Texto: Claudia Correia (com apoio da ASCOM do Instituto Odara)
Foto: Arquivo da família
Após três adiamentos consecutivos, o júri popular do caso de Tainara Santos, jovem quilombola de 27 anos assassinada em outubro de 2024, está marcado para o próximo dia 19 de agosto, 8h30, no Fórum Augusto Teixeira de Freitas, em Cachoeira , Recôncavo da Bahia.
As remarcações ocorreram a pedido da defesa do réu, George Anderson Santos, sem que novas datas fossem definidas.
Moradora da comunidade quilombola de Acutinga Motecho, no território da Bacia do Iguape, Tainara era trancista, mãe de duas meninas, de 11 e 2 anos, e reconhecida pela atuação comunitária e pelo cuidado com mulheres e crianças do território.
No dia 9 de outubro de 2024 ela se encontrou com o ex companheiro George Santos com quem tinha um relacionamento marcado por conflitos e nunca mais apareceu.
Preso preventivamente, George Anderson apresentou à polícia três versões diferentes sobre os acontecimentos daquele dia. O corpo de Tainara nunca foi localizado e a investigação reúne elementos que sustentam a acusação de feminicídio, ocultação de cadáver, extorsão e descumprimento de medida protetiva.
Para a família de Tainara, a ausência de respostas tornou-se uma extensão da violência vivida desde o desaparecimento da jovem. O relato é de Itamara Santos, irmã de Tainara, que destaca o impacto permanente do crime sobre as duas filhas da jovem e sobre toda a família.
“Já se passou mais de um ano e a angústia permanece porque é um caso sem corpo. A gente sofre muito porque não sabe o que realmente aconteceu, nem onde ela está. Quero que o júri aconteça e que a gente tenha alguma resposta sobre o que ele fez com minha irmã, mesmo sem acesso aos restos mortais. O que fica é a dor que não passa e a sede de justiça.”

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