Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Nos 71 anos do eterno Presidente Lula



Por Urariano Mota


Nestas mais recentes horas, nesta altura da sua vida, quando se trama a prisão do maior presidente brasileiro, quando a sua grande obra de inclusão social e desenvolvimento do Brasil procura se fazer esquecer, saúdo aqui do meu canto os fecundos dias do eterno presidente do Brasil.

À minha maneira, nesta quase homenagem, pesquiso e o recupero em 4 momentos.

Num primeiro, me vêm as fotos de Lula na imprensa, quando ele padecia de câncer. Ali, com os cabelos e barba raspados por dona Marisa, a primeira coisa que vinha na gente era um choque. A intimidade de Lula com o povo brasileiro era, é de tal sorte,  que vê-lo nesse estágio de luta contra o câncer era o mesmo que rever um amigo caído em um leito de hospital. Depois, quando a gente atentava bem para a sua face, a sorrir, brincalhão, como a nos dizer “eu ainda vou provar um caldinho de feijão com cachaça no Recife, não desesperem”, batia na gente uma simpatia pelo homem provado pela dificuldade desde a infância.

Mais adiante, a foto despertava a reflexão de que a partir dela muitos brasileiros poderiam retirar do câncer o aspecto macabro, definitivo e definidor, como até hoje todos o vemos.  Lula, na foto, estava a nos sorrir e nos puxar para cima, “enfrentem, nada está definido, vamos adiante”. Se tudo fosse em vão, só a sua imagem deveria receber prêmio dos institutos de oncologia, porque deixava em todos a luz da esperança.

No segundo momento, quando pela primeira e última vez um presidente da república foi ao bairro onde nasci, que os “bem nascidos” do Recife chamam de periférico, o bairro de Água Fria. Lembro que súbito houve um estouro, não de fogos, nem de boiada. Houve um rumor que cresceu, que se tornou incontrolável, que mais parecia um orgasmo coletivo. Sofrido, querido e esperado. “É Lula! É Lula!”. Todos gritavam. Os berros se faziam ouvir mais alto, ensurdecedores. Mulheres, meninos, homens chamavam a atenção do Presidente, queriam chamá-lo, e ele não sabia para que lado se dirigir. Na hora uma ideia tenebrosa me ocorreu: se caísse um raio ali, todos morreriam felizes. Mas essa ideia não atingiu palavras. Lula veio para o nosso lado. Era ele que avançava para o círculo estreito onde todos lhe queriam tocar a mão. Aos gritos. Aos prantos. Aos empurrões.

A última vez em que vi algo semelhante em Água Fria havia sido em 1965, no último dia de carnaval. Tocou Vassourinhas e não havia força que contivesse o gozo da multidão em fúria.  Lembro. E mais lembro das  coisas mais duras da sua vida. Por exemplo, quando o Lula menino pegou da boca de um colega o chiclete mascado. Ou a intensidade da dor de ver a mulher falecer de parto,  como tantos pobres do Brasil veem, e jamais têm a sua dor expressa. Não sei por quê, mas no sudeste e sul do país se perdem a dimensão de que Lula, o personagem, o político, é maior que o PT, é maior que o sindicalismo, porque ele vem com a força da história, como uma encarnação da força que o povo tem, dos muitos severinos, joões, marias e lindus.

Em um terceiro momento, quando Lula recebeu o prêmio de Doutor Honoris Causa na França. Lembram? Eu lembro: um dos jornalistas brasileiros, perdão, nascido no Brasil, quero dizer, perguntou ao diretor do Instituto e Estudos Políticos de Paris que concedera o título a Lula:
“Era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro?”. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não constava em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: “Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República”. E chorou.

“Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?”, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro, perdão, nascido no Brasil eu quis dizer, perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de “irmão” a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings os observou com atenção antes de responder: “As elites não são apenas escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

