Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ano indecente!


Mandar 2016 tomar no cú, que nem fizeram os quatro rapazes do programa de TV, Papo de Segunda, numa daquelas divertidas apresentações cantando e tocando qualquer coisa a ver com a temática do dia. O povo entrevistado nas ruas para o programa dessa última segunda-feira do ano quis dizer isso, em outras palavras mais educadas.
O sentimento geral na telinha e ao nosso redor é esse: eita ano ruim dá porra!
O ano em que o Brasil deu pra trás, que o mundo deu pra trás, com o retorno da xenofobia e de política contra imigrantes, com a ascensão dos que representam o conservadorismo,   o atraso personificado no presidente eleito estadunidense e imperialista, Donald Trump! Aqui, com o golpe para tirar uma  presidente contra a qual não se tinha crime a acusar. Na verdade um golpe contra  o projeto político de inclusão social e garantia de direitos trabalhistas para dar lugar a um plano demolidor, que começou mexendo nos investimentos sociais do rendimento do Pré Sal e seguiu recheado de PECs (emendas constitucionais) de pura maldade,  que cortam  por vinte anos os investimentos em educação e saúde ( e o golpista do Temer ainda teve a cara de pau de dizer na noite de Natal, em cadeia nacional de TV, que investirá mais do que nunca em saúde!); de tempo de contribuição e idade para aposentadoria impraticável para o trabalhador; e agora outro duro golpe em curso para retornarmos aos tempos de escravidão, com nova PEC para aumentar a carga horária de trabalho e retirar outros direitos.
É a elite brasileira e os interesses internacionais de mercado com a sua fome de lucro avançando de forma voraz, capitaneada aqui pelos partidos políticos que claramente os representa, tendo como protagonistas dessa trama miserável  o PMDB e o PSDB.
Aí os coxinhas que foram às ruas como massa de manobra pedir o impeachment, achando que estavam lutando contra a corrupção e que sairiam da crise econômica num piscar de olhos, ficaram estatelados. Nem  conseguem reagir com tanta surra! Aliás, voltando ao hilário Papo de Segunda,  os memes exibidos não perdoaram os coxinhas inocentes úteis! Um dos integrantes do quarteto, João Vicente, chegou a dizer que eles tiraram uma presidente eleita para colocar um golpista “safado” ( usou esse termo mesmo!) e tomaram porrada na cara. Cômico se não fosse triste.
Poderia citar somente os fatos políticos, que foram o suficiente para mexer com toda a nação o ano inteiro, mas ainda chegamos ao final  abalados com o trágico acidente que matou quase o time inteiro de Chapecó.
Agora estamos aqui, em contagem regressiva, ansiosos para encerrar o famigerado 2016, como se isso fosse o suficiente para resolver nossos problemas, tal qual os coxinhas!
Tá bom! Não resolve, mas há que se crer que essa passagem de um ano para o outro serve para recuperarmos as energias e recarregar as baterias para enfrentar a luta que virá.
Então, vamos gritar em alto é bom som:
Tomar no cú, 2016!
Joana D'Arck

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Stédile: “Não conseguimos construir nossos próprios meios de comunicação de massa”


As mentes e corações dos brasileiros, há décadas, estão submetidos ao massacre incessante dos noticiários manipulados e visões de mundo vomitados pelas forças de direita, através da Globo e demais monopólios da mídia hegemônica. Leia artigo de Jadson Oliveira

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Uma enciclopédia ambulante sobre Lampião e o cangaço

José Bezerra Lima Irmão,
 autor do livro ‘Lampião, a Raposa das Caatingas’
(Foto: Jadson Oliveira)

Por Jadson Oliveira

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

De Salvador-Bahia – Parece inevitável. Uma discussão sobre o Rei do Cangaço e o cangaceirismo desemboca na interrogação recorrente: o “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, que aterrorizou o Nordeste brasileiro durante 17 anos, na primeira metade do século passado, foi bandido ou herói?

Isso aconteceu mais uma vez no último dia 26, na Faculdade de Arquitetura da UFBa, em Salvador, onde intelectuais baianos debateram o tema a partir da avaliação do livro ‘Lampião – a Raposa das Caatingas’.

