Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sábado, 28 de novembro de 2009

Cada foca tem seu mico de estimação

Jadson Oliveira

De La Paz (Bolívia) – Atenção, Mônica, como fui, involuntariamente, o provocador para que nossa companheira Jaciara Santos revelasse seu mico (no seu blog aqueimaroupa.com.br Jornalismo com segurança), me sinto moralmente forçado a revelar o meu.

No início de carreira como repórter da Tribuna da Bahia (comecei em outubro/1974), estive um dia, cumprindo uma determinada pauta, com um secretário estadual de Saneamento (não me recordo o nome). Ele então comentou comigo sobre uma rachadura numa barragem. O foca aqui, de olho na pauta do chefe de reportagem (José Barreto de Jesus, o querido Barretinho, ou talvez, Paulo Roberto Tavares, o nosso Paulo Bunda Podre), nem tomou conhecimento do “furo” que o secretário estava lhe dando de bandeja.

Pois bem. Logo em seguida – um dia ou dois depois -, a própria Tribuna da Bahia abre manchete de primeira página com a tal rachadura da barragem. Matéria de Silveira, Silveirinha, o repórter que mais dava manchete na Tribuna no meu tempo de foca (depois ele se transferiu para o Correio, morreu cedo, creio que de tanto tomar cafezinho e fumar).

Eu vi a manchete, li a matéria, morrendo de vergonha. Não comentei nada com ninguém. E ninguém comentou nada comigo. Pensei aliviado: ou o secretário não comentou minha cagada com Silveira, ou se comentou, Silveira foi muito discreto, graças a Deus! Acho que estou tocando neste assunto agora, 35 anos depois.

6 comentários:

Joana D'Arck disse...

Falando de mico de foca, também tenho uma história parecida, Jadson. Foi no Correio da Bahia, cobrindo as rotineiras filas do leite disputado na porta da Ebal por conta dos efeitos colaterais do Plano do ex-presidente José Sarney, que ao congelar os preços provocou o sumiço de alguns produtos. Eu, muito jovem e iniciante, fiquei deslumbrada com a queixa geral das mães nas filas, sobre a qualidade do leite que conseguiam comprar depois de horas nas filas. Pior: elas afirmavam que o leite estava provocando diarréia nas crianças. Achei isso o máximo.

Depois de ouvir as mães fui à Ebal entrevistar o então superintendente, Alexandria, aquele falastrão que chamou ACM de pederasta passivo e acabou perdendo o cargo. Pois então, sem papas na língua, ele acusou a Nestlé de boicotar o plano e sumir com o leite, mas disse isso com tanta naturalidade e sem dar ênfase, que achei que ele já havia dito antes. Fora que eu já estava entusiasmada com história da diarréia (rsrs) e abri a matéria com isso. No dia seguinte vi minha matéria destacada na manchete, mas o texto era outro. Recebi de Muricy, chefe de reportagem, o original rabiscado pelo então editor de Cidade, o saudoso Vanderley Carvalho, com um bilhete em anexo explicando que eu havia conseguido uma grande denúncia e não soube valorizar. Muricy olhou pra mim e perguntou: “Você tem filho?”. Diante da minha negativa, completou: “Deve ser isso, a sua falta de experiência para saber que leite só dá diarréia se estiver estragado”. Quase morri de vergonha.

Mônica Bichara disse...

Pilha Pura dando uma de divã de analista, botando o velho Jadson pra exorcizar um mico de 35 anos.

Já que é pra contar mico, lá vai um king kong:

Peguei uma pauta no Jornal da Bahia, acho que 85 ou 86, pra entrevistar o então diretor do Ipac, Vivaldo Costa Lima, no Solar Ferrão, no Pelô. Só que no mesmo dia o jornal tinha publicado um artigo metendo a bomba nele e eu nem tinha lido. Cheguei toda me achando porque tinha recebido uma carta recente, endereçada à direção do jornal, destacando minha matéria como a melhor cobertura da reinauguração do Solar Ferrão. Quando entrei na sala, cheia de gente, o infeliz me apontou chamando de analfabeta e dizendo que não ia me dar entrevista nenhuma. Em estado de choque, só fazia chorar e fui socorrida pelos funcionários de lá que me conheciam e me explicaram o motivo da cólera da criatura, que era chegada a umas fechações. Mas o estrago estava feito e eu não tinha mais a mínima condição de cumprir a pauta.

