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Fela Day, Fela Week, Fela Forever


 
Aniversário do artista nigeriano Fela Kuti ganha semana comemorativa  em Salvador, de 15 a 21 de outubro
               
                Realizado anualmente em vários países, o Fela Day marca as comemorações pelo nascimento do músico e ativista nigeriano Fela Kuti (1938-1997), em 15 de outubro.  Em Salvador, vários projetos culturais se juntam numa semana de atividades com diferentes ações, mas que têm um objetivo em comum:  promover um grande reencontro com a imagem forte, a música envolvente e com as idéias revolucionárias do pai do afrobeat.
                A programação começa nesta segunda, com o projeto Qual é a da Noite?, que apresenta peças teatrais de temática negra no Sankofa African Bar, no Pelourinho, a partir das 19h. Na ocasião, será reapresentada a peça CÂNCER, do Grupo Ditirambos, que  conta a história de uma conflituosa relação entre um proprietário e seu inquilino. Em cena Du Vado Jr., Jean Pedro e Vinícius Carmezim. Bertho Filho assina texto e direção. Antes da peça, será exibido o dcoumentário Fela Kuti: A Música é a Arma (53'), dos diretores Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori. Após a peça, quem comanda a noite é o Sistema KALAKUTA, com um muito afrobeat, numa homenagem ao músico e ativista nigeriano.
                Amanhã,  o evento ganha a rua, na tradicional roda  de break da Praça da Sé, comandada pelo grupo Independente de Rua . Diante os painéis grafitados nos Fela Days de 2009 e 2010 e embalados pela batida do afrobeat, dançarinos se alternam na roda, que terá microfone aberto para improvisadores do hip hop, ou seja,  do rap free-style, desenvolverem suas rimas na hora. Durante a noite, o grafiteiro Lee27 fará um dos 4 painéis temáticos que comporão uma mini-exposição a ser inaugurada na sexta, durante a Festa Afrobeat . 
                O Sarau Bem Black, que acontece às quartas, também no Sankofa, dá seguimento à programação. Fela Kuti é o tema central da noite, com muita música e poesia tematizando  questões da negritude. Na abertura da noite, será reexibido o filme Fela Kuti: A Música é a Arma. O DJ Joe, residente do projeto, promete uma sequência inesquecível  de músicas de  Fela Kuti - diretamente dos vinis!,  entre uma performance e outra. Do lado de fora do bar, o artista Finho empresta seu talento para a grafitagem do segundo painel temático.
                Temas como pan-africanismo, afrobeat, negritude e o próprio Fela Kuti estarão em pauta, quinta, num encontro entre os envolvidos nas atividades da semana, mas com entrada aberta aos demais interessados. A partir das 19h, acontece a terceira exibição de Fela Kuti: A Música é a Arma, seguida de pequenas falas e depoimentos dos realizadores dois projetos que integram o Fela Day. O grafiteiro Zezé Olukemi executa o terceiro painel.
                Nos dois últimos dias acontece a confraternização entre  realizadores, artistas, incentivadores, apoiadores e, logicamente, público em geral. Na sexta, acontece uma edição  especial da Festa Afrobeat, com o Sistema Kalakuta. Os DJs Sankofa, Dudoo Caribe, Riffs e Edbrass se revezam, tomando conta da pista numa sequência ininterrupta de afrobeat e gêneros afins. A festa conta também  com poetas e rappers que soltarão seus versos sob bases musicais, exibição de filmes e clipes e grafitagem ao vivo de Neuro, que pintará o quarto painel que comporá a mini-exposição no local.
                Finalizando essa sequência de homenagens a Fela Kuti, a cooperativa Rango Vegan une-se à Omosholá Artes Africanizadas para uma grande confraternização, domingo,  em torno da moda conceitual e da alimentação saudável. A tarde terá exibição de documentário, discotecagem, feira, desfile de roupas africanas e venda de produtos alimentícios da Rango Vegan, confeccionados sem nenhum ingrediente de origem animal. A Omoshalá também exibe suas roupas nos outros eventos da semana.


FICHA
Evento: Fela Day, Fela Week, Fela Forever
Quando: de 15 a 21 de outubro de 2012
Onde: Sankofa African Bar, Praça da Sé e Cooperativa Rango Vegan,


PROGRAMAÇÃO

:: Segunda (15/10), Sankofa African Bar, Pelourinho, 19h
Projeto Qual é a da  Noite?
Exibição de filme:  Fela Kuti: A Música é a Arma (53'),
dos diretores Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori.
Apresentação da peça: CÂNCER (Grupo Ditirambos)
Música: Sistema Kalakuta
Entrada: R$ 10,00 / Casadinha: 15,00

:: Terça (16/10), Praça da Sé, 19h
Roda de break com o grupo Independente de Rua
Especial com música afrobeat
Microfones abertos: rap free-style
Grafite ao vivo: Lee27
Entrada franca

