Isabel santos: Jornalista DRT/BA 678
A defesa da soberania de Cuba e a solidariedade
ao povo cubano marcaram o ato “Cuba Não Está Só”, realizado na noite na
segunda-feira (15), no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA, no bairro
da Federação, em Salvador. O evento reuniu centenas de pessoas, entre
dirigentes sindicais, representantes de movimentos sociais, parlamentares e
militantes, e contou com a presença do embaixador de Cuba no Brasil, Victor
Cairo.
Um dos momentos mais comemorados da atividade foi
o anúncio feito pelo presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), David
Bacelar, de que a entidade está empenhada em sensibilizar o governo federal,
por meio da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), para viabilizar o envio de petróleo a
Cuba como ajuda humanitária. A informação provocou grande entusiasmo entre os
participantes.
Durante o ato, os pronunciamentos destacaram a
importância da solidariedade internacional ao povo cubano, que há mais de seis
décadas enfrenta o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Segundo os
participantes, as sanções dificultam o acesso da população a alimentos,
medicamentos, combustíveis e outros insumos essenciais.
A diretora do Centro Brasileiro de Solidariedade
aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Socorro Gomes, emocionou os participantes
ao evento ao conclamar o mundo a lutar pela retirada da Base Naval da Baía de
Guantánamo, que o Estados Unidos instalou no território cubano em 1903, e de
todas as outras existentes em outros países. “Não podemos admitir mais esse
absurdo, essa crueldade, esse desrespeito”, enfatizou. Ela presidiu, por 12
anos, o Conselho Mundial da Paz.
O jornalista e analista internacional, Breno
Altman, também foi muito aplaudido por afirmar que o apoio do Brasil a Cuba não
deve ser encarado como um favor. Segundo ele, o país possui uma “dívida
impagável” com a nação caribenha. Altman lembrou que, durante a ditadura
militar brasileira, muitos perseguidos políticos encontraram abrigo em Cuba, onde
receberam apoio para continuar a luta pela redemocratização do Brasil.
“Foi uma solidariedade incondicional”, destacou
Altman. Ele também ressaltou a contribuição cubana para o Programa Mais
Médicos, responsável por ampliar o acesso à saúde em diversas regiões do país.
Na Bahia, de acordo com dirigentes do Movimento
dos Sem Terra (MST), cerca de 10 mil pessoas da zona rural foram alfabetizadas
por meio de um programa educacional desenvolvido por Cuba em parceria com o
governo estadual.
Para Altman, o Brasil precisa assumir um papel de liderança na América Latina
em defesa da solidariedade ao povo cubano, multiplicando as ações com uma
extensa agenda envolvendo todas as instâncias do poder.
Visivelmente emocionado com a mobilização, o
embaixador Victor Cairo classificou o ato como “bonito” e afirmou que a
solidariedade do povo brasileiro deve se traduzir em ações concretas, como o
envio de alimentos, medicamentos e insumos destinados à produção de alimentos.
De acordo com o diplomata, Cuba atravessa um
momento extremamente delicado, que ele definiu como uma “ameaça real de guerra.
O nosso país não pode mais esperar. Precisa de apoio agora. Se Cuba cair, o
Brasil e outros países da América Latina também estarão ameaçados por um
projeto de recolonização”..
Ao agradecer a campanha de arrecadação de
recursos para a compra de painéis solares destinados à ilha, Victor Cairo
destacou ainda a solidariedade prestada MST. “É urgente trabalharmos juntos e
ampliarmos o apoio da sociedade brasileira”, afirmou o embaixador. Ele
ressaltou ainda que a maioria do povo cubano continua defendendo a Revolução, a
soberania nacional e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
O ato foi promovido pela Associação Cultural José
Martí (ACJM), representada pela presidente Ivone Souza, e pela direção estadual
do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), com
o apoio de diversas entidades sindicais e movimentos sociais baianos.
Agenda de
atividades
Nestas terça e quarta-feiras, o embaixador cumpre
uma extensa agenda, que inclui entrevistas em rádios e jornais, almoço com o
governador do Estado, reunião com parlamentares e intelectuais, visita ao
terreiro Ilê Axé Opô Afonjá e participação na aberturada Assembleia Mundial dos
Povos.



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