Aliás, na época do JB acho que tinha um complô contra mim.

Toda esquerdinha e defensora da classe trabalhadora, fui feliz da vida cobrir uma assembléia de taxistas, num terreno próximo ao Iguatemi. Mais uma vez fui recebida com quatro pedras na mão, literalmente. Eu, um fotógrafo também foca chamado Sérgio e o motorista Azambuja. Os caras chutavam o carro, pra não deixar a gente descer. Descemos e quase fomos surrados. Fizeram uma roda e nós ficamos no centro ouvindo todo tipo de proposta, incluindo fazer a gente engolir o jornal.
Essa foi por culpa de um artigo de Arnaldo Oliveira, que assessorava o Detran e várias entidades ligadas ao setor de transporte, incluindo o Sindicato dos Taxistas. Ele meteu bronca no movimento, que era de oposição.

Dica para os novos focas (viu, Tais e Hanna?): nunca saia da redação sem ler todo o jornal, tim-tim por tim-tim.

Jaciara Santos disse...

Ah, meninas, adorei a sessão 'olha o mico que eu paguei', que tal criar uma seção específica? Além daquele que Jadson me fez contar, tenho uma boa criação de macaquitos da época do saudoso Jornal da Bahia pra fazer cócegas na galera...

Bina disse...

Sêo Jadson. Aproveito o Pilha Pura para convidá-lo para o lançamento dos próximos livros da coleção Gente da Bahia, dia 15, às 16h30, aqui na AL. Araka andou me dizendo no aniversário de Nestor, sábado, em Itacimirim, que você tá de chegada justo nesse dia. Portanto, caso a informação seja vera, adiante seu lado para aparecer porque nesse bolo tem uma cereja: Dois dos cinco volumes foram escritos por Fabiano Oliveira – "Dom Timóteo, a Força de um Abade Amoroso", e "Nélson Carneiro, um Parlamentar a Frente de seu Tempo".
Não bastasse isso sairão também livros escritos, respectivamente por Biaggio Talento e Luiz Alberto Couceiro (Edison Carneiro), Otto Gordo e Barretinho (Mestre Pastinha) e Cláudius Portugal (Juarez Paraízo".
Festa grande companheiro, aliás, autor de pelo menos uma contracapa, portanto, vá dando seus pulos que o tempo voa.

Mudando de assunto, voltando aos 47 anos de Nestorzão, por lá o Araka soltou a voz cantando o hino do glorioso Esporte Clube Bahia e músicas dos Novos Baianos. Deu um show à parte. No mais uma reunião da velha guarda de coleguinhas: Leonel Rocha, Paolo Marconi, Vita, Zé Raimundo, Renato Molequeira, Tasso, Zé Bonfim, Rejane, Demósthenes, Raul, Libório...e por aí vai.
Recado dado, estou esperando. Um beijo.

EM TEMPO: É óbvio que o convite para o lançamento desses livros é para os pilheiros em geral.

Jadson disse...

É isso aí, companheiras de velhas jornadas jornalísticas e outras, Joaninha, Mônica, Jaciara, creio que acertei em cheio no título "Cada foca tem seu mico de estimação", só que às vezes são vários micos...
"Chefe" Bina, teu carinhoso convite tocou meu coração (bastante maltratado pelo tal mal da altura de La Paz e também pelo frio), mas só vou chegar aí um pouco depois. Espero que apareçam outras oportunidades, no verãozão baiano, para abraçar os amigos. Sei que não é a mesma coisa, mas estarei bem representado por Fabiano aí no lançamento dos livros.
Abraços e beijos, creio que no final de semana, depois do dia 15, poderemos tomar umas no bar de David (se o imponderável não atrapalhar).

Joana D'Arck disse...

Boa idéia Jaci, estou enviando convite para você integrar a nossa equipe e postar aqui os seus macaquitos e o que mais der vontade.

Jadson,a sua "confissão" agradou geral e agora não pode mais parar. Conte tuuuuuuu-do!

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