Quem somos

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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Uma enciclopédia ambulante sobre Lampião e o cangaço

José Bezerra Lima Irmão,
 autor do livro ‘Lampião, a Raposa das Caatingas’
(Foto: Jadson Oliveira)

Por Jadson Oliveira

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

De Salvador-Bahia – Parece inevitável. Uma discussão sobre o Rei do Cangaço e o cangaceirismo desemboca na interrogação recorrente: o “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, que aterrorizou o Nordeste brasileiro durante 17 anos, na primeira metade do século passado, foi bandido ou herói?

Isso aconteceu mais uma vez no último dia 26, na Faculdade de Arquitetura da UFBa, em Salvador, onde intelectuais baianos debateram o tema a partir da avaliação do livro ‘Lampião – a Raposa das Caatingas’.

O autor, José Bezerra Lima Irmão, foi taxativo: “Nem bandido nem herói, foi um cangaceiro”. Advertiu que a pergunta é a mais tola que se possa fazer e é simplória qualquer resposta dada às pressas.

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim, situando-o nas dimensões dos espaços físico e temporal, é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

Este trechinho copiei da parte inicial do livro, um camalhaço (no bom sentido) de 736 páginas de letras miúdas. E dá o tom do conteúdo da exposição de José Bezerra para as pouco mais de 20 pessoas que foram ao encontro (uma pena tão pouca gente!).

Talvez não fosse necessário frisar que o autor deu uma mostra do seu conhecimento enciclopédico sobre o assunto, adjacências e contexto – Guerra de Canudos e outros levantes populares, coronelismo, violência, injustiças sociais, religiosidade, falta de instrução, vinganças familiares, luta “braba” pela terra e pela sobrevivência, ausência do Estado, mandos e desmandos dos coronéis, dos jagunços, da polícia e, óbvio, dos cangaceiros.

Sobre tudo isso, José Bezerra mostrou que sabe tudo, pode-se dizer sem medo do exagero. Tanto que o reconhecido escritor baiano, Oleone Coelho Fontes (autor, dentre outros livros, de ‘Lampião na Bahia’, já na décima edição), não hesitou em declarar que Bezerra esgotou o tema.

A estrutura social da época explica o fenômeno

Oleone, aliás, tem uma opinião bastante diferente da de Bezerra. Proclama com toda eloquência que Lampião foi um bandido, simplesmente assim, um bandido sanguinário. Invoca a favor de sua posição as inúmeras testemunhas ou contemporâneos dos fatos que entrevistou para escrever seu livro.

Presente ao encontro, Antonio Olavo, cineasta/documentarista baiano, mostrou-se afinado com grande parte da visão apresentada por Bezerra. Disse que respeita vozes diversas, mas discorda de enfoques como o de Oleone, frisando o fenômeno da reação dos cangaceiros frente a uma situação política, econômica e social marcada pela injustiça e violência.

O cenário natural de tal situação era a tirania capitaneada pelos coronéis e chefes políticos, que tinham a seu serviço jagunços e policiais, além de autoridades como delegados, juízes e padres.

Já os organizadores do debate, o professor Edmilson Carvalho e Jorge Oliver, velhos militantes do campo das esquerdas, defenderam a necessidade e a relevância do aprofundamento de tal discussão, levando em conta principalmente que as verdadeiras causas do cangaceirismo residem na estrutura social e política da sociedade de então.

Bem, é preciso dizer que José Bezerra, um sergipano que vive em Salvador, é auditor da Receita estadual, com 70 anos, ainda não aposentado. Passou 11 anos atolado nas pesquisas, usando finais de semana, feriados, férias, licenças (preciso lhe perguntar como sua família aguentou, ou não aguentou?), com mais de 30 viagens pelos sete estados nordestinos por onde andou Lampião obrando suas controvertidas e famosas proezas.

PS: Edmilson Carvalho comentou que se trata duma obra “monumental”, que começou a ler as mais de 700 páginas, formato grande e letras miúdas, e só sossegou quando acabou. Eu já cheguei à página 85 e está até me atrapalhando, pois tenho outros afazeres e, infelizmente, não posso ficar o tempo todo na leitura. Um conselho: compre o livro. Em Salvador, pode ser encontrado na Saraiva (Salvador Shopping). Ou entre em contato com o autor por e-mail: josebezerra@terra.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O grande erro de Fidel, segundo Fidel


O grande erro foi ter pensado que sabia como construir o socialismo. Quantos líderes revolucionários, filósofos, comandantes, chefes políticos das esquerdas ou simples militantes não pensamos um dia, também, que sabíamos como construir o socialismo? A começar por Lênin, talvez o maior de todos... Por Jadson Oliveira
 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Intelectuais baianos aprofundam significado histórico de Lampião e o cangaço



 
Em debate o fenômeno do cangaceirismo no Nordeste brasileiro: será no sábado, dia 26, na capital baiana (na Faculdade de Arquitetura da UFBa, bairro da Federação), das 8:30 às 13:30 horas.

