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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

terça-feira, 20 de novembro de 2012

CULTURA E VIAGEM - FEIJOADA & CASSOULET


  A  delícia de visitar outros lugares e conhecer costumes diferentes, sob o olhar do professor baiano Jorge Lisboa, Mestre em Sociologia,  que fala especialmente da cultura francesa.
  
(Jorge Lisboa)

Festival de Cornouaille em Quimper - foto Jorge Lisboa.
Inequívoca expressão da sensibilidade e criatividade humana, o lusitano Fernando Pessoa, no século XIX, convencido das inúmeras vantagens acumuladas por todos aqueles que abraçam o hábito de viajar, preconiza a integração das sociedades sugerindo poeticamente: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Acompanhando a inspiração do poeta, podemos dizer que viajar não se reduz à simples ação de se deslocar no espaço geográfico, mas constitui a realização de um desejo particular de experimentar diretamente lugares e coisas que nos interessam. Significa, salvo necessidades especiais, transportar-se espontaneamente movido pela esperança de novas descobertas, literalmente  ir ao encontro do outro, do desconhecido, do diferente.

"Viajar nos permite ampliar as nossas simpatias e nossa imaginação, nos faz despertar para ambientes culturais diferentes do nosso..."

Viajar é, por isso mesmo, uma das coisas mais gratificantes que o ser humano pode desfrutar para melhorar a sua existência. Sendo assim, aproveito o momento para refletir sobre a experiência de viver em outro país e reforço a recomendação do poeta português. Implicitamente, buscando encorajar os espíritos aventureiros, com grande entusiasmo digo que nada pode superar a recompensa de conhecer outras terras, outras sociedades, outras culturas.
Festival de Cornouaille - em Quimper- França - Foto Jorge Lisboa
Não é nenhum exagero afirmar que toda viagem vale à pena tão somente pela memória do percurso. Não há dúvida que a troca de experiências praticada numa viagem é muito mais enriquecedora do que os registros feitos por meio de anotações, fotografias, vídeos, etc. As viagens, pelas oportunidades de interação disponibilizadas, podem oferecer aos indivíduos um importante enriquecimento do seu patrimônio cultural. Viajar nos permite ampliar as nossas simpatias e nossa imaginação, nos faz despertar para ambientes culturais diferentes do nosso, se ouso dizer, nos engrandece porque nos acrescenta práticas comportamentais desenvolvidas e aprimoradas por grupos que vivem de maneira diversa daquela que conhecemos. 
bouillabaisse
O ganho é inquestionavelmente muito grande! Imaginem quanta descoberta pode uma memória guardar de uma visita a outro país, outra sociedade.  E as viagens científicas? Ainda que com bastante freqüência gerem infinitas controvérsias, é inegável a colaboração delas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das ciências, das artes e das civilizações.  Os exemplos de Paul Gauguim, Júlio Verne, Lévi-Strauss, João Ubaldo Ribeiro, Milton Santos e Oscar Niemeyer, pelas inestimáveis contribuições que acrescentam às suas respectivas áreas de atuação, bastam para reafirmar o valor de tais excursões às sociedades humanas.
bouchon_boudin_noir
" A França, por exemplo, país onde estudei e vivi por algum tempo, apresenta muitos elementos que podem facilitar a integração do brasileiro que por lá se aventure".
Além da validade cultural das viagens, o assunto me interessa em particular, pois desconsiderando os inconvenientes de adaptação: clima, idioma, alimentação, etc, viver em outro país pode proporcionar ao indivíduo significativa amplitude de visão e de espírito. A França, por exemplo, país onde estudei e vivi por algum tempo, apresenta muitos elementos que podem facilitar a integração do brasileiro que por lá se aventure. No aspecto alimentação, muitos pratos se aproximam da nossa condimentada culinária: a bouillabaisse, típica da Provence, lado de Marseille (muito parecida com a nossa moqueca), e o cortejado cassoulet, um autêntico representante do Midi, região de Toulouse, (que lembra a tradicional feijoada).   

cassoulet.
No entanto, se estas especialidades brasileiras e francesas servem para amenizar o difícil período de adaptação, existe uma gama de produtos capazes de obstaculizar a estadia do visitante em terras gaulesas, como: boudin, esgargot e champignon. Todavia, estas questões podem ser superadas, afinal, Brasil e França possuem uma série de afinidades que certamente poderão ajudar aos inspirados e simpáticos viajantes. Brasileiros e franceses sempre demonstram grande cordialidade entre si, sendo esta a substância predominante nas relações entre indivíduos dos dois países.

Nem mesmo as disputas esportivas que envolveram as duas nações durante as últimas copas, França 98 e Alemanha 2006, cujos placares colocam em vantagem o país de Edith Piaf, puderam quebrar os elos que unem os gauleses aos patrícios de Tom Jobim. Por certo, deve haver muito mais elementos para promover a união do que induzir à cisão destas sociedades distintas, mas declaradamente amigas. Os comentários acintosos e infelizes de Thierry Henri, no mundial da Alemanha, “os brasileiros são bons de bola, porque ficam pouco tempo na escola” foram esquecidos rapidamente, pois não merecem sequer ser rebatidos. C`était honteux pour lui (foi vergonhoso para ele) !

Enfim, Brasil e França sabem reconhecer valores mútuos e não poupam homenagens um ao outro. Se considerarmos as inúmeras contribuições compartilhadas, podemos mesmo pensar em certa complementaridade. O desejo de cooperação entre os dois países é irrefutável. Pode-se relacionar as influências acadêmicas, inspirações sobre o pensamento social brasileiro, técnicas profissionais, sítios naturais, doações arquitetônicas (Cristo Redentor), material para pesquisas de todo gênero.
escargot
Os franceses são verdadeiros admiradores da cultura brasileira. Nossos ritmos musicais exercem grande fascínio sobre eles. Sucessos de Chico Buarque, Gilberto Gil, Jorge Benjor, entre outros são executados em emissoras de rádio daquele país.

Reconheço que nem tudo é perfeito quando se trata de contatos diretos entre os indivíduos originários dos países emergentes e habitantes das sociedades industrializadas. Não raramente se percebe discrepâncias no comportamento daqueles que integram as comunidades européias. Porém, penso que a França pode ser um destino agradável para aquele que pretenda aproveitar bem o seu tempo de férias ou deseje aprofundar estudos acadêmicos.
"Afinal, Paris ainda é a capital da moda, da etiqueta, do turismo e das convenções"

Andar pelas margens do Rio Sena, cruzar a Ponte des Arts, descobrir as preciosidades do Museu do Louvre, passear pelo Quartier Latin, contemplar a beleza do Jardim de Luxembourg e subir a colina de Montmartre para degustar um cafezinho aos pés do Sacré-Coeur, faz parte do roteiro dos visitantes. Vale salientar que mesmo o parisiense tendo fama de emburrado, existe na cidade um padrão de atendimento com o objetivo de prestar um serviço de ótima qualidade.

Afinal, Paris ainda é a capital da moda, da etiqueta, do turismo e das convenções. Além disso, transitar pela capital francesa nos da aquela gostosinha sensação do déjà vu porque nós já nos acostumamos a ouvir expressões como: enfant gâté, marionete, femme fatale, petit-suisse, purée, toilette e boulevard, entre outras. Portanto, reforçando  as aspirações dos candidatos a viajantes, repito que as dificuldades menores permanecerão menores toujours. Como diz a canção de Loius Amade e Gilbert Bécaud, ícones da canção francesa: L´important c´est la rose!


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