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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Francisco Gui nas sextas da Confraria



 As sextas musicais do Bar Confraria do França passaram a contar com a Voz e Violão de Francisco Gui. Vale conferir a qualidade do som e do variado repertório com predominância da MPB que o jovem músico apresenta, a partir das 21h. 

SERVIÇO
Programação Música na Confraria
Local: Bar e restaurante Confraria do França,
Sextas-feiras: a partir das 21h, Francisco Gui
Couvert artístico: R$ 7,00 por pessoa.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

Por que o povo não se levanta pelos direitos trabalhistas?

POR JADSON OLIVEIRA



Um governo e um Congresso de maioria corrupta aprovam leis que acenam com a volta da escravidão. Uma Justiça partidarizada condena Lula. E os brasileiros não se mexem para defender seus interesses e seu amado presidente. É a hora de ler ‘A Formação da Mentalidade Submissa”.

De Salvador-Bahia - Uma das minhas irmãs, Rubia Oliveira, aflita com o desfecho do golpe que derrubou Dilma Rousseff e a desorientação dos brasileiros, escreveu no Facebook:

“Tá uma loucura. O povo tá louco ou totalmente perdido, não distingue uma coisa da outra. Parabéns pela competência da direita. Eles conseguiram e o povo perdeu”.

Creio que Rubia deveria ter guardado seu desabafo para a semana passada. Uma semana do pós-golpe realmente arrasadora:

Primeiro, o governo de Michel Temer, o ilegítimo, conseguiu entregar uma das encomendas fundamentais para o grande empresariado, os verdadeiros donos do poder: desmontou a rede de direitos conquistados a duras penas desde a década de 40 do século passado. Uma mostra do quanto a elite é saudosista da escravidão.

E o povo trabalhador não se mexeu, não foi para as ruas – pelo menos na proporção da gravidade do acontecimento. Como se dissesse: “Isso não é comigo, é lá coisa deles”.

Segundo, uma Justiça partidarizada conseguiu, finalmente, a primeira condenação de Lula, no caso do famoso Triplex do Guarujá, que não é de Lula, mas deveria ser. Os procuradores e o juiz não precisaram apresentar provas, isso não importa, já que neste caso a Justiça tem lado.

E o povo trabalhador não se mexeu, não foi para as ruas defender seu tão amado presidente, certamente o líder popular mais importante dos 500 anos de história brasileira. Como se pensasse: “Isso não é comigo, é lá coisa deles”.

Terceiro, uma sobremesa do banquete da semana: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados indica ao plenário que Temer não é corrupto. Veremos no plenário. (Este caso, porém, não depende bem do povo, já que os donos do golpe e do poder – capital financeiro, Rede Globo e aliados - estão brigando entre si).

É hora, então, de indagações essenciais:

Por que os trabalhadores aceitam que tirem seus direitos?

Por que os explorados aceitam (muitos até aplaudem) a tirania dos exploradores?

Por que pobres votam em ricos? (Muitos, ingenuamente, dizem até que é melhor porque assim não precisam roubar).

Por que, por exemplo, a maioria dos baianos de Salvador vota num garoto herdeiro milionário (ACM Neto)?

Por que, outro exemplo, a maioria dos paulistanos vota num rico empresário, que se diz não político, e sim gestor (Dória)?

É o caso, portanto, de realçar a “competência da direita”, como faz Rubia Oliveira. E tentar compreendê-la.

A maior façanha das classes dominantes

Acredito, Rubia, que esta é a maior façanha das classes dominantes: fazer com que o povo trabalhador – as classes dominadas – apoie os dominadores. E pense e aja contra seus próprios interesses.

E muitas vezes – este é o cume da competência – os dominadores não precisam nem apelar para a ajuda da repressão policial. A dominação é introduzida na mente, através da ideologia, do cultivo de valores (ou antivalores).

