Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sábado, 12 de julho de 2014

O diabo dos números que marcaram a Seleção Brasileira

Hoje tem jogo. Esperamos. O Brasil disputa o terceiro lugar com a Holanda, mas é visível o desânimo da torcida amarela depois que os nossos amarelinhos "amarelearam"  vergonhosamente na disputa com a Alemanha para a final. Há quem diga nas redes sociais que preferia que a nossa Seleção nem jogasse hoje. Eu penso diferente, sou otimista e continuo torcendo para que, pelo menos, os nossos atletas não repitam o vexame do último jogo.  Também recorro à amiga Juciara  que defendeu no Facebook  que vale mesmo é o espírito esportivo, saber jogar e saber perder. Afinal outras seleções tidas como favoritas, como França, Itália e Espanha foram para casa bem antes. Só que nenhuma levou surra tão forte como a nossa e dentro de casa. 

Com um pouco atraso, peço desculpa ao amigo Jorge Lisboa, mas ainda em em tempo, publicamos aqui a sua visão sobre o fatídico dia da nossa maior derrota.

 Análise 2014

(* Jorge Lisboa de Paula)

Análise, seleção, símbolo, derrota, futebol e trágico são palavras compostas por sete letras, exatamente o mesmo número de gols que a Seleção Brasileira de Futebol levou da Alemanha, em Belo Horizonte, contrariando os bons presságios implícitos no nome da capital mineira. Entretanto, reflexão, que pode ser sinônimo de análise e crítica, nem sempre negativa, contém oito letras, que é soma do escore Alemanha 7 X 1 Brasil. Perdoe a insistência com os números incomodativos, mas este resultado é deveras EXÓTICO em uma semi-final de Copa do Mundo e VEXATÓRIO em se tratando do país que mantém a supremacia nessa modalidade esportiva, porque foi o único a levantar a taça de campeão cinco vezes. Se quisermos admitir, uma desclassificação como essa é aviltante para um povo se acostumou a produzir placares mais confortáveis e se destacou na exportação de craques (jogadores excepcionais) para o mundo inteiro e por isso mesmo, mereceu o título de País do Futebol.  
Mas o que estava acontecendo para que sofrêssemos uma derrota tão implacável ? Por que a nossa atuação foi tão pífia na Copa 2014 ? Onde foi que falhamos ? Por que experimentamos tamanha decepção ? Como poderíamos ter evitado um vexame inusitado como esse ? Por quê, jogando no conforto do nosso domicilio, não nos preparamos para o confronto futebolístico como das derradeiras vezes em que fizemos campanhas brilhantes em solos estrangeiros? A quem concerne responder a estas questões que poderiam ajudar ao Brasil a desviar desse destino fatídico neste mundial ? 
Enfim, para continuarmos nessa perspectiva zagaliana (feita por  Zagalo) desprezando o 13 e pegando o sete que também é cabalístico, podemos dizer que 2014 , 2 + 1 + 4 = 7,  somam igualmente sete gols alemães. O dia da queda, 08/07, coincide com o número de tentos marcados da partida (o jogo, e também a saida e despedida da equipe) 7 X 1 = 8. Assim como, o ano de escolha do Brasil como sede da Copa foi 2007, adicionado aos 7 anos de preparação somam 2014. Detalhezinho importante: o numero de jogos para ganhar o mundial também é 7, entretanto, no sexto confronto, o Brasil foi massacrado em 6 minutos por uma equipe alemã que se preparou para uma revanche pela perda promovida por Ronaldo (sete letras) em 2002. Aliás, o período de organização do campeonato já foi marcado por um sem-número de conturbações, principalmente nos campos políticos e esportivos,  contribuindo enormemente para o desinteresse e afastamento de boa parte dos seus  torcedores sempre aguerridos. Pagamos caríssimo os desacertos,  com este desenlace absolutamente n-e-f-a-s-t-o !
Todavia, a reflexão pode seguir outras rotas de interpretação. Claro que houve um exagero pertinente à nossa condição de amantes do futebol e também da proximidade do evento, por estarmos sediando o campeonato em solo brasileiro. Porém, as pessoas contratadas para dirigir o escrete Canarinho pecaram muitas vezes, não corresponderam às expectativas depositada nelas, foram levianas, pensaram que a sorte e as armações (todas) concedidas na fase inicial seriam suficientes para que alcançássemos um desfecho mais agradável. Erraram absurdamente e o Brasil perdeu feio!   
Tratar com respeito o futebol, assim como as demais modalidades esportivas e também as outras instituições sociais, é  uma qualidade facultativa. Somente penso que quando nos engajamos em um projeto qualquer que seja devemos honrar a nossa palavra, temos que dar o melhor de nós e se assim o fizermos, sairemos vitoriosos, mesmo em caso de xeque-mate. O jogo contra o Chile revelou que nos preparamos mal em todos os sentidos. Ali ficou evidente que a equipe brasileira não tinha mais condições de permanecer no campeonato, as figuras do Felipe Scolari e dos seus selecionados  pareciam completamente perdidas. Não nos preparamos como deveríamos para esta competição que reuniu profissionais habiliosos e também cartolas inescrupulosos como o Sr. Balte.   
No entanto, parece que desta vez deixamos muito a desejar, não fomos nem competentes, nem corajosos, nem coerentes. Negligenciamos na autonomia e entregamos o jogo propriamente dito, porque atuamos ininterruptamente como amadores, sem força e tática.  Portanto, embora considerando o placar tão dilatado assaz humilhante, e lembrando aos ferozes alemães e os seus canhões que não se deve chutar carrocho morto, merecemos a derrota fragorosa de 7 X 1.
Isso serviu para apontar a distância existente entre as duas equipes, em termos de nível técnico e preparação psicológica. Afinal,  os brasileiros disputaram uma Copa em casa, contando com o apoio da sua torcida,  mas não demonstraram estar preparados para os confrontos previstos nas fases elimitórias deste mundial, o chamado mata-mata. Agora que a euforia e as desavenças estão diminuindo, precisamos aproveitar os erros cometidos e as decepções experimentadas para meditar sobre as nossas verdadeiras disposições e competências, visando sempre aperfeiçoar o nosso raciocínio e nossa conduta para melhorar as nossas qualidades, aumentar as nossas possibilidades e aproveitar cada vez mais ética e inteligentemente as nossas oportunidades, para que, futuramente, possamos desfrutar de resultados mais gratificantes em todos os certames que nos dispuserrmos participar. Voilà!


*Jorge Lisboa de Paula é sociólogo formado pela UFBa e mestre em  Espaços, Tempo, Sociedades, Culturas e Viagens pelaUniversité de Perpignan – França. 

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