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A Re-licença de Gil e os restos de Osório


Araka vive me provocando, dizendo que o Pilha “tem que dar pau”, mas da minha parte não dá para entrar nessa, porque se tivesse que “dar pau” seria em relação aos acontecimentos e figuras políticas, por ser este o assunto que venho me dedicando há anos. Porém não estou eticamente liberada para tais críticas e denúncias, já que trabalho com assessoria de imprensa na área, embora muitos façam isso sem o menor constrangimento e, pior, aliviando pro lado dos seus interesses (assessorados).

E olhe que em matéria de “dar pau” tenho cá meu jeito bem porradão (Araka até brinca comigo me chamando de “Cirão”, referindo-se a Ciro Gomes), porque em tempos de jornais eu não perdoava nem Gilberto Gil.

O ex-doce bárbaro resolveu virar político de uma hora para outra e logo de cara queria ser candidato a prefeito de Salvador, mas Waldir Pires mandou ele adquirir alguma experiência na área para depois disputar o pleito. Isso deu pano para manga e pano de fundo para um racha com Mário Kertész, que na verdade queria se impor como líder no PMDB. O fato é que Gil virou vereador.

Teve um mandato abaixo do medíocre e sem compromisso, dizendo amém o tempo todo para o então prefeito Fernando José (falecido), liderado do empresário e deputado Pedro Irujo, que acabou rachando com MK.

Vivia pedindo licença da Câmara Municipal e quem assumia era Zé Raimundo (falecido), que antes chamava ACM (Antonio Carlos Magalhães) de “O canço” (assim com ç, porque o cara era analfa mermo) e depois bandeou pros braços do “canço”.

Eu não perdoava Gil por essa falta de compromisso com o cargo para o qual foi eleito com a metade do seu famoso “Expresso 2222” (11.111 votos) e para ele dediquei algum espaço na cobertura que fazia diariamente para a editoria de política da Tribuna da Bahia sobre os trabalhos da Câmara Municipal de Salvador.

Solicitei da Mesa da Câmara o número de licenças do dublê de artista e vereador e fiz uma matéria dizendo que depois trabalhos musicais “Refazenda” e “Refavela”, Gil estava lançando a Re-licença, que não era um novo disco. Com dados oficiais mostrei a omissão e ausência do parlamentar que ganhava para isso e tinha gabinete e assessores (inclusive Jorge Mautner, que vivia no Rio).

Num outro momento, diante da informação de um assessor de que ele viria na semana seguinte, mandei essa para a coluna Raio Laser da TB: “Atenção! O vereador Gilberto Gil vai à Câmara na próxima semana”.

Depois disso, conversei com o próprio (uma raridade) numa solenidade do terreiro do Gantois, em homenagem a Mãe Menininha, sobre a sucessão municipal em Salvador, mas ele só falava de Jaime Lerner (então prefeito de Curitiba) para o Rio de Janeiro. Reproduzi a entrevista literalmente e Levy Vasconcelos, então editor de política da TB, saiu com o título: “Gil só pensa em Jaime Lerner”.

O saudoso diagramador Kajeama, decepcionado com o artista, chegou a sugerir que queimássemos os seus discos l (era assim que a gente chamava LP de vinil, atual CD), mas eu e Sinval discordamos imediatamente, mesmo com raiva. Felizmente Gil melhorou a sua performance política na recente cargo de ministro da Cultura.

O resto de Osório

Tendo usado o slogan “Osório e o povo contra o resto” na primeira candidatura para prefeito de Salvador, lá pelos idos dos anos 60, o vereador Osório Villas-Boas resolveu se lançar novamente para o cargo executivo 30 anos depois, no início dos anos 90. Eu fiz a nota para o Raio Laser informando sobre a candidatura, mas fechei dizendo que na Câmara se comentava o antigo slogan seria alterado para “O resto de Osório contra o povo”. O cara pirou e pediu a minha cabeça para a direção do jornal, mas Carmela, minha editora predileta, segurou a onda.

Taí Araka, só posso falar de política do passado. Agora conte outra.

Comentários

  1. Dá-lhe Joaninha! gostei, companheira, é bom, de vez em quando, relembrar nossos brios, nossos cabedais.
    Só mais um empurrãozinho: lembra de uma manchete que "dei" (eu era editor da primeira) uma vez na Tribuna, numa Copa do Mundo: "Miller (é assim mesmo o nome?) dá 1 a 0 em Lazaroni"? Lembra? Porretinha... é só lembrar o contexto. É de sua lavra, vc me "soprou" a manchete. Sempre tô me lembrando disso, não sei nem por que, ando tão desligado de futebol. (Só me interesso um pouco quando o Flamengo vai bem, como agora, por sinal).
    Bem, mas vou fechar com uma constatação bem amarga: esse negócio de jornalista trabalhar em assessoria é uma merda total, uma castração.

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  2. Joaninha, re-licença foi porreta!!!

    Quanto a queimar discos, acho que comungamos da mesma opinião, nada de misturar os assuntos!

    Até Gil, nessa mesma época, quando tentou misturar fez porcaria. Lembra da musiquinha que compôs para o Waldir Pires criticando o veto para prefeito: "Prá prefeito não, pŕa prefeito não, pra vereador, prá vereador: pode Waldir?..." (uma merda!!!)

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  3. Bem lembrado Júnior, a musiquinha era ridícula mesmo e acho que o próprio Gil não deve gostar de se lembrar desse triste episódio. Jadson, essa história da manchete foi engraçada, porque não sou chegada ao esporte, mas acompanhando o noticiário fiquei atenta ao gelo que Lazaroni havia dado no atacante, colocando-o no banco da reserva, mas teve que se render à pressão dos próprios jogadores. E foi justamente Milller quem fez o gol e salvou a pátria no último momento. Tirei daí conclusão, mas o mérito foi seu, que sabia escutar mesmo as colegas pouco interessadas na questão. E você bombava o tempo todo nas manchetes.

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  4. Joaninha, é verdade, especialmente quando eu não estava seguro da manchete, eu ficava circulando na redação, conversando com um (a) e outro (a).
    Mais uma da série "reminiscência do meu tempo de mancheteiro" (sempre há uma certa saudade, nostalgia, acho que é assim com todo mundo):
    Era uma vez, a seleção de futebol brasileira tava numa fase ruim, enquanto a de basquete (ou de vôlei) estava numa fase boa. Tava acabando um jogo de basquete (ou vôlei) na TV, com a vitória dos brasileiros (ou brasileiras). Aí nosso Reginaldo (IP, Ipezinho) disse assim: "Isso sim que é seleção". Eu escutei e fiz um título pra primeira página (não foi a manchete principal) igualzinho à frase de IP.

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