Atendendo a pedido do professor e quase pilheiro Nelson da Mata, publico material sobre pesquisa da UNEB para quem puder divulgar e responder ao questionário disponível na página http://tabequest.com.br/sistema/racismo/index.php
PESQUISA - O RACISMO NO CARNAVAL DE SALVADOR
O projeto de pesquisa ora iniciado objetiva estudar a incidência de manifestações do racismo no carnaval de Salvador, manifestação cultural que mobiliza uma significativa parcela da população da cidade, recebe investimentos públicos e privados de milhões de reais e tem, por isso mesmo, um importante impacto na economia, na sociedade e na vida cultural da capital baiana.
O objetivo principal é identificar situações e motivações condicionadas, social e politicamente, que propiciam o surgimento e a tolerância de circunstâncias potencializadoras de manifestações de racismo que se verificam no processo de concepção, gestão e realização da festa.
Com a obtenção das informações constantes deste questionário, a equipe de pesquisadores poderá atualizar os estudos concernentes ao racismo, desenvolver novos parâmetros para se pensar e analisar a incidência desse fenômeno e, disponibilizar informações sistematizadas que possam subsidiar - seja no âmbito municipal ou estadual - a elaboração de políticas públicas que busquem atender as demandas atinentes à solução dos problemas relacionados ao racismo.
O Relatório será divulgado em cerimônia pública e encaminhado para organizações vinculadas ao carnaval; as informações oriundas desta pesquisa serão disponibilizadas no site da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, possibilitando que estudiosos, gestores, turistas e aficionados pelo carnaval obtenham dados relevantes, consultados através de um sistema online.
Este questionário pode ser preenchido por pessoas que participaram do carnaval de Salvador, em qualquer circunstância, mesmo que na condição de telespectador, residentes ou não na capital baiana.
Estamos solicitando às pessoas que se dispuserem a participar dessa pesquisa, que, por gentileza, forneçam um e-mail para que possam receber uma senha de acesso ao questionário. Este expediente evita que uma pessoa responda, mais de uma vez, às questões, evitando duplicidade e distorções na caracterização do universo da pesquisa. Este recurso garante maior credibilidade à metodologia e maior fidedignidade à natureza dos dados obtidos para análise e interpretação. Garantimos que o e-mail informado será utilizado apenas e tão somente para os fins antes indicados.
A equipe de pesquisadores assegura, para todos os fins que se fizerem necessários, que as informações obtidas através desta pesquisa serão tratadas estatisticamente, garantindo, com isso, o pleno anonimato das pessoas que estão fornecendo as relevantes informações. Gostaríamos de agradecer a cada uma das pessoas que ora se dispõe a colaborar com este estudo, respondendo às questões constantes deste questionário.
Sua contribuição é muito importante.
Cordiais saudações.
Grupo de Pesquisa – Racismo no Carnaval de Salvador
UNEB – CEPAIA - (71) 32410811 – 3241-0787 – 3241 -0840
domingo, 11 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
Comemoração de três anos do blog é pilha pura
Pilha é que não poderia faltar na noite de comemoração dos três anos do blog, sexta (09), no Aconchego da Zuzu, o mesmo bar onde foi montado o camarote de concentração para acompanhar a "Mudança do Garcia", no último Carnaval.
O que seria um encontro restrito de colaboradores diretos do Pp, por falta de verba para bancar a festa com ampla com participação de tantos pilheiros que acompanham o blog, virou uma surpreendente comemoração com ilustres participações de professores universitários e músicos, menos a maior parte da equipe de postagem.
Borega chegou acompanhado de músicos da banda Pirombeira, pra dizer que não ia ficar, mas acabou ficando e participando da pilha toda do encontro em que todas as ausências foram justificadas, mas devidamente malhadas.
E não poderia ser diferente. Arapinga bem que tentou chegar, mas tomou tantas antes para aquecer as baterias que ficou lá mesmo em Lauro de Freitas, onde ficou também Mônica Bichara. Essa aí, para compensar a falta grave, ligou convidando todo mundo para uma super jantar na casa dela, hoje, com direito a Van contratada por ela para carregar tanto bebum e assegurar o quórum.
Uns copinhos a mais para uma sessão "vale a pensa ver de novo os amores antigos" também deixaram de fora o blogueiro internacional Jadson Pereirinha, o clone do Pereirinha da novela global das 9h, cujo robalo rendeu muita especulação e boas risadas.
Mocofaia ficou com medo de enfrentar pessoalmente a sua principal vítima, Jaciara, do blog Aqueimaroupa, a mesma do inusitado assalto que contou para o Pilha, publicado recentemente.