Conheço um livro que dá uma tremenda contribuição para se entender esta estupenda “mágica”: ‘A Formação da Mentalidade Submissa’, do professor espanhol Vicente Romano. Pelo que sei, não há edição brasileira. Tive acesso a uma em espanhol quando estive na Venezuela e descobri depois uma edição portuguesa (em português de Portugal).

Por enquanto, direi pouco sobre o conteúdo do livro, pois o artigo está se alongando em demasia. Voltarei a ele.

Direi só que nosso Vicente Romano (infelizmente já morreu) fala dos diversos fatores que fazem a cabeça do povo: os meios de comunicação de massa (destaque para a TV, a disseminação da violência e do medo e o entretenimento), o sistema educacional (destaque para o ensino da Economia), a produção cultural, o bombardeio das mensagens publicitárias, as religiões.

A gente das esquerdas costuma comentar que “as pessoas, infelizmente, não têm consciência de seus direitos, de seus interesses...”

Vicente Romano fala da “falsa consciência”: “As pessoas aceitam as coisas porque ignoram que existem alternativas e até que extremos os governos violentam os seus interesses, ou ainda porque não identificam até que ponto saem prejudicadas pelos interesses que julgam ser os seus”.

Mais: “As preferências das pessoas podem ser produto de um sistema econômico, político e cultural contrário aos seus interesses e que estes apenas são por elas legitimamente identificados, quando se encontrem em condições de escolha livre e capacitada”. 

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Trump e a “nova doutrina” para América Latina



De qual “nova doutrina” se fala? Nas últimas sete décadas, o governo dos EUA, em nome da “liberdade”, pilhou as riquezas naturais da região, desestabilizou e invadiu países, promoveu e apoiou golpes de Estado, sustentou ditaduras antes militares, atualmente “brandas”. Leia na coluna de Jadson

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Anderson Monteiro na Confraria


Anderson Monteiro é a bola da vez na programação das sextas da Confraria do França.  Vale conferir a sua interpretação, acompanhada de violão, com um repertório variado bem ao gosto dos frequentadores de barzinhos que apreciam uma boa música ao vivo.

SERVIÇO
Programação Música na Confraria
Local: Bar e restaurante Confraria do França,
Sextas-feira: a partir das 21h, Anderson Monteiro
Couvert artístico: R$ 8,00 por pessoa.
Contato para reserva: 3565-3700

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Canudos: assombrosa resistência e assombroso genocídio


Por Jadson Oliveira

Uma valorosa narração da fascinante história dos guerrilheiros do Santo Conselheiro, contendo variadas versões, está no documentário Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, escrito, produzido e dirigido pelo baiano Antonio Olavo.
De Salvador-Bahia - Chega a ser quase inacreditável a capacidade de luta dos conselheiristas na Guerra de Canudos, no sertão da Bahia, Nordeste brasileiro, ao apagar do século 19 (1896-1897).
Uma assombrosa resistência que é preciso ser estudada e discutida mais ainda para ser bem compreendida nas suas variadas dimensões. Motivações, protagonistas, ambiente, interesses econômicos e políticos. Rebeldia popular. Religião. A falácia Monarquia X República.
Segundo os dados correntes mais citados, o arraial de Canudos (batizado por Antônio Conselheiro como Belo Monte) chegou a ter mais de 20 mil pessoas (dados do Exército apontaram a existência de 5.200 casas). Uma povoação gigantesca, levando em conta que a capital Salvador tinha na época em torno de 200 mil habitantes.
Os conselheiristas rechaçaram três campanhas militares, um escândalo nacional! A quarta, festejada como invencível, precisou de muitos reforços e sofreu o diabo para esmagar os “fanáticos”. Estimativas indicam a morte de 20 mil sertanejos e cinco mil militares. Com a degola de prisioneiros, incluindo mulheres, crianças e velhos, e o incêndio de todas as casas.