:: Quarta (17/10), Sankofa African Bar, às 19h
Sarau Bem Black- Especial Fela Kuti
Exibição de filme:  Fela Kuti: A Música é a Arma
Música: Dj Joe - Especias Fela Kuti
Grafite ao vivo: Finho
Entrada franca

:: Quinta-feira (18/10), Sankofa African Bar, às 19h
Mini-palestras e bate-papo sobre Fela, afrobeat e o pan-africanismo
Exibição do doc: Fela Kuti: A Música é a Arma
Mini-palestras: Nelson Maca e Fábio Mandingo
Bate papo: integrantes dos projetos que compõe a semana
Música: Dj Sankofa - Especial afrobrat
Grafite ao vivo: Zezé Olukemi
Entrada franca

:: Sexta (19/10), Sankofa African Bar, 21h
Festa Afrobeat com Sistema Kalakuta
(Djs Dudoo Calibre, Edbrass, Riffs e Sankofa)
Exibição do doc: Fela Kuti: A Música é a Arma
Particpação: Poetas e Rappers
Grafite ao vivo: Neuro
MIni-exposição de grafite: Finho, Lee27, Neuro, Zezé Olukemi
Entrada: R$ 10,00

:: Domingo, 21/10, Cooperativa Rango Vegan, 15h
FelaVille? / Rango Vegan + Omosholá
Exposição, desfile e comerciaçialização de roupas africanizadas
Música afrobeat, Rap, Reggae, Exibição de curtas e Lanches
Mni-exposição de grafite: Finho, Lee27, Neuro e Zezé Olukemi
Entrada franca


Mais informações: Nelson Maca (9130-4618) / Edbrass (82402034) / Dayane (93300746)



Fela Kuti: Pai do Afrobeat
O feito que consagra Fela Kuti é a elaboração da música Afrobeat. Chegando ao auge nas décadas de setenta e oitenta, representa uma fusão da música tradicional da Nigéria com as inovações do Highlife de Ghana, além de ritmos cubanos e elementos do jazz. Tudo potencializado no encontro, pontual, com as guitarras e baixos da soul music norte-americana. Definitivamente, há um Fela antes e um depois de sua descoberta de James Brown, que chega em sua vida juntamente com Malcolm X. Daí resultou uma música de pegada brutal justaposta por letras de alta tensão política e racial. Fela afirmou que a politização profunda de sua música, sua descoberta da africanidade real, se deu quando morou nos EUA. A responsável por isso foi Sandra Smith Isidore, sua namorada então, que pertencia aos quadros do Black Panters. Foi ela quem primeiro questionou Fela sobre a importância do que falavam suas letras. Também apresentou a ele a auto-biografia de Malcolm X e a música de James Brown
As canções de Fela quebram totalmente as convenções tradicionais das músicas ocidentais e/ou “comercias”. Para se ter uma idéia, são músicas de 15, 20 minutos ou mais. Introduções longas, improvisações, repetições, chamamentos e respostas. O mais genial é a junção desses elementos em suas performances ao vivo, por se tratar de um instrumentista múltiplo, religioso praticante no palco e também um grande dançarino. Some-se a isso a competência de seus músicos juntamente com os coros e coreografias de suas esposas e não haverá limites conhecidos.

Documentário: Fela Kuti: A Música é a Arma
Documentário sobre Fela Anikulapo Kuti, dirigido, em 1982, por Stéphane Tchal-Gadgieff e Jean Jacques Flori, "Music Is The Weapon" revela detalhes sobre o artista e a história da música africana. O filme centra-se em declarações do nigeriano  que estabeleceu a relação explosiva entre a música tradicional africana, as novidades do higlife de Gana, os ritmos afro-cubanos e, destacadamente, a influência do jazz e da black   music. A soma deste lastro musical juntamente com a vivência de Fela Kuti com o Movimento Black Power e com o Panafricanismo estabelece a fusão primordial da experiência afrobeat: arte e ativismo revolucionários bem captados neste registro histórico incomparável.
Além da localização da genialidade de Fela Kuti, o documento apresenta imagens do cotidiano do artista, como sua propriedade, a República Kalakuta, e sua casa noturna, África Shrine - ambas declaradas territórios independentes dentro do país. O filme é uma mostra concreta do enfrentamento que faz o “Presidente Negro” ao seu conflitante e violento cotidiano da Nigéria nas décadas de 60 e 70, principalmente. Incrivelmente dançante, a música de Fela Kuti cresce magistralmente sua tensão nas performences ao vivo. Além de tocar vários instrumentos, acompanhado de incrível big band África 70 (depois Egito 80), e de um corpo de dançarinas formado por suas esposas, ele próprio era  cantor e dançarino. Enfim, além de sua expressão estética permeada por suas práticas religiosas e espirituais, o vídeo valoriza o pensamento político do artista mais revolucionário que a África .

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