O autor, José Bezerra Lima Irmão, foi taxativo: “Nem bandido nem herói, foi um cangaceiro”. Advertiu que a pergunta é a mais tola que se possa fazer e é simplória qualquer resposta dada às pressas.

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim, situando-o nas dimensões dos espaços físico e temporal, é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

Este trechinho copiei da parte inicial do livro, um camalhaço (no bom sentido) de 736 páginas de letras miúdas. E dá o tom do conteúdo da exposição de José Bezerra para as pouco mais de 20 pessoas que foram ao encontro (uma pena tão pouca gente!).

Talvez não fosse necessário frisar que o autor deu uma mostra do seu conhecimento enciclopédico sobre o assunto, adjacências e contexto – Guerra de Canudos e outros levantes populares, coronelismo, violência, injustiças sociais, religiosidade, falta de instrução, vinganças familiares, luta “braba” pela terra e pela sobrevivência, ausência do Estado, mandos e desmandos dos coronéis, dos jagunços, da polícia e, óbvio, dos cangaceiros.

Sobre tudo isso, José Bezerra mostrou que sabe tudo, pode-se dizer sem medo do exagero. Tanto que o reconhecido escritor baiano, Oleone Coelho Fontes (autor, dentre outros livros, de ‘Lampião na Bahia’, já na décima edição), não hesitou em declarar que Bezerra esgotou o tema.

A estrutura social da época explica o fenômeno

Oleone, aliás, tem uma opinião bastante diferente da de Bezerra. Proclama com toda eloquência que Lampião foi um bandido, simplesmente assim, um bandido sanguinário. Invoca a favor de sua posição as inúmeras testemunhas ou contemporâneos dos fatos que entrevistou para escrever seu livro.

Presente ao encontro, Antonio Olavo, cineasta/documentarista baiano, mostrou-se afinado com grande parte da visão apresentada por Bezerra. Disse que respeita vozes diversas, mas discorda de enfoques como o de Oleone, frisando o fenômeno da reação dos cangaceiros frente a uma situação política, econômica e social marcada pela injustiça e violência.

O cenário natural de tal situação era a tirania capitaneada pelos coronéis e chefes políticos, que tinham a seu serviço jagunços e policiais, além de autoridades como delegados, juízes e padres.

Já os organizadores do debate, o professor Edmilson Carvalho e Jorge Oliver, velhos militantes do campo das esquerdas, defenderam a necessidade e a relevância do aprofundamento de tal discussão, levando em conta principalmente que as verdadeiras causas do cangaceirismo residem na estrutura social e política da sociedade de então.

Bem, é preciso dizer que José Bezerra, um sergipano que vive em Salvador, é auditor da Receita estadual, com 70 anos, ainda não aposentado. Passou 11 anos atolado nas pesquisas, usando finais de semana, feriados, férias, licenças (preciso lhe perguntar como sua família aguentou, ou não aguentou?), com mais de 30 viagens pelos sete estados nordestinos por onde andou Lampião obrando suas controvertidas e famosas proezas.

PS: Edmilson Carvalho comentou que se trata duma obra “monumental”, que começou a ler as mais de 700 páginas, formato grande e letras miúdas, e só sossegou quando acabou. Eu já cheguei à página 85 e está até me atrapalhando, pois tenho outros afazeres e, infelizmente, não posso ficar o tempo todo na leitura. Um conselho: compre o livro. Em Salvador, pode ser encontrado na Saraiva (Salvador Shopping). Ou entre em contato com o autor por e-mail: josebezerra@terra.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O grande erro de Fidel, segundo Fidel


O grande erro foi ter pensado que sabia como construir o socialismo. Quantos líderes revolucionários, filósofos, comandantes, chefes políticos das esquerdas ou simples militantes não pensamos um dia, também, que sabíamos como construir o socialismo? A começar por Lênin, talvez o maior de todos... Por Jadson Oliveira
 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Intelectuais baianos aprofundam significado histórico de Lampião e o cangaço



 
Em debate o fenômeno do cangaceirismo no Nordeste brasileiro: será no sábado, dia 26, na capital baiana (na Faculdade de Arquitetura da UFBa, bairro da Federação), das 8:30 às 13:30 horas.