Creio que uma valorosa narração dessa tenebrosa história, contendo variadas versões, está no documentário Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, escrito, produzido e dirigido pelo baiano Antonio Olavo. Vi no último sábado, dia 28, apesar de lançado desde 1993 (antes tarde do que nunca).


Vi em companhia de 30 estudantes de Direito Agrário, matéria a cargo da professora Tatiana Dias Gomes, do curso de Direito da UFBa. Um dos aspectos ventilados é a propriedade coletiva/comunitária da terra durante o “regime” implantado pelo líder religioso e seus lugares-tenente.
No debate que se seguiu à mostra do filme contamos com a sabedoria do professor (de História) Sérgio Guerra. Foi líder da  APLB, combativo sindicato de professores baianos no tempo da ditadura militar. E é especialista em Canudos: estudou o assunto e escreveu trabalhos acadêmicos num enfoque marxista (Universos em confronto: Canudos versus Bello Monte e Canudos/Belo Monte: imagens contando história).
É um dos poucos ainda vivos dentre os entrevistados no filme. Há avaliações também de estudiosos conservadores, como o professor  José Calazans, da UFBa, e de gente do Exército. E duas dezenas de depoimentos de parentes de participantes, inclusive do Conselheiro, e de pessoas da região que, de uma forma ou de outra, estiveram próximas dos acontecimentos.
Para que a negrada ignóbil jamais olvide
Mas não só a incrível resistência da revolta popular. Também o assombroso genocídio levado a cabo pelas forças do Exército brasileiro, cujo ápice foi a degola de mulheres, crianças e velhos. A sanha exterminadora como a atestar o tamanho da resistência.
Os eternos donos do poder – no geral: latifundiários, grande empresariado, colonizadores, imperialistas; no particular: grandes fazendeiros, a Igreja Católica e o governo – escrevem com a tinta do impiedoso massacre o receituário dos eternos vencedores: aprendam negrada ignorante, mal-nascidos, esfomeados, tabaréus/caipiras idiotizados, fanáticos.
Como ousam nos desafiar? Os da elite, brancos, bonitos, doutores, ricos, depositários da aura divina, fazedores da história e da verdade. Daí o castigo exemplar e merecido.
Canudos não é um, são vários, embora talvez seja o maior clamor, pois foi certamente um grandioso projeto popular que deu certo. São vários: Pau de Colher, Caldeirão, Revolta dos Malês, Revolta dos Búzios (ou Conjuração Baiana), Quilombos e Guerra dos Palmares, Sabinada, Guerra do Contestado, etc, etc.
É assim: a marca principal da história brasileira é a conciliação entre as elites. Na hora em que os conflitos se agudizam, os de cima se acertam e o lema “ordem e progresso” vai em frente, sempre descendo o pau no lombo dos de baixo. Seria uma lei natural?
Toda vez, porém, que tal roteiro não se cumpriu, como em Canudos, veio o desfecho exemplar. Para que a negrada ignóbil jamais olvide. Melhor: para que não reste ninguém nem nada para relatar tamanho despropósito.
Tenho o projeto de escrever um ensaio sobre esta “tese”: conciliação e massacre. Imitando Sérgio Guerra – disse durante o debate que tinha vários projetos na cabeça e, como não tinha mais tempo disponível, teria prazer em doá-los -, passarei “minha ideia” com muito gosto a algum companheiro com melhores atributos técnicos e teóricos.
PS: Além de Paixão e Guerra no Sertão de Canudos (1993), seu primeiro longa, Antonio Olavo realizou os filmes Quilombos da Bahia (2004), Abdias Nascimento: Memória Negra (2008) e A Cor do Trabalho (2014). Deve lançar este ano Revolta dos Búzios (conhecida também como Conjuração Baiana). E vai voltar ao seu tema inicial com um novo projeto: Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam.
Deixo aqui o link/endereço para quem quiser conhecer mais sobre o filme e o cineasta. É uma entrevista de 2013 feita por Jorge Nóvoa e Sérgio Guerra: http://cadernodecinema.com.br/blog/antonio-olavo/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O fim do reinado Nilo

Votou em branco ou anulou? Eis a questão que motivou ironias de jornalistas que acompanharam  pela Tribuna de Imprensa a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia, na tarde de hoje, sobre a opção de Marcelo Nilo, que se apegou ao cargo de presidente (queria ficar para sempre), mas teve que passar a bola retirando a candidatura para o quinto mandato. Agora vai para "planície", como ele próprio se sente fora da Presidência. 