No quarto momento, quando se despediu da presidência, à noite no Recife. Ao fim do seu discurso as pessoas se retiravam, alheias aos espetáculos gratuitos de música que viriam a seguir, porque o ápice do drama naquela noite já havia sido atingido: o presidente lhes falara que do seu destino um homem não desiste. Que nada pode ou não deve estar definido antes da luta em razão de renda, lugar, sexo ou raça. 
Hoje, nos seus 71 anos, me ocorre deixar um conselho à direita e representantes que o odeiam:  não queiram tanto mal a Lula, porque se as suas pragas pegarem, o mal lhes volta três vezes. Quanto mais desgraças, problemas ou pequenas tragédias ocorram a esse homem, mais ele crescerá como pessoa e político. Respeitá-lo, gostar da sua história seria mais sensato. Não sejam loucos de querer a sua prisão, a sua desonra, a sua morte morrida ou matada entre dores, tragédia ou tiros. Pois se tal acontecer, vão ter que conviver o resto das suas vidas com um São Lula. Imaginem o que seria render-lhe graças em todos os terreiros e templos do Brasil, aturá-lo na música popular, nos frevos e escolas de samba. Os loucos e raivosos estarriam preparados? Melhor desejar a Lula o que a maioria do povo agora lhe deseja: força,  eterno Presidente. Parabéns nos seus 71 anos. Tamo junto e misturado.


Reproduzido do GGN

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Redução no teto salarial de políticos e magistrados evitaria corte na verba da saúde e educação




A receita para economizar mais de R$ 700 milhões em apenas um ano, sem cortar verbas para a saúde e a educação, é bastante simples, segundo os cálculos da professora aposentada Minervina B. Leite, que enviou carta aberta ao presidente  Temer Golpista, sugerindo o envio, ao Congresso Nacional, de uma PEC que corta gastos dos políticos e burocratas dos três poderes. 

A proposta de Dona Minervina, que tem 79 anos e atuou como professora de matemática por mais de duas décadas na Rede Estadual de Educação da Bahia, estabelece teto de remuneração dos governantes e parlamentares federais, estaduais e municipais, assim como dos magistrados, conforme  lei que institui o piso nacional dos professores.

"Vou provar ao presidente que é possível fazer economia sem passar a tesoura nas verbas da saúde e educação, bem como nos salários dos servidores públicos de todo o país", ensina a professora, advertindo contudo a necessidade de dispensar os banquetes nababescos oferecidos pelos golpistas, como os que fizeram para aprovar na Câmara de Deputados o pacote da Maldade contido na PEC 241.


Eis a proposta da professora:



Excelentíssimo Senhor Michel Temer, Presidente da República,


Dado que o senhor, desde que assumiu ilegitimamente o governo, só fala em cortar gastos públicos em saúde, educação e salários do funcionalismo do país, proponho que assuma a proposta de PEC que apresento abaixo. Mas não gaste dinheiro em banquetes para tentar aprová-la. Faça mesmo por Medida Provisória com validade de 20 anos.

Artigo 1º: Este Projeto de Emenda à Constituição regulamenta o teto salarial de todos os ocupantes de cargos eletivos no país do Legislativo e Executivo, bem como dos mais altos mandatários do Judiciário e demais burocratas comissionados destes três poderes.
Parágrafo Unico: O teto salarial de governadores, presidente da república, vereadores, deputados, senadores, ministros, juízes, desembargadores e demais burocratas de que trata o caput do artigo acima deve ser pago de acordo com a Lei Federal 11.738/2008, que instituiu o piso nacional dos professores.

Artigo 2º: Quaisquer vantagens além do teto salarial estabelecido ao pessoal enquadrado no Art. 1º devem ser calculadas com base no que é concedido aos profissionais do magistério da educação básica pública de estados e municípios.

Parágrafo Único: Por vantagens, entenda-se auxílio-transporte, merenda parlamentar ou outras.
...
Presidente, análise preliminar feita por mim indica que, só com cortes de mordomias e altos salários na Câmara dos Deputados, é possível economizar mais de R$ 700 milhões em apenas um ano. Por isso, leia essa proposta de PEC com atenção, por gentileza.