 Por Jadson Oliveira
De Salvador-Bahia – Como entender hoje, numa realidade social marcada pelo capitalismo neoliberal e globalizado – em crise -, o fenômeno do cangaço que dominou vastas áreas do ainda feudal Nordeste brasileiro de quase 100 anos atrás?
 
Esta questão deve estar rondando a cabeça de intelectuais baianos que vão discutir na manhã do próximo sábado, dia 26, em Salvador, o significado da ação dos cangaceiros, em particular do grupo mais famoso chefiado pelo temido “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, conhecido como o Rei do Cangaço e considerado por uns como um reles bandido e por outros como o maior guerrilheiro das Américas.
 
O debate – no auditório 2 (Mastaba) da Faculdade de Arquitetura da UFBa
(bairro da Federação), das 8:30 às 13:30 horas – será feito a partir do livro LAMPIÃO, A RAPOSA DAS CAATINGAS, cujo autor, o sergipano residente na capital baiana José Bezerra Lima Irmão, fará a exposição inicial. 
 
Trata-se dum “alentado livro que deveria ser do conhecimento do público em geral, pelo que traz, nas suas 740 páginas de pesquisa séria, metódica e permeada de ilações de um seguro teor teórico e senso crítico, a par de um estilo literário simples, escorreito e sem as afetações dos escritos acadêmicos, que muito  proveito decerto traria para leitores de todas as idades, etnias e credos políticos e religiosos”.
 
Tal avaliação é do professor Edmilson Carvalho, que compõe, junto com Jorge Oliver, a Comissão de Organização do evento. Ele diz ainda que o encontro do sábado é uma grande oportunidade “para um velho sonho, sonhado por quantos se dedicam à pesquisa historiográfica do tema do cangaço, por uma ótica renovada, a saber, inserida num contexto de uma sociedade em crise, na qual os mais diversos segmentos da sociedade jogam suas propostas sobre a mesa para o debate”.
 
Devem participar da discussão reconhecidos representantes da intelectualidade baiana, alguns deles com vasta bagagem em pesquisas e obras relacionadas com o assunto – e correlatas como é o caso da Guerra de Canudos. Dentre eles, Valdélio Silva, Sérgio Guerra, Oleone Coelho Fontes e José Guilherme da Cunha.
 
Ao apresentar seu livro no blog araposadascaatingas.blogspot.com.br, o autor diz, em texto datado de abril de 2014, que ele é fruto de 11 anos de pesquisas e mais de 30 viagens por sete estados do Nordeste. Explica que “analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda”.
 
E arremata: “Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase 20 anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete estados”.
 
Faz 78 anos que Lampião (teria então 40 anos de idade), sua mulher de apelido Maria Bonita e componentes do seu bando foram mortos. Embora haja controvérsias, a história oficial registra que foram vítimas duma emboscada comandada pelo tenente João Bezerra, da polícia de Alagoas, no local denominado Angicos,  sertão de Sergipe, ao amanhecer do dia 28 de julho de 1938.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Homenagem a Irecê no blog Roxo-violeta





Gente, olha que homenagem linda a nosso querido amigo Irecê - José Rodrigues de Miranda
A autora, Tânia Regina Contreiras, formada em jornalismo mas que não atua mais na profissão, nem era amiga dele e sequer lembrava o nome. O destino fez com que ela se batesse na rua, por acaso (acaso?), com José Bomfim e contou que tinha tido uma espécie de contato espiritual com "um jornalista e advogado....". Pela descrição Bomfa concluiu que era Irecê e ela, uma pessoa espiritualizada, prometeu que faria uma poesia para ele. 

Taí o resultado postado no blog Roxo-violeta

http://roxo-violeta.blogspot.com.br/

O diabo
Do advogado
Bebia
Fumava
Flertava
Com a boemia.

Lá pela manhã
Vestia o terno
E ia defender
Os homens


Desvalidos.

Morreu
Pobre e
Ao chegar
No Além
Pediu a saideira.