O aniversariante de hoje, Carmel, queria surpreender com uma homenagem às pilheiras, mas foi só pilha, igualmente a Beto Freitas, autor da letra Samba do Diploma, publicada com exclusividade aqui no blog, que já não é mais tão bom de copo e, segundo justifou o próprio, botou o pijama em plena noite de sexta.
PRÊMIO PILHA PURA
As baixas não impediram o quórum para a animada renião no Aconchego da Zuzu, quando foi deliberada a criação do Prêmio Pilha Pura, no próximo ano, nas categorias Sem Noção (esse vai para todos os pilheiros), campeões de postagens, comentários, pilhas e outras impublicáveis. O próximo aniversário do blog também terá comemoração diferente, com patrocínio e tudo, durante o dia, regada a churrasco com pagode na laje.
| Borega comanda mesa de comemoração |
O que seria um encontro restrito de colaboradores diretos do Pp, por falta de verba para bancar a festa com ampla com participação de tantos pilheiros que acompanham o blog, virou uma surpreendente comemoração com ilustres participações de professores universitários e músicos, menos a maior parte da equipe de postagem.
| Borega levou a banda Pirombeira para a prestigiar o blog |
E não poderia ser diferente. Arapinga bem que tentou chegar, mas tomou tantas antes para aquecer as baterias que ficou lá mesmo em Lauro de Freitas, onde ficou também Mônica Bichara. Essa aí, para compensar a falta grave, ligou convidando todo mundo para uma super jantar na casa dela, hoje, com direito a Van contratada por ela para carregar tanto bebum e assegurar o quórum.
| Jornalistas e professores Juciara e Péricles |
Uns copinhos a mais para uma sessão "vale a pensa ver de novo os amores antigos" também deixaram de fora o blogueiro internacional Jadson Pereirinha, o clone do Pereirinha da novela global das 9h, cujo robalo rendeu muita especulação e boas risadas.
| Rita , Joana e Carmela |
| Carmela e Borega se atualizando |
| Botando pilha na conversa |
| O paparazi mais fotografado doPilha, Manoel Porto, e Sinval |
O aniversariante de hoje, Carmel, queria surpreender com uma homenagem às pilheiras, mas foi só pilha, igualmente a Beto Freitas, autor da letra Samba do Diploma, publicada com exclusividade aqui no blog, que já não é mais tão bom de copo e, segundo justifou o próprio, botou o pijama em plena noite de sexta.
PRÊMIO PILHA PURA
| Naiara e Abílio |
| Carmela gostou da noitada |
As baixas não impediram o quórum para a animada renião no Aconchego da Zuzu, quando foi deliberada a criação do Prêmio Pilha Pura, no próximo ano, nas categorias Sem Noção (esse vai para todos os pilheiros), campeões de postagens, comentários, pilhas e outras impublicáveis. O próximo aniversário do blog também terá comemoração diferente, com patrocínio e tudo, durante o dia, regada a churrasco com pagode na laje.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Lugar de mulher é na rua
Pois é, as mulheres baianas marcaram presença nas ruas centrais de Salvador no seu dia (ontem, dia 8), em torno de duas mil, mesmo com uma chuvinha que vinha, parava e tornava a chatear. (Tem uma cobertura mais ou menos lá no Evidentemente, com vídeo, estreando uma filmadora, capengando pra filmar e piorando mais na hora de editar, uma penitência, mas vou aprender mais, prometo).
Observações exclusivas para o Pilha:
1 - A primeira foto aí encima é da "comissão de frente" inventada pela Força Sindical. Bonita, vistosa, uma bela imagem (repare que a nossa Carmelita, lá na ponta, meio de costa, está acabando de filmar o pelotão de "baianas"). Só podia mesmo estar na frente. E a faixa com deputadas e vereadoras, que em princípio abriria o desfile, teve que ficar "escondida" atrás delas. Teve gente, claro, que não gostou.
2 - Não vi a CUT. Gente do PT tinha, deputada do PT tinha, vereadora do PT tinha, mas nada da CUT. Estavam lá os blocos de outras centrais sindicais: CTB, Força e NCST. Perguntei a um e a outro: cadê a CUT? Não achei resposta satisfatória, não entendi.
3 - Havia dois carros de som: o da frente, que poderia ser encarado assim como uma espécie de "primeira classe", onde se concentraram e de onde discursaram as deputadas e vereadoras; e outro lá na rabeira, de onde falaram representantes de movimentos sociais. Mas os dois totalmente sem sintonia: o da frente reclamava que o de trás estava atrapalhando. O pessoal do carro de trás às vezes ficava sem falar esperando o final de um discurso do pessoal da frente. Assim que a oradora da frente encerrava uma fala, uma oradora de trás atacava rapidamente. Mas aí outra oradora da frente começava a falar... uma confusão.
No mais, tudo bem, muita alegria, muito colorido, muito protesto e reivindicações, o dr. Waldir Pires, nosso futuro vereador, como sempre distribuindo sorrisos e simpatia.