 Por Jadson Oliveira
De Salvador-Bahia – Como entender hoje, numa realidade social marcada pelo capitalismo neoliberal e globalizado – em crise -, o fenômeno do cangaço que dominou vastas áreas do ainda feudal Nordeste brasileiro de quase 100 anos atrás?
 
Esta questão deve estar rondando a cabeça de intelectuais baianos que vão discutir na manhã do próximo sábado, dia 26, em Salvador, o significado da ação dos cangaceiros, em particular do grupo mais famoso chefiado pelo temido “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, conhecido como o Rei do Cangaço e considerado por uns como um reles bandido e por outros como o maior guerrilheiro das Américas.
 
O debate – no auditório 2 (Mastaba) da Faculdade de Arquitetura da UFBa
(bairro da Federação), das 8:30 às 13:30 horas – será feito a partir do livro LAMPIÃO, A RAPOSA DAS CAATINGAS, cujo autor, o sergipano residente na capital baiana José Bezerra Lima Irmão, fará a exposição inicial. 
 
Trata-se dum “alentado livro que deveria ser do conhecimento do público em geral, pelo que traz, nas suas 740 páginas de pesquisa séria, metódica e permeada de ilações de um seguro teor teórico e senso crítico, a par de um estilo literário simples, escorreito e sem as afetações dos escritos acadêmicos, que muito  proveito decerto traria para leitores de todas as idades, etnias e credos políticos e religiosos”.
 
Tal avaliação é do professor Edmilson Carvalho, que compõe, junto com Jorge Oliver, a Comissão de Organização do evento. Ele diz ainda que o encontro do sábado é uma grande oportunidade “para um velho sonho, sonhado por quantos se dedicam à pesquisa historiográfica do tema do cangaço, por uma ótica renovada, a saber, inserida num contexto de uma sociedade em crise, na qual os mais diversos segmentos da sociedade jogam suas propostas sobre a mesa para o debate”.
 
Devem participar da discussão reconhecidos representantes da intelectualidade baiana, alguns deles com vasta bagagem em pesquisas e obras relacionadas com o assunto – e correlatas como é o caso da Guerra de Canudos. Dentre eles, Valdélio Silva, Sérgio Guerra, Oleone Coelho Fontes e José Guilherme da Cunha.
 
Ao apresentar seu livro no blog araposadascaatingas.blogspot.com.br, o autor diz, em texto datado de abril de 2014, que ele é fruto de 11 anos de pesquisas e mais de 30 viagens por sete estados do Nordeste. Explica que “analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda”.
 
E arremata: “Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase 20 anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete estados”.
 
Faz 78 anos que Lampião (teria então 40 anos de idade), sua mulher de apelido Maria Bonita e componentes do seu bando foram mortos. Embora haja controvérsias, a história oficial registra que foram vítimas duma emboscada comandada pelo tenente João Bezerra, da polícia de Alagoas, no local denominado Angicos,  sertão de Sergipe, ao amanhecer do dia 28 de julho de 1938.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Homenagem a Irecê no blog Roxo-violeta





Gente, olha que homenagem linda a nosso querido amigo Irecê - José Rodrigues de Miranda
A autora, Tânia Regina Contreiras, formada em jornalismo mas que não atua mais na profissão, nem era amiga dele e sequer lembrava o nome. O destino fez com que ela se batesse na rua, por acaso (acaso?), com José Bomfim e contou que tinha tido uma espécie de contato espiritual com "um jornalista e advogado....". Pela descrição Bomfa concluiu que era Irecê e ela, uma pessoa espiritualizada, prometeu que faria uma poesia para ele. 

Taí o resultado postado no blog Roxo-violeta

http://roxo-violeta.blogspot.com.br/

O diabo
Do advogado
Bebia
Fumava
Flertava
Com a boemia.

Lá pela manhã
Vestia o terno
E ia defender
Os homens


Desvalidos.

Morreu
Pobre e
Ao chegar
No Além
Pediu a saideira.

