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O blog de Joana D'Arck e pilheiros

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Anderson Monteiro na Confraria


Anderson Monteiro é a bola da vez na programação das sextas da Confraria do França.  Vale conferir a sua interpretação, acompanhada de violão, com um repertório variado bem ao gosto dos frequentadores de barzinhos que apreciam uma boa música ao vivo.

SERVIÇO
Programação Música na Confraria
Local: Bar e restaurante Confraria do França,
Sextas-feira: a partir das 21h, Anderson Monteiro
Couvert artístico: R$ 8,00 por pessoa.
Contato para reserva: 3565-3700

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Canudos: assombrosa resistência e assombroso genocídio


Por Jadson Oliveira

Uma valorosa narração da fascinante história dos guerrilheiros do Santo Conselheiro, contendo variadas versões, está no documentário Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, escrito, produzido e dirigido pelo baiano Antonio Olavo.
De Salvador-Bahia - Chega a ser quase inacreditável a capacidade de luta dos conselheiristas na Guerra de Canudos, no sertão da Bahia, Nordeste brasileiro, ao apagar do século 19 (1896-1897).
Uma assombrosa resistência que é preciso ser estudada e discutida mais ainda para ser bem compreendida nas suas variadas dimensões. Motivações, protagonistas, ambiente, interesses econômicos e políticos. Rebeldia popular. Religião. A falácia Monarquia X República.
Segundo os dados correntes mais citados, o arraial de Canudos (batizado por Antônio Conselheiro como Belo Monte) chegou a ter mais de 20 mil pessoas (dados do Exército apontaram a existência de 5.200 casas). Uma povoação gigantesca, levando em conta que a capital Salvador tinha na época em torno de 200 mil habitantes.
Os conselheiristas rechaçaram três campanhas militares, um escândalo nacional! A quarta, festejada como invencível, precisou de muitos reforços e sofreu o diabo para esmagar os “fanáticos”. Estimativas indicam a morte de 20 mil sertanejos e cinco mil militares. Com a degola de prisioneiros, incluindo mulheres, crianças e velhos, e o incêndio de todas as casas.

Creio que uma valorosa narração dessa tenebrosa história, contendo variadas versões, está no documentário Paixão e Guerra no Sertão de Canudos, escrito, produzido e dirigido pelo baiano Antonio Olavo. Vi no último sábado, dia 28, apesar de lançado desde 1993 (antes tarde do que nunca).


Vi em companhia de 30 estudantes de Direito Agrário, matéria a cargo da professora Tatiana Dias Gomes, do curso de Direito da UFBa. Um dos aspectos ventilados é a propriedade coletiva/comunitária da terra durante o “regime” implantado pelo líder religioso e seus lugares-tenente.
No debate que se seguiu à mostra do filme contamos com a sabedoria do professor (de História) Sérgio Guerra. Foi líder da  APLB, combativo sindicato de professores baianos no tempo da ditadura militar. E é especialista em Canudos: estudou o assunto e escreveu trabalhos acadêmicos num enfoque marxista (Universos em confronto: Canudos versus Bello Monte e Canudos/Belo Monte: imagens contando história).
É um dos poucos ainda vivos dentre os entrevistados no filme. Há avaliações também de estudiosos conservadores, como o professor  José Calazans, da UFBa, e de gente do Exército. E duas dezenas de depoimentos de parentes de participantes, inclusive do Conselheiro, e de pessoas da região que, de uma forma ou de outra, estiveram próximas dos acontecimentos.
Para que a negrada ignóbil jamais olvide
Mas não só a incrível resistência da revolta popular. Também o assombroso genocídio levado a cabo pelas forças do Exército brasileiro, cujo ápice foi a degola de mulheres, crianças e velhos. A sanha exterminadora como a atestar o tamanho da resistência.
Os eternos donos do poder – no geral: latifundiários, grande empresariado, colonizadores, imperialistas; no particular: grandes fazendeiros, a Igreja Católica e o governo – escrevem com a tinta do impiedoso massacre o receituário dos eternos vencedores: aprendam negrada ignorante, mal-nascidos, esfomeados, tabaréus/caipiras idiotizados, fanáticos.
Como ousam nos desafiar? Os da elite, brancos, bonitos, doutores, ricos, depositários da aura divina, fazedores da história e da verdade. Daí o castigo exemplar e merecido.
Canudos não é um, são vários, embora talvez seja o maior clamor, pois foi certamente um grandioso projeto popular que deu certo. São vários: Pau de Colher, Caldeirão, Revolta dos Malês, Revolta dos Búzios (ou Conjuração Baiana), Quilombos e Guerra dos Palmares, Sabinada, Guerra do Contestado, etc, etc.
É assim: a marca principal da história brasileira é a conciliação entre as elites. Na hora em que os conflitos se agudizam, os de cima se acertam e o lema “ordem e progresso” vai em frente, sempre descendo o pau no lombo dos de baixo. Seria uma lei natural?
Toda vez, porém, que tal roteiro não se cumpriu, como em Canudos, veio o desfecho exemplar. Para que a negrada ignóbil jamais olvide. Melhor: para que não reste ninguém nem nada para relatar tamanho despropósito.
Tenho o projeto de escrever um ensaio sobre esta “tese”: conciliação e massacre. Imitando Sérgio Guerra – disse durante o debate que tinha vários projetos na cabeça e, como não tinha mais tempo disponível, teria prazer em doá-los -, passarei “minha ideia” com muito gosto a algum companheiro com melhores atributos técnicos e teóricos.
PS: Além de Paixão e Guerra no Sertão de Canudos (1993), seu primeiro longa, Antonio Olavo realizou os filmes Quilombos da Bahia (2004), Abdias Nascimento: Memória Negra (2008) e A Cor do Trabalho (2014). Deve lançar este ano Revolta dos Búzios (conhecida também como Conjuração Baiana). E vai voltar ao seu tema inicial com um novo projeto: Ave Canudos – os que sobreviveram te saúdam.
Deixo aqui o link/endereço para quem quiser conhecer mais sobre o filme e o cineasta. É uma entrevista de 2013 feita por Jorge Nóvoa e Sérgio Guerra: http://cadernodecinema.com.br/blog/antonio-olavo/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O fim do reinado Nilo