O deputado Ângelo Coronel se elegeu com 54 votos, mas apesar do discurso das lideranças orientando a votação de todos nele para "unificar" o parlamento, teve 4 votos nulos e 1 branco. Chateado por não conseguir reunir apoio suficiente para vencer o adversário, Nilo tinha tudo para anular o voto para presidente e demais componentes da chapa para ocupar os demais cargos da Mesa.



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ano indecente!


Mandar 2016 tomar no cú, que nem fizeram os quatro rapazes do programa de TV, Papo de Segunda, numa daquelas divertidas apresentações cantando e tocando qualquer coisa a ver com a temática do dia. O povo entrevistado nas ruas para o programa dessa última segunda-feira do ano quis dizer isso, em outras palavras mais educadas.
O sentimento geral na telinha e ao nosso redor é esse: eita ano ruim dá porra!
O ano em que o Brasil deu pra trás, que o mundo deu pra trás, com o retorno da xenofobia e de política contra imigrantes, com a ascensão dos que representam o conservadorismo,   o atraso personificado no presidente eleito estadunidense e imperialista, Donald Trump! Aqui, com o golpe para tirar uma  presidente contra a qual não se tinha crime a acusar. Na verdade um golpe contra  o projeto político de inclusão social e garantia de direitos trabalhistas para dar lugar a um plano demolidor, que começou mexendo nos investimentos sociais do rendimento do Pré Sal e seguiu recheado de PECs (emendas constitucionais) de pura maldade,  que cortam  por vinte anos os investimentos em educação e saúde ( e o golpista do Temer ainda teve a cara de pau de dizer na noite de Natal, em cadeia nacional de TV, que investirá mais do que nunca em saúde!); de tempo de contribuição e idade para aposentadoria impraticável para o trabalhador; e agora outro duro golpe em curso para retornarmos aos tempos de escravidão, com nova PEC para aumentar a carga horária de trabalho e retirar outros direitos.
É a elite brasileira e os interesses internacionais de mercado com a sua fome de lucro avançando de forma voraz, capitaneada aqui pelos partidos políticos que claramente os representa, tendo como protagonistas dessa trama miserável  o PMDB e o PSDB.
Aí os coxinhas que foram às ruas como massa de manobra pedir o impeachment, achando que estavam lutando contra a corrupção e que sairiam da crise econômica num piscar de olhos, ficaram estatelados. Nem  conseguem reagir com tanta surra! Aliás, voltando ao hilário Papo de Segunda,  os memes exibidos não perdoaram os coxinhas inocentes úteis! Um dos integrantes do quarteto, João Vicente, chegou a dizer que eles tiraram uma presidente eleita para colocar um golpista “safado” ( usou esse termo mesmo!) e tomaram porrada na cara. Cômico se não fosse triste.
Poderia citar somente os fatos políticos, que foram o suficiente para mexer com toda a nação o ano inteiro, mas ainda chegamos ao final  abalados com o trágico acidente que matou quase o time inteiro de Chapecó.
Agora estamos aqui, em contagem regressiva, ansiosos para encerrar o famigerado 2016, como se isso fosse o suficiente para resolver nossos problemas, tal qual os coxinhas!
Tá bom! Não resolve, mas há que se crer que essa passagem de um ano para o outro serve para recuperarmos as energias e recarregar as baterias para enfrentar a luta que virá.
Então, vamos gritar em alto é bom som:
Tomar no cú, 2016!
Joana D'Arck

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