Pular para o conteúdo principal

Jaciara Santos: Justiça prova que a vida de mulheres importa

 



Jaciara Santos
- Jornalista com experiência na editoria de Segurança, uma das autoras do Protocolo Antifeminicídio – Guia de Boas Práticas para a Cobertura Jornalística, lançado pela ABI-BA; é dirigente da ABI-BA e integra a Comissão de Mulheres do Sinjorba


Não é vingança. Não é revanchismo. Não é punitivismo. É justiça.

A condenação, na quarta-feira (3), de Gilmar Correia da Silva, suboficial da Marinha Mercante que matou a companheira Lindiane Rufino Soares, em janeiro do ano passado, responde ao clamor de familiares, amigos e de uma sociedade que se uniu para dar voz a quem foi calada pela violência.

Ao aplicar a sentença de 54 anos de prisão, o juiz Gabriel Igleses, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, mandou um recado claro: a vida de mulheres importa.

O júri acatou as razões apresentadas pelo Ministério Público e reconheceu o crime como feminicídio — homicídio cometido no contexto de violência doméstica e familiar. Circunstâncias qualificadoras agravaram a pena imposta ao réu: meio cruel, recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e motivo torpe.

Embora o julgamento da quarta-feira tenha produzido o desfecho esperado, a luta contra a impunidade começou no mesmo dia do crime e jamais esmoreceu. Foi resultado de um conjunto de ações: do motorista de aplicativo que se recusou a dar fuga ao feminicida; da policial militar que pediu sua prisão ao estranhar vê-lo ensanguentado na rua; da juíza que negou o pedido de liberdade provisória; da mobilização de familiares; e da atuação de organizações antifeminicídio.

Eu não conheci Lindiane Rufino Soares, embora tenhamos sido vizinhas. Talvez a gente tenha se esbarrado em alguma festa do condomínio, na fila do supermercado ou da farmácia. Mas não precisei conhecê-la para me sentir tocada por sua história.

Lindi, como era conhecida, foi vítima do sentimento de posse que ainda domina muitas relações. Segundo vizinhos, ele não permitia que ela trabalhasse fora de casa. Tinha que ser do lar.

Gilmar confessou o crime e alegou amar Lindi. Mentira.

Quem ama não desfere mais de 40 golpes de faca contra uma mulher com quem dividiu quase duas décadas de vida e com quem teve uma filha.

Por isso, este julgamento é histórico. Não pelo tamanho da pena, mas pela mensagem que transmite. Em um país onde tantas mulheres são assassinadas e tantas famílias seguem sem respostas, a condenação de Gilmar Correia da Silva reafirma algo que deveria ser óbvio: a vida das mulheres importa.

E justiça, quando acontece, precisa ser reconhecida.




Comentários

  1. Isso, colega👏👏👏. Quem ama, não mata. Ponto pacífico!

    ResponderExcluir
  2. Uma sucessão de ações firmes coroboraram para esse desfecho da condenação pela justiça,mas a sociedade precisa continuar vigilante e atuante exigindo punições rigorosas contra atos que atingem as mulheres.

    ResponderExcluir
  3. Muito bom o texto e o resultado do julgamento. O tema continua em pauta, infelizmente!

    ResponderExcluir
  4. Está falando que é amor e que fez tudo o que fez foi por amor. As mulheres já está acordando para total crueldade. Nós não somos objeto de uso, temos direitos e temos voz. Chega de tanta crueldade sai diversas mulheres morrendo e o sentimento para nós e de impunidade, de descaso. Sou mulher e exijo justiça.e penas mais firmes.

    ResponderExcluir

Postar um comentário