Se era céu ou
Inferno
Pouco se lhe dava
:Viesse a última gelada
Enquanto que a frieza do
Seu corpo estava sendo
Velada por amigos de coração.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Requião para presidente: combatendo o rentismo e a mídia hegemônica


“A PEC congela praticamente tudo, menos os juros da dívida interna, que nunca foi auditada”, denuncia Requião ao convocar os brasileiros para debater a PEC 241 (ou 55). Segundo o articulista, dois temas cruciais da nossa realidade credenciam, politicamente, o senador paranaense como o melhor candidato a presidente do Brasil. Leia artigo de Jadson Oliveira

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Do programático ao pragmático

*Simoa Borba


Dizem que um dos papeis do cientista político é fazer análises da conjuntura política elaborando teses que venham a se concretizar futuramente. Dizem... Mas há controvérsia, e eu particularmente sou muito cética em relação a esse papel. Porém, ainda que não concorde, vou aqui oportunamente me apropriar desse discurso e fazer proveito da minha formação de cientista política para retratar o quadro que vem se pintando no que refere ao futuro do PT e por que não do país.

Mas antes vou relatar uma pequena história que me aconteceu. 

Fui fazer uma análise física com um profissional de educação física e como não consigo manter minha boca fechada, sobretudo quando se refere a temas políticos, o questionei sobre a sua opinião sobre a retirada da disciplina de educação física no currículo escolar. Ele se mostrou muito indignado, relatando os males para as crianças e gerações futuras sem obviamente tocar em questões políticas.

Seguindo o tema entramos na questão sobre alimentação saudável e eu falei da minha indignação do abuso do uso dos agrotóxicos aqui no país, dizendo que não havia interesse do congresso de limitar isso por conta da sua vasta bancada ruralista.

Eis a resposta, “É mesmo, isso é coisa do PT porque eles que tem ligação com os agricultores”. Com esse exemplo acabo aqui minha historinha e passo para as análises políticas.

Os sucessivos massacres midiáticos ao longo dos últimos 4 anos no que se refere ao Partido dos Trabalhadores (e aqui não vou entrar no mérito do que de fato é responsabilidade dele ou não) serviu para criar um imaginário popular que o interliga automaticamente a toda e qualquer mazela da política brasileira. 

É óbvio que a injustiça está na proporcionalidade que isso tomou, principalmente quando não se dá o crédito também aos outros atores e partidos dessa equação. Mas o que se pode concluir dessa onda devastadora da imagem do PT é que isso não é algo que se possa reverter puro e simplesmente. Não há delação ou pedido de resposta que reverta esse cenário, principalmente, quando não há interesse dessa mesma mídia para tal. 

Ah!! Mais há a mídia independente, há as redes sociais que estão aí pra desconstruir esse imaginário. Tal perspectiva é errônea e extremamente ingênua uma vez que as redes nos coloca numa bolha particular no qual cada vez mais somos envolvidos em postagens que nos aproximam, assustadoramente, dos mais próximos. Ou seja, só quem tiver interesse para ir atrás da informação é que poderá desconstruir esse pensamento hegemônico. De resto, sobrará apenas as verdades absolutas que são ditas pelos seus próximos que via de regra são as mesmas que a sua. Isso em um país altamente despolitizado quer dizer muito.

E o que resta ao PT? Na minha pessimista análise, resta o tempo. O tempo que criará uma nova geração que deixará esse imaginário para trás e criará novas conexões e por que não novas formas de atuação política. Os meninos das ocupações estão aí seguindo seus ideais desvinculadamente de partidos criando quem sabe uma nova leva política.

Enquanto isso, o PT irá se manter ao custo da personificação de alguns dos seus quadros mais relevantes, mas deixando de lado cada vez mais a importância do partido e seu programa, o que já acontece com a grande maioria dos partidos aqui no Brasil, seguindo a lógica do menos programático e mais pragmático.




*Simoa Borba é cientista política e colaboradora do Pilha

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump: Moore acertou contra imprensa, pesquisas e seu desejo

Michael Moore diz que Hillary representa a velha guarda da política dos Estados Unidos, o chamado establishment, um sistema deteriorado que teima em se manter, odiado por amplas parcelas da população, especialmente os jovens. 

De Salvador-Bahia – Com mais de três meses de antecedência, o cineasta estadunidense Michael Moore cometeu uma fantástica façanha como analista político: previu – na verdade, garantiu de forma contundente e substancial – que o milionário Donald Trump seria o próximo presidente dos Estados Unidos. Contra as previsões da grande imprensa e das pesquisas. Veja mais na coluna de Jadson Oliveira

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