Se era céu ou
Inferno
Pouco se lhe dava
:Viesse a última gelada
Enquanto que a frieza do
Seu corpo estava sendo
Velada por amigos de coração.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Requião para presidente: combatendo o rentismo e a mídia hegemônica


“A PEC congela praticamente tudo, menos os juros da dívida interna, que nunca foi auditada”, denuncia Requião ao convocar os brasileiros para debater a PEC 241 (ou 55). Segundo o articulista, dois temas cruciais da nossa realidade credenciam, politicamente, o senador paranaense como o melhor candidato a presidente do Brasil. Leia artigo de Jadson Oliveira

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Do programático ao pragmático

*Simoa Borba


Dizem que um dos papeis do cientista político é fazer análises da conjuntura política elaborando teses que venham a se concretizar futuramente. Dizem... Mas há controvérsia, e eu particularmente sou muito cética em relação a esse papel. Porém, ainda que não concorde, vou aqui oportunamente me apropriar desse discurso e fazer proveito da minha formação de cientista política para retratar o quadro que vem se pintando no que refere ao futuro do PT e por que não do país.

Mas antes vou relatar uma pequena história que me aconteceu. 

Fui fazer uma análise física com um profissional de educação física e como não consigo manter minha boca fechada, sobretudo quando se refere a temas políticos, o questionei sobre a sua opinião sobre a retirada da disciplina de educação física no currículo escolar. Ele se mostrou muito indignado, relatando os males para as crianças e gerações futuras sem obviamente tocar em questões políticas.

Seguindo o tema entramos na questão sobre alimentação saudável e eu falei da minha indignação do abuso do uso dos agrotóxicos aqui no país, dizendo que não havia interesse do congresso de limitar isso por conta da sua vasta bancada ruralista.

Eis a resposta, “É mesmo, isso é coisa do PT porque eles que tem ligação com os agricultores”. Com esse exemplo acabo aqui minha historinha e passo para as análises políticas.

Os sucessivos massacres midiáticos ao longo dos últimos 4 anos no que se refere ao Partido dos Trabalhadores (e aqui não vou entrar no mérito do que de fato é responsabilidade dele ou não) serviu para criar um imaginário popular que o interliga automaticamente a toda e qualquer mazela da política brasileira. 

É óbvio que a injustiça está na proporcionalidade que isso tomou, principalmente quando não se dá o crédito também aos outros atores e partidos dessa equação. Mas o que se pode concluir dessa onda devastadora da imagem do PT é que isso não é algo que se possa reverter puro e simplesmente. Não há delação ou pedido de resposta que reverta esse cenário, principalmente, quando não há interesse dessa mesma mídia para tal. 

Ah!! Mais há a mídia independente, há as redes sociais que estão aí pra desconstruir esse imaginário. Tal perspectiva é errônea e extremamente ingênua uma vez que as redes nos coloca numa bolha particular no qual cada vez mais somos envolvidos em postagens que nos aproximam, assustadoramente, dos mais próximos. Ou seja, só quem tiver interesse para ir atrás da informação é que poderá desconstruir esse pensamento hegemônico. De resto, sobrará apenas as verdades absolutas que são ditas pelos seus próximos que via de regra são as mesmas que a sua. Isso em um país altamente despolitizado quer dizer muito.

E o que resta ao PT? Na minha pessimista análise, resta o tempo. O tempo que criará uma nova geração que deixará esse imaginário para trás e criará novas conexões e por que não novas formas de atuação política. Os meninos das ocupações estão aí seguindo seus ideais desvinculadamente de partidos criando quem sabe uma nova leva política.

Enquanto isso, o PT irá se manter ao custo da personificação de alguns dos seus quadros mais relevantes, mas deixando de lado cada vez mais a importância do partido e seu programa, o que já acontece com a grande maioria dos partidos aqui no Brasil, seguindo a lógica do menos programático e mais pragmático.




*Simoa Borba é cientista política e colaboradora do Pilha

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump: Moore acertou contra imprensa, pesquisas e seu desejo

Michael Moore diz que Hillary representa a velha guarda da política dos Estados Unidos, o chamado establishment, um sistema deteriorado que teima em se manter, odiado por amplas parcelas da população, especialmente os jovens. 