Votou em branco ou anulou? Eis a questão que motivou ironias de jornalistas que acompanharam  pela Tribuna de Imprensa a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia, na tarde de hoje, sobre a opção de Marcelo Nilo, que se apegou ao cargo de presidente (queria ficar para sempre), mas teve que passar a bola retirando a candidatura para o quinto mandato. Agora vai para "planície", como ele próprio se sente fora da Presidência. 

O deputado Ângelo Coronel se elegeu com 54 votos, mas apesar do discurso das lideranças orientando a votação de todos nele para "unificar" o parlamento, teve 4 votos nulos e 1 branco. Chateado por não conseguir reunir apoio suficiente para vencer o adversário, Nilo tinha tudo para anular o voto para presidente e demais componentes da chapa para ocupar os demais cargos da Mesa.



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ano indecente!


Mandar 2016 tomar no cú, que nem fizeram os quatro rapazes do programa de TV, Papo de Segunda, numa daquelas divertidas apresentações cantando e tocando qualquer coisa a ver com a temática do dia. O povo entrevistado nas ruas para o programa dessa última segunda-feira do ano quis dizer isso, em outras palavras mais educadas.
O sentimento geral na telinha e ao nosso redor é esse: eita ano ruim dá porra!
O ano em que o Brasil deu pra trás, que o mundo deu pra trás, com o retorno da xenofobia e de política contra imigrantes, com a ascensão dos que representam o conservadorismo,   o atraso personificado no presidente eleito estadunidense e imperialista, Donald Trump! Aqui, com o golpe para tirar uma  presidente contra a qual não se tinha crime a acusar. Na verdade um golpe contra  o projeto político de inclusão social e garantia de direitos trabalhistas para dar lugar a um plano demolidor, que começou mexendo nos investimentos sociais do rendimento do Pré Sal e seguiu recheado de PECs (emendas constitucionais) de pura maldade,  que cortam  por vinte anos os investimentos em educação e saúde ( e o golpista do Temer ainda teve a cara de pau de dizer na noite de Natal, em cadeia nacional de TV, que investirá mais do que nunca em saúde!); de tempo de contribuição e idade para aposentadoria impraticável para o trabalhador; e agora outro duro golpe em curso para retornarmos aos tempos de escravidão, com nova PEC para aumentar a carga horária de trabalho e retirar outros direitos.
É a elite brasileira e os interesses internacionais de mercado com a sua fome de lucro avançando de forma voraz, capitaneada aqui pelos partidos políticos que claramente os representa, tendo como protagonistas dessa trama miserável  o PMDB e o PSDB.
Aí os coxinhas que foram às ruas como massa de manobra pedir o impeachment, achando que estavam lutando contra a corrupção e que sairiam da crise econômica num piscar de olhos, ficaram estatelados. Nem  conseguem reagir com tanta surra! Aliás, voltando ao hilário Papo de Segunda,  os memes exibidos não perdoaram os coxinhas inocentes úteis! Um dos integrantes do quarteto, João Vicente, chegou a dizer que eles tiraram uma presidente eleita para colocar um golpista “safado” ( usou esse termo mesmo!) e tomaram porrada na cara. Cômico se não fosse triste.
Poderia citar somente os fatos políticos, que foram o suficiente para mexer com toda a nação o ano inteiro, mas ainda chegamos ao final  abalados com o trágico acidente que matou quase o time inteiro de Chapecó.
Agora estamos aqui, em contagem regressiva, ansiosos para encerrar o famigerado 2016, como se isso fosse o suficiente para resolver nossos problemas, tal qual os coxinhas!
Tá bom! Não resolve, mas há que se crer que essa passagem de um ano para o outro serve para recuperarmos as energias e recarregar as baterias para enfrentar a luta que virá.
Então, vamos gritar em alto é bom som:
Tomar no cú, 2016!
Joana D'Arck

