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"AS COMADRES" - Elieser César homenageia


  

*Elieser César

O “comadrismo” é uma instituição secular e forte, principalmente na região Nordeste. Se duas mulheres unidas por este laço afetivo se encontram, a conversa parece não ter fim:

- Você viu, cumade?

- Vi e quase não acreditei, cumade

- Quem diria, cumade?

- Apois, não é, cumade.

E o papo prossegue destrinchando a vida alheia, até que uma avisa:

- Já vou, cumade.

E a outra insiste:

- Tá cedo. Tome mais um cafezinho, cumade.

- Tá não. Já passou da hora. Inté, cumade.

- Volte sempre, cumade.

A comadre é muito mais do que uma simples amiga, é a melhor amiga, companheira, confidente, irmã emprestada, prima postiça e, se mais velha, mãe adotiva. Amizade de comadre é tão sólida e arraigada que se uma se desentende com a outra, a briga logo acaba em pizza, em rápida reconciliação:

- Desculpe, aí, cumade. Foi mal!

- Deixa pra lá, cumade.

QUARTETO “COMADRÍSTICO”

Elas, as comadres, estão em todo lugar, na roça, na cidade, na profissão e também na ação política. Salvador oferece um ilustrativo exemplo dessa sólida instituição que amplia a família e aproxima a fraternidade. Refiro-me ao “quarteto comadrístico” formado pelas jornalistas Joana D'arck, Mônica Bichara, Jaciara Santos e Isabel Santos (essas duas comadres até no sobrenome). As quatro formam uma aguerrida linha de frente na defesa das causas nobres da ala progressista das comadres do Brasil. Elas podem ser vistas, juntas, caminhando e cantando nas ruas da cidade, defendendo a democracia, a soberania nacional, a educação pública e de qualidade; clamando por Lula Livre e esculhambando sem meias palavras (porque as autênticas comadres não devem ter papas na língua) Jair Bolsonaro e sua coorte de bolsominions e de bobos da corte.

Ai de quem mexer com uma delas! Coitado de quem bulir com uma só das quatro comadres do jornalismo baiano. Mexeu com uma, buliu com todas. Para defender a comadre eventualmente atacada, a baixinha Joana D’ arck se agiganta emulando as coragens guerreiras de sua xará histórica e santa. Mônica incorpora a brabeza de sua homônima das histórias em quadrinhos e é capaz de sair por aí, distribuindo pancadas a torto e a direito, em direito e em torto, com um coelhinho de pelúcia transformado em temido tacape. Jaciara atravessa o ferry-boat para buscar, na ilha de Itaparica, a valentia dos índios que lutaram pela Independência da Bahia e o destemor bélico de Maria Filipa. Isabel (ah, a aparentemente frágil Isabel), roda à baiana como se saída das páginas de Jorge Amado.

Vou logo avisando aos inimigos da democracia, do bom jornalismo e, sobretudo, do povo brasileiro; não só a estes mequetrefes, mas também aos machões empedernidos e aos machistas de plantão: com as comadres Joana, Mônica , Jaciara e Isabel ninguém pode. Se as quatro estiverem juntas, saiam debaixo, passem ao largo, de fininho, pois, para elas, acima de tudo, a união faz a força, uma união que se prolonga e se fortalece por toda vida, afinal, comadre é parente escolhido.

* Elieser César é escritor  e jornalista


  ***

PS:  Amigo Elieser, você me emocionou com essa linda homenagem a mim e às amigas comadres Mônica, Jaci e Bel. Valeu! 
PS2:  Depois desse aviso de Elieser, não diga que não foi avisado (a): mexeu com uma, mexeu com todas!  

Elieser e as comadres na varanda da ABI,
após debate sobre a CPI da Fake News 


Comentários

  1. Esse quarteto né brinquedo não....Valeu Elieser, adorei a homenagem a essa irmandade que o jornalismo me deu. Amo todas vcs. #NinguémSoltaaMãoDeNinguém

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  2. Linda e merecida homenagem, quatro mulheres lindas, poderosas, meigas e inteligentíssimas. Amo as quatro que vieram para mim através da minha cunhadinha

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