Confesso que estou impactada com o novo livro de Emiliano José, O cão morde a noite. Tinha visto uns textos que o compõe, acompanhando suas publicações no Facebook. Mas ainda assim a obra pronta, com uma capa belíssima e esse poético título, me provocou de tudo um pouco dos sentimentos: revirei o estômago de horror com as descrições das crueldades cometidas nos porões da ditadura, me surpreendi conhecendo as peripécias de sua infância na roça, em São Paulo, e ri com as trapalhadas da Polícia Federal na sua sôfrega caça às bruxas. Quase não contive o choro de revolta lendo os detalhes de atrocidades cometidas contra jovens idealistas, mas depois me senti aliviada ao constatar que muitos deles resistiram bravamente durante a tortura e conseguiram seguir a vida, sem contudo se tornarem pessoas amargas. É o caso do próprio Emiliano, pessoa de grande gentileza, generosidade e leveza, como demonstra na vida e no próprio texto. E também de outros como José Sérgio Gabrielle e Jorge Almeida ...
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