De Salvador-Bahia – Com mais de três meses de antecedência, o cineasta estadunidense Michael Moore cometeu uma fantástica façanha como analista político: previu – na verdade, garantiu de forma contundente e substancial – que o milionário Donald Trump seria o próximo presidente dos Estados Unidos. Contra as previsões da grande imprensa e das pesquisas. Veja mais na coluna de Jadson Oliveira

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Eleições municipais e a vitória da anti-política


Pense na “onda conservadora” que varre a América Latina e no papel da mídia hegemônica. É uma campanha incessante contra a política e a favor dos anti-valores, inserida, dissimuladamente ou não, em toda a programação, não apenas nos tele-jornais, e não apenas pelo que noticiam e como noticiam, mas também pelo que censuram. Leia artigo de Jadson Oliveira


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Nos 71 anos do eterno Presidente Lula



Por Urariano Mota


Nestas mais recentes horas, nesta altura da sua vida, quando se trama a prisão do maior presidente brasileiro, quando a sua grande obra de inclusão social e desenvolvimento do Brasil procura se fazer esquecer, saúdo aqui do meu canto os fecundos dias do eterno presidente do Brasil.

À minha maneira, nesta quase homenagem, pesquiso e o recupero em 4 momentos.

Num primeiro, me vêm as fotos de Lula na imprensa, quando ele padecia de câncer. Ali, com os cabelos e barba raspados por dona Marisa, a primeira coisa que vinha na gente era um choque. A intimidade de Lula com o povo brasileiro era, é de tal sorte,  que vê-lo nesse estágio de luta contra o câncer era o mesmo que rever um amigo caído em um leito de hospital. Depois, quando a gente atentava bem para a sua face, a sorrir, brincalhão, como a nos dizer “eu ainda vou provar um caldinho de feijão com cachaça no Recife, não desesperem”, batia na gente uma simpatia pelo homem provado pela dificuldade desde a infância.

Mais adiante, a foto despertava a reflexão de que a partir dela muitos brasileiros poderiam retirar do câncer o aspecto macabro, definitivo e definidor, como até hoje todos o vemos.  Lula, na foto, estava a nos sorrir e nos puxar para cima, “enfrentem, nada está definido, vamos adiante”. Se tudo fosse em vão, só a sua imagem deveria receber prêmio dos institutos de oncologia, porque deixava em todos a luz da esperança.

No segundo momento, quando pela primeira e última vez um presidente da república foi ao bairro onde nasci, que os “bem nascidos” do Recife chamam de periférico, o bairro de Água Fria. Lembro que súbito houve um estouro, não de fogos, nem de boiada. Houve um rumor que cresceu, que se tornou incontrolável, que mais parecia um orgasmo coletivo. Sofrido, querido e esperado. “É Lula! É Lula!”. Todos gritavam. Os berros se faziam ouvir mais alto, ensurdecedores. Mulheres, meninos, homens chamavam a atenção do Presidente, queriam chamá-lo, e ele não sabia para que lado se dirigir. Na hora uma ideia tenebrosa me ocorreu: se caísse um raio ali, todos morreriam felizes. Mas essa ideia não atingiu palavras. Lula veio para o nosso lado. Era ele que avançava para o círculo estreito onde todos lhe queriam tocar a mão. Aos gritos. Aos prantos. Aos empurrões.

A última vez em que vi algo semelhante em Água Fria havia sido em 1965, no último dia de carnaval. Tocou Vassourinhas e não havia força que contivesse o gozo da multidão em fúria.  Lembro. E mais lembro das  coisas mais duras da sua vida. Por exemplo, quando o Lula menino pegou da boca de um colega o chiclete mascado. Ou a intensidade da dor de ver a mulher falecer de parto,  como tantos pobres do Brasil veem, e jamais têm a sua dor expressa. Não sei por quê, mas no sudeste e sul do país se perdem a dimensão de que Lula, o personagem, o político, é maior que o PT, é maior que o sindicalismo, porque ele vem com a força da história, como uma encarnação da força que o povo tem, dos muitos severinos, joões, marias e lindus.

Em um terceiro momento, quando Lula recebeu o prêmio de Doutor Honoris Causa na França. Lembram? Eu lembro: um dos jornalistas brasileiros, perdão, nascido no Brasil, quero dizer, perguntou ao diretor do Instituto e Estudos Políticos de Paris que concedera o título a Lula:
“Era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro?”. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não constava em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: “Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República”. E chorou.

“Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?”, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro, perdão, nascido no Brasil eu quis dizer, perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de “irmão” a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings os observou com atenção antes de responder: “As elites não são apenas escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

No quarto momento, quando se despediu da presidência, à noite no Recife. Ao fim do seu discurso as pessoas se retiravam, alheias aos espetáculos gratuitos de música que viriam a seguir, porque o ápice do drama naquela noite já havia sido atingido: o presidente lhes falara que do seu destino um homem não desiste. Que nada pode ou não deve estar definido antes da luta em razão de renda, lugar, sexo ou raça. 
Hoje, nos seus 71 anos, me ocorre deixar um conselho à direita e representantes que o odeiam:  não queiram tanto mal a Lula, porque se as suas pragas pegarem, o mal lhes volta três vezes. Quanto mais desgraças, problemas ou pequenas tragédias ocorram a esse homem, mais ele crescerá como pessoa e político. Respeitá-lo, gostar da sua história seria mais sensato. Não sejam loucos de querer a sua prisão, a sua desonra, a sua morte morrida ou matada entre dores, tragédia ou tiros. Pois se tal acontecer, vão ter que conviver o resto das suas vidas com um São Lula. Imaginem o que seria render-lhe graças em todos os terreiros e templos do Brasil, aturá-lo na música popular, nos frevos e escolas de samba. Os loucos e raivosos estarriam preparados? Melhor desejar a Lula o que a maioria do povo agora lhe deseja: força,  eterno Presidente. Parabéns nos seus 71 anos. Tamo junto e misturado.


Reproduzido do GGN

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Redução no teto salarial de políticos e magistrados evitaria corte na verba da saúde e educação




A receita para economizar mais de R$ 700 milhões em apenas um ano, sem cortar verbas para a saúde e a educação, é bastante simples, segundo os cálculos da professora aposentada Minervina B. Leite, que enviou carta aberta ao presidente  Temer Golpista, sugerindo o envio, ao Congresso Nacional, de uma PEC que corta gastos dos políticos e burocratas dos três poderes. 

A proposta de Dona Minervina, que tem 79 anos e atuou como professora de matemática por mais de duas décadas na Rede Estadual de Educação da Bahia, estabelece teto de remuneração dos governantes e parlamentares federais, estaduais e municipais, assim como dos magistrados, conforme  lei que institui o piso nacional dos professores.

"Vou provar ao presidente que é possível fazer economia sem passar a tesoura nas verbas da saúde e educação, bem como nos salários dos servidores públicos de todo o país", ensina a professora, advertindo contudo a necessidade de dispensar os banquetes nababescos oferecidos pelos golpistas, como os que fizeram para aprovar na Câmara de Deputados o pacote da Maldade contido na PEC 241.


Eis a proposta da professora:



Excelentíssimo Senhor Michel Temer, Presidente da República,


Dado que o senhor, desde que assumiu ilegitimamente o governo, só fala em cortar gastos públicos em saúde, educação e salários do funcionalismo do país, proponho que assuma a proposta de PEC que apresento abaixo. Mas não gaste dinheiro em banquetes para tentar aprová-la. Faça mesmo por Medida Provisória com validade de 20 anos.

Artigo 1º: Este Projeto de Emenda à Constituição regulamenta o teto salarial de todos os ocupantes de cargos eletivos no país do Legislativo e Executivo, bem como dos mais altos mandatários do Judiciário e demais burocratas comissionados destes três poderes.
Parágrafo Unico: O teto salarial de governadores, presidente da república, vereadores, deputados, senadores, ministros, juízes, desembargadores e demais burocratas de que trata o caput do artigo acima deve ser pago de acordo com a Lei Federal 11.738/2008, que instituiu o piso nacional dos professores.

Artigo 2º: Quaisquer vantagens além do teto salarial estabelecido ao pessoal enquadrado no Art. 1º devem ser calculadas com base no que é concedido aos profissionais do magistério da educação básica pública de estados e municípios.