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Stédile: “Não conseguimos construir nossos próprios meios de comunicação de massa”


As mentes e corações dos brasileiros, há décadas, estão submetidos ao massacre incessante dos noticiários manipulados e visões de mundo vomitados pelas forças de direita, através da Globo e demais monopólios da mídia hegemônica. Leia artigo de Jadson Oliveira

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Uma enciclopédia ambulante sobre Lampião e o cangaço

José Bezerra Lima Irmão,
 autor do livro ‘Lampião, a Raposa das Caatingas’
(Foto: Jadson Oliveira)

Por Jadson Oliveira

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

De Salvador-Bahia – Parece inevitável. Uma discussão sobre o Rei do Cangaço e o cangaceirismo desemboca na interrogação recorrente: o “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, que aterrorizou o Nordeste brasileiro durante 17 anos, na primeira metade do século passado, foi bandido ou herói?

Isso aconteceu mais uma vez no último dia 26, na Faculdade de Arquitetura da UFBa, em Salvador, onde intelectuais baianos debateram o tema a partir da avaliação do livro ‘Lampião – a Raposa das Caatingas’.

O autor, José Bezerra Lima Irmão, foi taxativo: “Nem bandido nem herói, foi um cangaceiro”. Advertiu que a pergunta é a mais tola que se possa fazer e é simplória qualquer resposta dada às pressas.

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim, situando-o nas dimensões dos espaços físico e temporal, é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

Este trechinho copiei da parte inicial do livro, um camalhaço (no bom sentido) de 736 páginas de letras miúdas. E dá o tom do conteúdo da exposição de José Bezerra para as pouco mais de 20 pessoas que foram ao encontro (uma pena tão pouca gente!).

Talvez não fosse necessário frisar que o autor deu uma mostra do seu conhecimento enciclopédico sobre o assunto, adjacências e contexto – Guerra de Canudos e outros levantes populares, coronelismo, violência, injustiças sociais, religiosidade, falta de instrução, vinganças familiares, luta “braba” pela terra e pela sobrevivência, ausência do Estado, mandos e desmandos dos coronéis, dos jagunços, da polícia e, óbvio, dos cangaceiros.

Sobre tudo isso, José Bezerra mostrou que sabe tudo, pode-se dizer sem medo do exagero. Tanto que o reconhecido escritor baiano, Oleone Coelho Fontes (autor, dentre outros livros, de ‘Lampião na Bahia’, já na décima edição), não hesitou em declarar que Bezerra esgotou o tema.

A estrutura social da época explica o fenômeno

Oleone, aliás, tem uma opinião bastante diferente da de Bezerra. Proclama com toda eloquência que Lampião foi um bandido, simplesmente assim, um bandido sanguinário. Invoca a favor de sua posição as inúmeras testemunhas ou contemporâneos dos fatos que entrevistou para escrever seu livro.

Presente ao encontro, Antonio Olavo, cineasta/documentarista baiano, mostrou-se afinado com grande parte da visão apresentada por Bezerra. Disse que respeita vozes diversas, mas discorda de enfoques como o de Oleone, frisando o fenômeno da reação dos cangaceiros frente a uma situação política, econômica e social marcada pela injustiça e violência.

O cenário natural de tal situação era a tirania capitaneada pelos coronéis e chefes políticos, que tinham a seu serviço jagunços e policiais, além de autoridades como delegados, juízes e padres.

Já os organizadores do debate, o professor Edmilson Carvalho e Jorge Oliver, velhos militantes do campo das esquerdas, defenderam a necessidade e a relevância do aprofundamento de tal discussão, levando em conta principalmente que as verdadeiras causas do cangaceirismo residem na estrutura social e política da sociedade de então.

Bem, é preciso dizer que José Bezerra, um sergipano que vive em Salvador, é auditor da Receita estadual, com 70 anos, ainda não aposentado. Passou 11 anos atolado nas pesquisas, usando finais de semana, feriados, férias, licenças (preciso lhe perguntar como sua família aguentou, ou não aguentou?), com mais de 30 viagens pelos sete estados nordestinos por onde andou Lampião obrando suas controvertidas e famosas proezas.

PS: Edmilson Carvalho comentou que se trata duma obra “monumental”, que começou a ler as mais de 700 páginas, formato grande e letras miúdas, e só sossegou quando acabou. Eu já cheguei à página 85 e está até me atrapalhando, pois tenho outros afazeres e, infelizmente, não posso ficar o tempo todo na leitura. Um conselho: compre o livro. Em Salvador, pode ser encontrado na Saraiva (Salvador Shopping). Ou entre em contato com o autor por e-mail: josebezerra@terra.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O grande erro de Fidel, segundo Fidel


O grande erro foi ter pensado que sabia como construir o socialismo. Quantos líderes revolucionários, filósofos, comandantes, chefes políticos das esquerdas ou simples militantes não pensamos um dia, também, que sabíamos como construir o socialismo? A começar por Lênin, talvez o maior de todos... Por Jadson Oliveira
 

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