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Montevidéu, uma cidade mais "civilizada" e muito cara

A Avenida 18 de Julho no centro velho de Montevidéu (Foto: Internet)
Reproduzido do blog Evidentemente:
Por Jadson Oliveira (jornalista/blogueiro) – editor do blog Evidentemente – publicado em 01/02/2015


De Montevidéu (Uruguai) – Dou aqui, já com certa tardança, minhas primeiras impressões sobre a capital dos hermanos uruguaios (estava aqui, uma semana e meia, pensando mais na política brasileira, é até difícil de acreditar, né?).


Uma cidade podemos dizer bem cosmopolita, a mais “civilizada” das que estive fora do Brasil, na América do Sul e Caribe. Buenos Aires chega mais perto, mas perde. Na capital portenha, por exemplo, você pode ver uma favela (“vila miséria”) pela área do centro, aqui só lá pela periferia se pode ver um “asentamiento”, conforme me disse o taxista que me trouxe do aeroporto.


Só estive pelo centro velho, a principal avenida, a 18 de Julho (em homenagem ao dia de 1830 em que foi adotada a primeira Constituição nacional), uns dois quilômetros da Praça Independência até o Parque Batlle, uma imensa área verde onde está o famoso estádio de futebol Centenário.


É por aí que tenho andado, além duma longa caminhada pegando o Bulevar Artigas (bulevar aqui é uma grande avenida – Artigas é o grande general da luta pela independência, a independência clássica, oficial, contra o império espanhol, e não a independência de fato, cuja luta ainda está em curso, contra o império estadunidense), a Avenida Brasil e chegando à praia Pocitos, às margens do rio da Plata.


Dei também uma esticada até um shopping, o Três Cruzes, que funciona junto com uma estação rodoviária, não entendi bem a fusão dos dois. Fica a umas oito quadras (quadras pequenas, simétricas e bem regulares) do centro velho.
Praça Independência (Fotos: estas 3 são da Internet)
A imensa área verde do Parque Batlle, vendo aí a ponta do obelisco em homenagem aos constituintes de 1830
A bela praia de Pocitos à margem do rio da Plata
O que vi são ruas arrumadas, sem montes de lixo (como se vê no centro de Salvador-Bahia, por exemplo), as casas e edifícios em bom estado, nível classe média pra cima, o trânsito tranquilo, sem engarrafamento (e sem motoqueiro adoidado furando o sinal vermelho, como a gente vê a granel em Caracas, por exemplo).


Muitos cafés/bares/restaurantes, inclusive todas estas três coisas juntas, num mesmo espaço. Eu agora sou viciado, também (será por que este “também”?), em café com leite, adorei São Paulo porque tem um café/padaria em cada esquina, aqui tem à vontade, uma beleza, aprendi logo os nomes: cafezinho com leite – “cortado en pocillo” (o “ll”, assim como o “y”, tem o som do nosso “ch”, aquele chiado característico do portenho e também do carioca); e média com leite – “cortado en taza” (pronuncia-se taça) (falo mais abaixo da exorbitância dos preços).


De bares nem preciso falar, são meus pontos prediletos, já andei bebendo em cinco até agora: Tortuguita, Palacio, Venecia, Monteverde e Nuevo Polvorin. O Venecia aproxima do que chamamos boteco (aqui chama “cantina”), mas ainda estou na dúvida sobre qual eleger “meu bar predileto”. Sobre restaurantes, não gosto de falar, não me interessa – por sinal, comi umas pizzas bem ruinzinhas.


As pessoas são amáveis e parece que todo mundo fala o portunhol e entende o português. Você pede uma informação, elas avisam logo que pode falar em português: “Ah, você fala português?” - “Não, mas entendo bem”, respondem.


Sobre a política vou falar, por enquanto, apenas que me pareceu também muito “civilizada”. É que vi nos jornais que o presidente eleito Tabaré Vásquez ofereceu um bocado de cargos de direção de empresas e órgãos públicos aos principais partidos de oposição. Excluiu somente cargos nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Acho que os opositores aceitaram, estavam discutindo.


Detalhe: pra você acompanhar as coisas da política pela imprensa, recém chegado a um país, o que dificulta são as siglas dos partidos, dos órgãos, das entidades, é uma merda! Daqui até você começar a memorizar as siglas...


Uma cidade caríssima, menos o uísque


Agora falo dos preços, um horror! Chegam ao dobro e às vezes ao triplo dos do Brasil, muito mais altos do que os de Buenos Aires (um uruguaio, que já morou em Buenos Aires e Florianópolis, me disse que as capitais mais caras da América do Sul são Montevidéu e Santiago do Chile – nunca fui à capital chilena).


Bem, um cafezinho com leite corresponde (sempre fazendo o câmbio do peso uruguaio para o real) a 7 reais; uma média, 9; uma garrafinha de água mineral (600 ml?), no bar, 7 reais; um sanduíche de queijo, 15; uma garrafa de água mineral, das grandes (1,5 litro), no supermercado, 4 reais; o jornal diário El País, o mais lido aqui, quase 5 reais; o semanário Brecha, de esquerda, quase 15 reais;
A solidariedade dos estudantes da Universidade da República aos 43 normalistas desaparecidos/assassinados do México (Fotos: estas 3 são de Jadson Oliveira)
Trecho da Avenida 18 de Julho preparado para receber o desfile de carnaval na sexta-feira, dia 23: uma festa modestíssima para os padrões brasileiros
Um dos cinco bares montevideanos onde estive tomando umas
Um almoço chega sempre a uns 30 reais ou mais. Se você comer bem pouco, num restaurante a quilo, paga no mínimo 20 reais; uma diária de hotel assim do nível 3 estrelas, no centro, supera os 100 reais – no caso de pagar logo um mês, chega ao redor de 1.500/1.600 reais; este é o valor mínimo a que deve chegar também o aluguel mensal de um apartamentinho mobiliado (para comparação, aluguei um em Buenos Aires, bairro classe média, pelo equivalente a 900/1.000 reais).


Deixei pra o fim a bebida alcoólica: uma cerveja, tamanho comum/padrão das nossas, sai a 12 reais. Agora, a grande surpresa: o que achei aqui mais barato, em relação ao Brasil, foi uísque: uma dose do 8 anos dá mais ou menos 9 reais. É o preço mais comum, mas achei JB e Cavalo Branco mais baratos. E mais barato ainda achei Black & White, uma dose (“una medida”, como dizem aqui) por 50 pesos, ou seja, cerca de 6 reais.


Só não posso dizer que a única coisa barata aqui é o uísque (parece até sacanagem com meu fígado) porque paguei num ônibus 23 pesos, isto é, menos de 3 reais.


Aviso ao companheiro Sinval Soares, do Sindae (Salvador-Bahia): tomei uma genebra por 45 pesos – pouquinho mais do que 5 reais. É um produto difícil de se encontrar atualmente na praça, um garçon me informou que está em falta ultimamente.


Faltou o principal para os viajantes: a cotação do peso uruguaio. Um real está valendo em torno de 8,5 pesos e um dólar vale em torno de 24 pesos. Isto, claro, pra você comprar o peso. É mais vantagem chegar com dólares do que com reais, mas a diferença é muito pequena.


Lembrete: evitar comprar pesos no aeroporto, a gente sai sempre perdendo, deixa pra trocar na cidade.

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