Parágrafo Único: Por vantagens, entenda-se auxílio-transporte, merenda parlamentar ou outras.
...
Presidente, análise preliminar feita por mim indica que, só com cortes de mordomias e altos salários na Câmara dos Deputados, é possível economizar mais de R$ 700 milhões em apenas um ano. Por isso, leia essa proposta de PEC com atenção, por gentileza.

Minervina B Leite
Salvador, 18 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os petistas e a busca de armas para a batalha midiática


 
A altivez de Lula no vídeo “me respeitem para que eu possa respeitar vocês” em meio ao debate para disputar a hegemonia nas mentes e corações dos brasileiros: uma folha de papel para circular entre a militância, uma rede nacional na Internet, a construção de meios tradicionais e digitais, vale tudo para resistir à avassaladora campanha anti-petista. Leia artigo de Jadson Oliveira

Convenção das bruxas




Michel Temer oferece banquete para assegurar votos 
e aprovar a PEC 241, que congela
investimentos na saúde e na educação.
Aí, você sai com o (a) companheiro(a) para jantar num puta restaurante, pede a comida mais cara do cardápio, bebe uísque pocado e, lá para tantas, já embalados pelo clima da noitada, finaliza aquele acordo para reduzir as despesas em casa, porque a crise não tá fácil. Afinal, não foi pra isso que se reuniram fora de casa? Resolvem então que o melhor é cortar a despesa com escola das crianças. Aliás, para que estudar, né? Tira logo da escola. Também é melhor parar o tratamento da mais velha, que não tem doença nenhuma! É tudo invenção mesmo essa dor que ela diz sentir. Pronto, agora dá para economizar e ajustar o orçamento. Não está acreditando em tamanha maldade? Acha que é coisa de vilã de ficção? Pois então veja:

Depois que o presidente golpista Michel Temer ofereceu  vinho, carne com risoto de funghi, salmão, massa e salada para mais de 200 deputados e suas respectivas esposas, numa cartada final para assegurar votos e aprovar a PEC 241, que congela investimentos na saúde e na educação, ontem rolou mais um banquete em Brasília. Este foi para articular a votação da PEC da maldade em segundo turno, prevista para esta terça-feira. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Argentina: regresso ao mundo – por Alfredo Zaiat


19/10/2016
Não existem muitos países que no atual contexto econômico mundial abram seus mercados sem pedir nada em troca. A Argentina de Macri o faz e com fanatismo. Facilita o ingresso de produtos dos Estados Unidos, Brasil, Ásia e Europa que rapidamente substituem a produção nacional. Leia a tradução do artigo de Alfredo Zaiat feita por Jadson Oliveira 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Come maconha feito coentro!


Maconha no feijão, maconha no assado, maconha no ensopado, maconha na sopa. Comendo maconha feito coentro!


Isso até parece sonho de maconheiro, mas é rotineiro na casa de  Darlene Nogueira de Lima, de 44 anos.   Ou pelo menos era, até a vizinha invejosa, que nunca foi convidada para uma refeição doidona dessa,  denunciá-la, e a polícia  bater no  curioso quintal  da  sua residência, na Travessa Vitória, bairro Montanhês, no Rio Branco, capital do Acre.

O "tempero" de Dona Darlene foi descoberto no fim da tarde de quinta-feira (06), quando policiais encontraram plantados, no quintal da sua casa,  pés de maconha com mais de um metro de altura.  Dona Darlene acabou  presa, junto com uma adolescente de 17 anos. 

Na Delegacia Central de Flagrantes, Dona Darlene confessou que não sabia que aquilo era um pé de maconha: “Eu pensei que fosse pé de coentro”, disse a dona de casa, que agora está comendo o pão que o diabo amassou no xilindró. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ouça e sinta o que vier

"Quando se ouve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá" (Samuel Howe). E  dá vontade de cantar também, mesmo que desafinando, e de dançar e de chorar e de compartilhar... Na nossa nova página de música compartilhamos vídeos com apresentações que nos provocam esses e muitos outros sentimentos. 
Rita Tavarez

Nossa seleção começa com uma canja da cantora baiana Rita Tavarez, cantando 
"Não vou pra casa".

