Leitura de "Ancestral" para o cacique Juvenal Payayá emociona a autora Joana D´Árck

 


Poema do livro "Feito Íntimo" aconteceu no lançamento na Bienal da Bahia

 A jornalista e escritora Joana D’Arck lançou seu terceiro livro, Feito Íntimo, no último dia 17, durante a Bienal do Livro Bahia 2026. O lançamento aconteceu no estande do Studio Palma e foi marcado por intensa movimentação, reunindo familiares, amigos, colegas e leitores.

Publicado pela Agência e editora Studio Palma, em parceria com a editora Usina de Textos, o livro reafirma uma escrita que nasce do íntimo, mas dialoga com memórias coletivas, afetos e atravessamentos históricos.

A participação da autora na programação da Bienal seguiu reverberando para além do lançamento. Em uma entrevista literária no espaço do Governo do Estado, ao lado das escritoras Gilmara Belmon e Jealva Ávila, Joana compartilhou um dos momentos mais marcantes de sua experiência no evento: o encontro com o escritor e cacique indígena Juvenal Payayá.


 A conversa retomou uma fala de Payayá na FLIGÊ – Feira Literária de Mucugê que havia atravessado profundamente a escritora. Ele explicou o que está por trás de uma expressão comum em muitas famílias brasileiras: “sua tataravó foi caçada no mato a dente de cachorro”.

Durante anos, Joana ouviu essa frase dentro de casa, inclusive da própria bisavó. Como relembra:

“Ouvi muito isso desde criança, inclusive da boca da minha bisavó, com quem tive o privilégio de conviver na minha infância. Não pensava muito sobre o que significava essa frase, que julgava ser só sobre a minha tataravó, e ficava até orgulhosa, na minha cabeça de criança, achando que ela apenas queria dizer que a mãe dela era muito brava.”

Só mais tarde, a partir da escuta e da reflexão, compreendeu o que a expressão realmente revela: a captura de mulheres indígenas ainda jovens, arrancadas de suas origens, violentadas e forçadas a viver longe de suas famílias, culturas e histórias.

 Foi dessa memória que nasceu um dos poemas de Feito Íntimo, apresentado ao público durante a entrevista. Emocionada, a autora convidou Gilmara Belmon para fazer a leitura, num gesto que evidenciou a força do momento e a dimensão afetiva da palavra.


 O encontro com Payayá também deixou um conselho direto: “não pare de escrever”.

E a resposta já está em curso. Joana D’Arck prepara seu quarto livro, Gota d’Água, que trará o relato da experiência do jornalista José Sinval Soares no jornalismo sindical, em um período de efervescência política na Bahia, marcado pela emergência de lideranças que ajudaram a redesenhar o cenário político do estado.

 Entre lançamento, memória e palavra, Joana segue escrevendo — e não pretende parar.










Comentários

  1. maravilha! Parabéns, Joaninha!

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  2. Obrigada! Gostaria de saber quem é 😉

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  3. Parabéns de novo, Jô. A escritora chegou pra ficar. Como já lhe disse, não pude comparecer ao lançamento por estar num compromisso ligado ao nosso sindicato, o Sinjorba, mas vibrei pelo seu sucesso. Vou adquirir 'Feito Intimo', mas quero autografado, para colocar, junto aos outros dois, na minha prateleira de livros bons👏👏👏👏🥰

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  4. Oi Bel! Que bom ter você como leitora. O seu tá reservado desde já. Adianto que pretendo fazer em breve um lançamento no França, por sugestão de alguns amigos que também não puderam comparecer à Bienal. Vai ser ótimo!

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