Minervina B Leite
Salvador, 18 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os petistas e a busca de armas para a batalha midiática


 
A altivez de Lula no vídeo “me respeitem para que eu possa respeitar vocês” em meio ao debate para disputar a hegemonia nas mentes e corações dos brasileiros: uma folha de papel para circular entre a militância, uma rede nacional na Internet, a construção de meios tradicionais e digitais, vale tudo para resistir à avassaladora campanha anti-petista. Leia artigo de Jadson Oliveira

Convenção das bruxas




Michel Temer oferece banquete para assegurar votos 
e aprovar a PEC 241, que congela
investimentos na saúde e na educação.
Aí, você sai com o (a) companheiro(a) para jantar num puta restaurante, pede a comida mais cara do cardápio, bebe uísque pocado e, lá para tantas, já embalados pelo clima da noitada, finaliza aquele acordo para reduzir as despesas em casa, porque a crise não tá fácil. Afinal, não foi pra isso que se reuniram fora de casa? Resolvem então que o melhor é cortar a despesa com escola das crianças. Aliás, para que estudar, né? Tira logo da escola. Também é melhor parar o tratamento da mais velha, que não tem doença nenhuma! É tudo invenção mesmo essa dor que ela diz sentir. Pronto, agora dá para economizar e ajustar o orçamento. Não está acreditando em tamanha maldade? Acha que é coisa de vilã de ficção? Pois então veja:

Depois que o presidente golpista Michel Temer ofereceu  vinho, carne com risoto de funghi, salmão, massa e salada para mais de 200 deputados e suas respectivas esposas, numa cartada final para assegurar votos e aprovar a PEC 241, que congela investimentos na saúde e na educação, ontem rolou mais um banquete em Brasília. Este foi para articular a votação da PEC da maldade em segundo turno, prevista para esta terça-feira. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Argentina: regresso ao mundo – por Alfredo Zaiat


19/10/2016
Não existem muitos países que no atual contexto econômico mundial abram seus mercados sem pedir nada em troca. A Argentina de Macri o faz e com fanatismo. Facilita o ingresso de produtos dos Estados Unidos, Brasil, Ásia e Europa que rapidamente substituem a produção nacional. Leia a tradução do artigo de Alfredo Zaiat feita por Jadson Oliveira 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Come maconha feito coentro!


Maconha no feijão, maconha no assado, maconha no ensopado, maconha na sopa. Comendo maconha feito coentro!


Isso até parece sonho de maconheiro, mas é rotineiro na casa de  Darlene Nogueira de Lima, de 44 anos.   Ou pelo menos era, até a vizinha invejosa, que nunca foi convidada para uma refeição doidona dessa,  denunciá-la, e a polícia  bater no  curioso quintal  da  sua residência, na Travessa Vitória, bairro Montanhês, no Rio Branco, capital do Acre.

O "tempero" de Dona Darlene foi descoberto no fim da tarde de quinta-feira (06), quando policiais encontraram plantados, no quintal da sua casa,  pés de maconha com mais de um metro de altura.  Dona Darlene acabou  presa, junto com uma adolescente de 17 anos. 

Na Delegacia Central de Flagrantes, Dona Darlene confessou que não sabia que aquilo era um pé de maconha: “Eu pensei que fosse pé de coentro”, disse a dona de casa, que agora está comendo o pão que o diabo amassou no xilindró. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ouça e sinta o que vier

"Quando se ouve boa música fica-se com saudade de algo que nunca se teve e nunca se terá" (Samuel Howe). E  dá vontade de cantar também, mesmo que desafinando, e de dançar e de chorar e de compartilhar... Na nossa nova página de música compartilhamos vídeos com apresentações que nos provocam esses e muitos outros sentimentos. 
Rita Tavarez

Nossa seleção começa com uma canja da cantora baiana Rita Tavarez, cantando 
"Não vou pra casa".

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O plebiscito na Colômbia: uma oportunidade perdida – por Atilio Boron


Numa decisão apertadíssima e com uma abstenção récorde, os colombianos disseram NÃO aos acordos de paz. “Por que? Algumas hipóteses deveriam apontar, em primeiro lugar, a baixa credibilidade que têm na Colômbia as instituições políticas, corroídas desde longo tempo pela tradição oligárquica, a penetração do narcotráfico e o papel do paramilitarismo”. Continue lendo  artigo de Atilio A. Boron – reproduzido do seu blog e traduzido por Jadson Oliveira.  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Depois não venha reclamar

Já que a moda é usar power point, recorri ao programa preferido de professores universitários para destacar uns números reveladores do maior fenômeno das eleições municipais, realizadas ontem em todo o país. 




Cientistas políticos atribuem muitos fatores para a omissão de eleitores que não comparecem às urnas, que votam em branco ou que anulam o voto. Chamam de desencanto com a política, protesto contra os maus políticos e a corrupção, recado aos partidos políticos sobre suas práticas. Fico com Platão.




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