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Canô a furada.

Santo Amaro da Puraficção. Nem lavagem, nem Canô, samba de roda ou caetanagens significavam qualquer coisa para o grupo de jornalistas e estudantes de direito que iriam passar pouco mais de 24 horas naquele mormaço.
Era um grupo de cabra macho, sertanejo, não aqueles seres recôncavos que entram na roda de mão na cintura, obâ! Bota mão nas cadeiras etâ! Bota a mão no lelelê...cadê você ?
Formavam a turma Arapinga, Irêpinga, Nivaldinho, Rita Birita, Lago Junior, Cara de Rã, Cara de Sapo e Cara de Jia (irmãos batráquios estudantes de Direito e filhos de um desembargador), as meninas Nadja, Manuela e Maria Helena (Irecê City), Mauro, Gim e o nego Senna que tinha mania de pegar em panela quente.
Ida e volta de buzu, almoço e janta nem pensar. Só água. Caninha de Santo Amaro quando era legítima. Não se viu quase nada da festa, nem religioso, nem profano, nem velloso.
Todo mundo enfiado em casa de desconhecidos. Dormiu-se por aí, ou por lá. Eu e José em sofás numa loja de móveis do pai da ex-namorada dele lá.
De lembrança da festa só a cochilada que Lago deu em um tamborete na cozinha da casa de não sei quem, durante a degustação de uma maniçoba. Do que se aproveitou o cachorro da casa para também apreciar a iguaria típica.
E o salvamento de um bebum que dormia debaixo da roda traseira de um fusca em plena praça, quando um outro bebum iniciava uma marcha à ré, embora houvesse muito espaço para a frente.
A volta é que foi coisa. Qual estudantes secundaristas, o povo veio fazendo zoada, talvez pelos tubos de lança que apareceram não se sabe de onde. Na rodoviária de Salvador, pelas 19h, a turma decidiu ir “pro Campo”, de táxi, tomar a saideira.
Fila quilométrica, este que voz fala teve a idéia de furá-la, discretamente, apesar de sermos quase 20.
Pra encurtar a polícia chegou, deu voz e rebarbamos. O primeiro foi grampeado. Manuela gritou e tomou uma broca do puliça. Cara de Rã quase desmaia e José Rodrigues se apresentou : “Jornalista do Jornal do Brasil com carteira da Ordem”. Tudo estágio. E cadê as carteiras? Correu o bolso e nada. Todo mundo detido, chama o camburão.
Conversa vai conversa vem, chegamos a um acordo. A polícia liberava desde que fôssemos a pé até em casa. Nem táxi, nem buzu.
E assim foi feito. Sem lança nem documento, nada no bolso ou nas mãos. Por que não, por que não?

Comentários

  1. Araka, só agora tô sabendo dos antecedentes e do desfecho da desastrada carteirada de Irecê na rodoviária. Só conhecia esse pedacinho da história. Valeu.

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  2. Chegando "no Campo" Quezinha deve ter passado a mão na cabeça dos "minino", que aproveitaram para reabrir os trabalhos. Se duvidar ela ainda serviu uma daquelas sopas de quiabo com massa de lasanha, como se fosse a melhor coisa do mundo. Ê tempo bom, né Arapinga?

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  3. kkkkkkkkkkkkk... Essa foi divertida mesmo Araca. A história e a narrativa. Mas qual o problema de botar a mão nas cadeiras?

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  4. E continuo me perguntando: onde fui amarrar meu jegue, que pecado cometi, que carma ainda tenho de cumprir? Eu, sempre a seco, no meio de uma horda de pinguços. Será sina mesmo...

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