das órfãs e viúvas, morreu porque perdeu o raro dom da estranhíssima loucura, murchou de vez porque deixou de acreditar na inacreditável vocação, tenho certeza de que foi por isso que ele morreu, Cervantes não diz mas foi, bem que Sancho Pança na sua imensa sabedoria estranhou que na última “venda” na qual se hospedaram no final da terceira e última rodada de aventuras ele a viu como uma simples e ordinária “venda”, não era mais um castelo como dantes, era o fim ou o começo do fim...

domingo, 15 de dezembro de 2013

A escolha de Mandela - O sino, os saltos e a Praça Castro Alves

Nelson Mandela veio uma vez à Bahia, em 1991, e aqui também marcou e disse a que veio. E eu estava ligada, presente. Repórter da edição dominical da Tribuna da Bahia, trabalhando no plantão do sábado, com a última pauta a cumprir para fechar o dia, eu, o editor, Grant Mariano, e o diagramador, Jorge Pulgas, à espera. Felizmente não havia celular à época (Ui! Essas lembranças me fazem sentir com um século nas costas! O que me consola é que o avanço da tecnologia faz todo mundo se sentir assim em algum momento). Ou eu seria totalmente neurótica nesse episódio. Surtaria mesmo! 

Às 9 horas, lá estava o secretário da Mesa da Câmara Municipal, vereador Castelo Branco, todo garboso e orgulhoso, porque cabia a ele ser o primeiro a receber, cumprimentar e conduzir o ilustre homenageado (nada a ver com alguma identidade com a causa heróica de Mandela. Era só uma coisa regimental). A Casa Legislativa mais antiga do Brasil estava paramentada para conceder a Mandela o título de Cidadão de Salvador, uma proposta de autoria do então vereador do PCdoB, Javier Alfaya (este sim, identificado com a luta). 

Mandela cumpriria aqui uma agenda grande para o curto tempo, mas o horário do voo não colaborou. Mas, não se sabe porque, a toda hora vinha um aviso da chegada do homem. Bléim, bléim, bléim...tocava o sino da Câmara, o mais antigo, belíssimo, lá no alto do histórico prédio. O sino tocava para anunciar a chegada do ilustríssimo convidado, seguindo o ritual dos tempos do Império, quando as badaladas anunciavam nova determinação do Governo e as pessoas se juntavam na Praça Municipal para ouvir a leitura do pergaminho.

 E nada de Mandela. Castelo Branco se empertigava, ajeitava o bigode branco e a gravata. Nada. A mulher dele suspirava e descansava os pés, alternando um e outro fora do sapatinho de salto fino que causava dor lancinante. Isso se repetiu pela manhã e invadiu a tarde.

Almoço não estava previsto e cada qual foi se virando ali pelo Palace Hotel (que tinha o restaurante mais procurado pelos vereadores, à época) e restaurantes da redondeza. E a tarde foi passando e nada de Mandela. 
O líder africano cumpriu o protocolo: foi recebido no Aeroporto Dois de Julho, seguindo para o Palácio de Ondina, onde foi recepcionado com um almoço pelo então governador Antonio Carlos Magalhães, cuja biografia se destoava totalmente da sua, depois seguiu para o Palácio Thomé de Souza, onde mais uma vez cumpriu à risca o que manda a programação oficial. Foi recebido pelo então prefeito Fernando José, que quando radialista dizia que matava a cobra e mostrava o pau e depois virou um telhado de vidros com popularidade totalmente despencada, isolado politicamente e enfrentando ameaça de impeachment. 

Foi também o telhado de vidro do Palácio Thomé de Souza que segurou Mandela, através de uma ardilosa manobra política do prefeito com o seu líder na Câmara Municipal, o vereador Dionísio Juvenal, autor de homenagem com inauguração de um busto de bronze do líder africano (a estátua foi levada depois para o bairro da Liberdade), que roubou mais tempo ainda. 

