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Leite derramado




Pai rico, filho nobre, neto pobre. Taí uma frase emblemática do livro de Chico Buarque que conta a saga de uma família rica no Brasil, marcada pela decadência.




Eu tinha resistência ao escritor, de tanto que admiro o compositor. Mas encarei e gostei de Leite derramado.




A história é triste, mas tem lá suas passagens bem leves, outras vezes doidonas, como o tesão do velhinho pela namorada do bisneto que tinha "argola espetada no umbigo" e tatuagem acima do cóccix com o nome Jesus Cristo em letras góticas. O ancião ficou doidão pela menina, principalmente quando ela se abaixa e ele vê o rego da bunda dela. E quando ele lembra dela enquanto tomava banho ...




A narrativa de Chico é vibrante e envolvente (tô muito metida a besta mesmo falando desse livro, não é?) . E olha que é um monólogo de um idoso que conta fatos misturando tudo, confundindo o tempo cronológico com o psicológico. Isso no começo do livro dá uma certa impaciência e achei até meio chato, mas depois a gente viaja na cabeça da personagem e aí não quer parar mais de ler.




Esse Chico é o cara mesmo. Só tem um defeito: ronca muito (hehehehehe)






Comentários

  1. Joaninha, até que enfim descobriram um defeito no nosso Chico, eu pensava que o rapaz era sem defeito. Pelo menos um, né? Chegam a dizer (deve ser exagero dos muitos fãs) que até sua separação conjugal foi admirável.
    Falando sério, na minha opinião, os dois últimos livros (Leite derramado e Budapeste) o colocaram muito bem no "ofício" de escritor. Os dois primeiros (refiro-me aos quatro da sua nova trajetória, um é Estorvo, o outro esqueci o título) são bem ruins.
    Como gosto muito do Chico, fiquei feliz com os dois últimos.

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  2. Pelo que ouvi até hoje sobre Estorvo, o título faz juz, porque é enfadonho. Mas nem todos acertam logo no começo e uma nova trajetória. Parece que o nosso herói encontrou o caminho da literatura. E os admiradores agradecem.

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  3. Budapeste, pra mim, é uma pérola. Não consegui ler os anteriores: Estorvo e Fazenda Modelo.
    Vê-se que o nosso querido compositor mamou muito na obra machadiana, até pela maneira como ele se comunica com o leitor.
    Não creio em perfeição, e não procuro as imperfeições em outros contextos, como o pessoal ou particular; mas como compositor, nem se fala, e como escritor, cada vez mais ele se assegura. E viva a nossa língua, quando bem tratada, ou melhor, e viva quem trata bem a nossa língua!
    Antes que o leite derramado se seque, tenho que lê-lo, principalmente depois da indução de Joaninha.
    E quê, Araka, o que é bom tem que ser divulgado, discutido, comentado!

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  4. Engraçado, o ronco dele nunca me incomodou. Nem o chulé. Mas é muito ciumento e pegajoso, me sufoca. bjs
    Ah! Me empresta o livro?

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  5. rsrsr...ô criatura mais antipática esse Arapinga. Só pra não declarar que ainda não leu Chico kkkkkkkkkkkkk

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  6. Elcie, empresta o livro pra Araka primeiro. Acho que essa frescura da porra dele é pura inveja.

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  7. Porque será que os homens morrem de ciumes de Chico?

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