Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ano indecente!


Mandar 2016 tomar no cú, que nem fizeram os quatro rapazes do programa de TV, Papo de Segunda, numa daquelas divertidas apresentações cantando e tocando qualquer coisa a ver com a temática do dia. O povo entrevistado nas ruas para o programa dessa última segunda-feira do ano quis dizer isso, em outras palavras mais educadas.
O sentimento geral na telinha e ao nosso redor é esse: eita ano ruim dá porra!
O ano em que o Brasil deu pra trás, que o mundo deu pra trás, com o retorno da xenofobia e de política contra imigrantes, com a ascensão dos que representam o conservadorismo,   o atraso personificado no presidente eleito estadunidense e imperialista, Donald Trump! Aqui, com o golpe para tirar uma  presidente contra a qual não se tinha crime a acusar. Na verdade um golpe contra  o projeto político de inclusão social e garantia de direitos trabalhistas para dar lugar a um plano demolidor, que começou mexendo nos investimentos sociais do rendimento do Pré Sal e seguiu recheado de PECs (emendas constitucionais) de pura maldade,  que cortam  por vinte anos os investimentos em educação e saúde ( e o golpista do Temer ainda teve a cara de pau de dizer na noite de Natal, em cadeia nacional de TV, que investirá mais do que nunca em saúde!); de tempo de contribuição e idade para aposentadoria impraticável para o trabalhador; e agora outro duro golpe em curso para retornarmos aos tempos de escravidão, com nova PEC para aumentar a carga horária de trabalho e retirar outros direitos.
É a elite brasileira e os interesses internacionais de mercado com a sua fome de lucro avançando de forma voraz, capitaneada aqui pelos partidos políticos que claramente os representa, tendo como protagonistas dessa trama miserável  o PMDB e o PSDB.
Aí os coxinhas que foram às ruas como massa de manobra pedir o impeachment, achando que estavam lutando contra a corrupção e que sairiam da crise econômica num piscar de olhos, ficaram estatelados. Nem  conseguem reagir com tanta surra! Aliás, voltando ao hilário Papo de Segunda,  os memes exibidos não perdoaram os coxinhas inocentes úteis! Um dos integrantes do quarteto, João Vicente, chegou a dizer que eles tiraram uma presidente eleita para colocar um golpista “safado” ( usou esse termo mesmo!) e tomaram porrada na cara. Cômico se não fosse triste.
Poderia citar somente os fatos políticos, que foram o suficiente para mexer com toda a nação o ano inteiro, mas ainda chegamos ao final  abalados com o trágico acidente que matou quase o time inteiro de Chapecó.
Agora estamos aqui, em contagem regressiva, ansiosos para encerrar o famigerado 2016, como se isso fosse o suficiente para resolver nossos problemas, tal qual os coxinhas!
Tá bom! Não resolve, mas há que se crer que essa passagem de um ano para o outro serve para recuperarmos as energias e recarregar as baterias para enfrentar a luta que virá.
Então, vamos gritar em alto é bom som:
Tomar no cú, 2016!
Joana D'Arck

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Stédile: “Não conseguimos construir nossos próprios meios de comunicação de massa”


As mentes e corações dos brasileiros, há décadas, estão submetidos ao massacre incessante dos noticiários manipulados e visões de mundo vomitados pelas forças de direita, através da Globo e demais monopólios da mídia hegemônica. Leia artigo de Jadson Oliveira

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Uma enciclopédia ambulante sobre Lampião e o cangaço

José Bezerra Lima Irmão,
 autor do livro ‘Lampião, a Raposa das Caatingas’
(Foto: Jadson Oliveira)

Por Jadson Oliveira

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

De Salvador-Bahia – Parece inevitável. Uma discussão sobre o Rei do Cangaço e o cangaceirismo desemboca na interrogação recorrente: o “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, que aterrorizou o Nordeste brasileiro durante 17 anos, na primeira metade do século passado, foi bandido ou herói?

Isso aconteceu mais uma vez no último dia 26, na Faculdade de Arquitetura da UFBa, em Salvador, onde intelectuais baianos debateram o tema a partir da avaliação do livro ‘Lampião – a Raposa das Caatingas’.

O autor, José Bezerra Lima Irmão, foi taxativo: “Nem bandido nem herói, foi um cangaceiro”. Advertiu que a pergunta é a mais tola que se possa fazer e é simplória qualquer resposta dada às pressas.

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim, situando-o nas dimensões dos espaços físico e temporal, é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

Este trechinho copiei da parte inicial do livro, um camalhaço (no bom sentido) de 736 páginas de letras miúdas. E dá o tom do conteúdo da exposição de José Bezerra para as pouco mais de 20 pessoas que foram ao encontro (uma pena tão pouca gente!).

Talvez não fosse necessário frisar que o autor deu uma mostra do seu conhecimento enciclopédico sobre o assunto, adjacências e contexto – Guerra de Canudos e outros levantes populares, coronelismo, violência, injustiças sociais, religiosidade, falta de instrução, vinganças familiares, luta “braba” pela terra e pela sobrevivência, ausência do Estado, mandos e desmandos dos coronéis, dos jagunços, da polícia e, óbvio, dos cangaceiros.

Sobre tudo isso, José Bezerra mostrou que sabe tudo, pode-se dizer sem medo do exagero. Tanto que o reconhecido escritor baiano, Oleone Coelho Fontes (autor, dentre outros livros, de ‘Lampião na Bahia’, já na décima edição), não hesitou em declarar que Bezerra esgotou o tema.

A estrutura social da época explica o fenômeno

Oleone, aliás, tem uma opinião bastante diferente da de Bezerra. Proclama com toda eloquência que Lampião foi um bandido, simplesmente assim, um bandido sanguinário. Invoca a favor de sua posição as inúmeras testemunhas ou contemporâneos dos fatos que entrevistou para escrever seu livro.

Presente ao encontro, Antonio Olavo, cineasta/documentarista baiano, mostrou-se afinado com grande parte da visão apresentada por Bezerra. Disse que respeita vozes diversas, mas discorda de enfoques como o de Oleone, frisando o fenômeno da reação dos cangaceiros frente a uma situação política, econômica e social marcada pela injustiça e violência.

O cenário natural de tal situação era a tirania capitaneada pelos coronéis e chefes políticos, que tinham a seu serviço jagunços e policiais, além de autoridades como delegados, juízes e padres.

Já os organizadores do debate, o professor Edmilson Carvalho e Jorge Oliver, velhos militantes do campo das esquerdas, defenderam a necessidade e a relevância do aprofundamento de tal discussão, levando em conta principalmente que as verdadeiras causas do cangaceirismo residem na estrutura social e política da sociedade de então.

Bem, é preciso dizer que José Bezerra, um sergipano que vive em Salvador, é auditor da Receita estadual, com 70 anos, ainda não aposentado. Passou 11 anos atolado nas pesquisas, usando finais de semana, feriados, férias, licenças (preciso lhe perguntar como sua família aguentou, ou não aguentou?), com mais de 30 viagens pelos sete estados nordestinos por onde andou Lampião obrando suas controvertidas e famosas proezas.

PS: Edmilson Carvalho comentou que se trata duma obra “monumental”, que começou a ler as mais de 700 páginas, formato grande e letras miúdas, e só sossegou quando acabou. Eu já cheguei à página 85 e está até me atrapalhando, pois tenho outros afazeres e, infelizmente, não posso ficar o tempo todo na leitura. Um conselho: compre o livro. Em Salvador, pode ser encontrado na Saraiva (Salvador Shopping). Ou entre em contato com o autor por e-mail: josebezerra@terra.com.br

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