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O plebiscito na Colômbia: uma oportunidade perdida – por Atilio Boron


Numa decisão apertadíssima e com uma abstenção récorde, os colombianos disseram NÃO aos acordos de paz. “Por que? Algumas hipóteses deveriam apontar, em primeiro lugar, a baixa credibilidade que têm na Colômbia as instituições políticas, corroídas desde longo tempo pela tradição oligárquica, a penetração do narcotráfico e o papel do paramilitarismo”. Continue lendo  artigo de Atilio A. Boron – reproduzido do seu blog e traduzido por Jadson Oliveira.  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Depois não venha reclamar

Já que a moda é usar power point, recorri ao programa preferido de professores universitários para destacar uns números reveladores do maior fenômeno das eleições municipais, realizadas ontem em todo o país. 




Cientistas políticos atribuem muitos fatores para a omissão de eleitores que não comparecem às urnas, que votam em branco ou que anulam o voto. Chamam de desencanto com a política, protesto contra os maus políticos e a corrupção, recado aos partidos políticos sobre suas práticas. Fico com Platão.




quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Pesquisa secreta, mas nem tanto, aponta segundo turno



Pra não dizer que não falamos de eleições (a três dias da realização do sufrágio municipal), vou reproduzir as informações trazidas por Assuntinha, que acabou de adentrar à sala fazendo alvoroço por causa de uma tal pesquisa que teve acesso. Vamos aos números:

Neto 43% -  25
Alice 28%  - 65
Isidoro 8% -  12
Cláudio Silva 5% -  11
Célia 2%  - 54
Da luz 1% - 28
Nulo 6%
Indecisos 7%

Que venha o segundo turno! Gritou Assuntinha balançando o pedaço de papel com suas anotações. Não confiamos em Ibope! Vai ter segundo turno, repete aos pulos. Quem fez essa pesquisa? A figura diz que não pode divulgar a autoria porque não foi registrada no TRE, mas a metodologia aplicada é segura. Será?  Como não foi registrada e foi realizada apenas para orientar campanha, fica difícil confirmar, né Assuntinha? Mas a criatura bate pé firme que a pesquisa é real e que vai desmascarar o Ibope. 

Fato é que o Ibope vem errando feio nas últimas eleições, observa a colaboradora aloprada, mas nem tanto. Enumerando com os dedos da mão esquerda, vai  citando: "2006, quando Paulo Souto ganhava no Ibope, quem levou foi Wagner, 2010 novamente. Em 2014, Paulo Souto tinha 58%  pelo Ibope, mas quem ganhou no primeiro turno foi Rui Costa. Agora o Ibope afirma Neto com 68% e as tais pesquisas internas afirmam SEGUNDO TURNO!", agita-se.

Façam suas apostas. 

enquanto isso no Palácio do Planalto...


terça-feira, 27 de setembro de 2016

É preciso ter poder de fogo para enfrentar a Globo



Por Jadson Oliveira – jornalista/blogueiro 



Enquanto dezenas de intelectuais denunciam mais uma vez os abusos - “Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro?” -, a campanha eleitoral segue impávida. E com um toque sensacional: o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, antecipa mais cacete no PT num comício do PSDB. 

Um dia desses topei com uma senhora num shopping daqui da nossa capital desancando o petismo/lulismo, o que não é bem uma novidade digna de registro. O que me despertou para a fervente catilinária da mulher – supostamente com certo nível de conhecimento, já que é aposentada do INSS, onde chegou a exercer cargos de chefia – foi a inacreditável tese que defendeu. Continuar



Je veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur

Zaz é o nome artístico de Isabelle Geffroy
Tem um meme hilário que rola na internet, bem a minha cara, com uma figura toda enrolada de cachecol ao lado da Torre Eiffel, que diz assim: "Vontade de ir a Paris igual ano passado... Ano passado também não fui, mas tive vontade" (rsrs).

Eu também nunca fui a Paris, mas morro de vontade todo ano! Talvez por isso também o meu encantamento ao ver esse vídeo que compartilho aqui, gravado às margens do rio Sena. 

Com esta canção "Je veux", tema de seu primeiro album, lançado no mercado em 10 de maio de 2010, a cantora francesa Zaz, mescla musica francesa com o gypsy jazz. Ficou show!

Depois de ver isto, voltou aquela vontade do ano passado.


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