Na Câmara Municipal, a poucos metros do prédio da Prefeitura, o clima se exasperava. Mandela tá chegando! Dizia Castelo Branco de vez em quando, após novas badaladas, colado na porta do prédio histórico. E nada, e nada, e nada. E lá se vão as horas e os presentes desmanchados, suados, gravatas incomodando, sapados inchando os pés de todos no plantão do dia inteiro. E Pixéu, o conhecido funcionário responsável pelo sino, também reclamando, com seus botões, da dor nos braços de tantas badaladas. 

Perto das 19 horas veio a notícia que causou cena de novela. O presidente da Câmara Municipal, Osório Villas Boas, anunciou que Mandela não iria mais à Casa para receber a homenagem. Todos ficaram de queixo caído e olhos arregalados.Oh,oh,oh! Como assim? Como era possível ele fazer isso, depois de uma manhã e uma tarde de espera ansiosa? O impacto da notícia foi o mesmo de um esperado casamento em que a noiva desiste na hora de ir para o altar. Osório Villas Boas fez drama, discurso de protesto contra a desfeita de Mandela ao legislativo municipal, disse que a Casa jamais acataria outra proposta para homenageá-lo, nem marcaria nova data para entrega do título, caso voltasse à capital baiana. Javier Alfaya  não se conteve. Encheu os olhos d’água diante da frustração de não poder entregar o título ao líder negro, mas nada disse. Foi derrotado pela manobra dos aproveitadores da situação. Uma pena. 

Mandela cumpriu o protocolo até onde pode. Mas chegou o momento em que precisou escolher, diante do curto tempo, entre mais uma recepção oficial e a oportunidade de falar diretamente ao povo. Sabiamente foi à Praça Castro Alves, onde emocionou mais de 150 mil pessoas, num encontro animado ao som de músicas criadas e executadas por artistas baianos, ao longo da década de 80, clamando pelo fim da apartheid e pela liberdade do ativista negro. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Natal numa "nice"

Do jornal argentino Página/12, de 13/12/2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

O jornalismo: entre o partidarismo e a boemia

Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos (1861-1865)
Reproduzido do blog Evidentemente:

Quem diria!? A imorredoura frase do presidente Abraham Lincoln, há 150 anos atrás, falando do “governo do povo, pelo povo e para o povo”, foi considerada na época um “comentário estúpido” por um jornal estadunidense (ou por jornalistas daquele jornal, o que vem a dar no mesmo).

Veja aí, vou traduzir na íntegra a notinha da primeira página do jornal argentino Página/12, edição de 15/11/2013, com o título: “Desculpas”:


“O diário Patriot News é publicado em Harrisburg, Pennsylvania. Em 19 de novembro de 1863, o então presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, visitou o povoado vizinho de Gettysburg. Ali pronunciou um discurso que se transformou num dos mais emblemáticos da história de seu país, no qual, entre outras coisas, disse a famosa frase “o governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecerá da face da Terra”. No dia seguinte, o Patriot News qualificou o discurso como “comentários estúpidos” que “mereciam cair no esquecimento”. Ontem (14/novembro), 150 anos depois, o jornal pediu desculpas a seus leitores e atribuiu seu “erro” à “influência do partidarismo ou do muito beber, como era habitual na profissão naqueles tempos”.


Tenho duas observações:


1 – Mais uma preciosidade histórica neste meu blog: ontem postei a manchete da capa do jornal brasileiro O Globo, de 51 anos atrás, contra o governo do presidente João Goulart, o popular Jango: “Considerado desastroso para o país um 13º. mês de salário” (reproduzido do blog Viomundo). Aí foi somente partidarismo, que continua até hoje, sempre, coerentemente, contra tudo o que venha a beneficiar o povo mais pobre.


2 – Aproveito para deixar consignado um abraço saudoso aos companheiros e companheiras de redação e de boemia – pra não dizer bebedeiras – do jornal baiano Tribuna da Bahia, no período de 1984-1995. Bons tempos de “muito beber”.

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