Observações exclusivas para o Pilha:
1 - A primeira foto aí encima é da "comissão de frente" inventada pela Força Sindical. Bonita, vistosa, uma bela imagem (repare que a nossa Carmelita, lá na ponta, meio de costa, está acabando de filmar o pelotão de "baianas"). Só podia mesmo estar na frente. E a faixa com deputadas e vereadoras, que em princípio abriria o desfile, teve que ficar "escondida" atrás delas. Teve gente, claro, que não gostou.
2 - Não vi a CUT. Gente do PT tinha, deputada do PT tinha, vereadora do PT tinha, mas nada da CUT. Estavam lá os blocos de outras centrais sindicais: CTB, Força e NCST. Perguntei a um e a outro: cadê a CUT? Não achei resposta satisfatória, não entendi.
3 - Havia dois carros de som: o da frente, que poderia ser encarado assim como uma espécie de "primeira classe", onde se concentraram e de onde discursaram as deputadas e vereadoras; e outro lá na rabeira, de onde falaram representantes de movimentos sociais. Mas os dois totalmente sem sintonia: o da frente reclamava que o de trás estava atrapalhando. O pessoal do carro de trás às vezes ficava sem falar esperando o final de um discurso do pessoal da frente. Assim que a oradora da frente encerrava uma fala, uma oradora de trás atacava rapidamente. Mas aí outra oradora da frente começava a falar... uma confusão.
No mais, tudo bem, muita alegria, muito colorido, muito protesto e reivindicações, o dr. Waldir Pires, nosso futuro vereador, como sempre distribuindo sorrisos e simpatia.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Dia Especial
O nosso blog completa hoje três anos de pilha pura. Veja a primeira postagem, em 08 de março de 2009 (Salvem as mulheres (Luís Fernando Veríssimo), e aproveite para revisitar o espaço recheado de curiosidades, histórias hilárias, reais ou mirabolantes, e muitos fatos e fotos aqui registrados.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Uma cena (real) que marcou o filme
O filme “Amargo Pesadelo” estava sendo rodado no interior dos Estados Unidos.
O diretor filmava uma cena em um posto de gasolina típico daquela região. Na casa contígua, o real proprietário do posto morava com sua mulher e filho. Este era autista e nunca saía do terreno da casa.
Aconteceu, então, um fato surpreendente que chamou a atenção do diretor. Num dos cortes para refazer a cena do abastecimento, um dos atores que, sendo músico, andava acompanhado da sua guitarra, notou a presença do garoto autista que dedilhava um banjo na varanda da casa.
O ator então se aproximou e começou a repetir na sua guitarra a sequência musical que o autista tocava. Como houve uma “resposta musical" por parte do garoto, o diretor logo captou a importância da cena e mandou filmar.
Começou aí um belíssimo "duelo" entre os dois, duelo este que acabou sendo incorporado ao filme e se transformou nos momentos de maior beleza e significado de "Amargo Pesadelo".
Chama a atenção o fato de que o garoto é verdadeiramente um autista. Nunca fora escalado na figuração do filme e a cena não estava prevista no roteiro.
Vale a pena ouvir a incrível sequência musical produzida e ver a beleza do momento onde a alegria do garoto modifica toda a sua expressão. No início está distante, mas, à medida que toca o seu banjo, ele cresce com a música e vai se deixando levar por ela, até que passa a exibir um sorriso contagiante.
Observem também a felicidade do pai, que começa a dançar, e da mãe que assiste a tudo através da janela.
Terminado o "duelo", o autista volta para dentro de si para viver o seu mundo particular e característico do desvio de personalidade que carrega, o que pode ser visualizado na sua reação, típica de um autista, no momento em que o ator se aproxima para cumprimentá-lo.
Foi uma única tomada, oportunamente filmada graças à percepção do diretor.
Assista ao vídeo e aumente o som...
(Recebi o vídeo acima, com o texto, enviado por Antonio Carlos Pereira dos Santos, velho companheiro da década de 70 – militância sindical e do jornal Movimento. Acrescento observação de minha filha Norma, que sabe do assunto: “No texto tem um trecho que não é verdade: o autista não tem o mundo particular e nem desvio de personalidade, na verdade alguns autistas não têm oportunidade de tratamento e ajuda para conseguir expressar suas dificuldades de convivência social e independência. Depende também do grau do autismo. Existe até o que é classificado como autista severo, aquele que tem, inclusive, problemas físicos).
terça-feira, 6 de março de 2012
Voltei Recife, foi à saudade que me trouxe pelo braço....
Fortes cores primárias, batuques de Maracatu e o vício frenético do frevo são os ingredientes básicos que dão o tom do Carnaval do Recife-Olinda. O carnaval mais democrático do mundo é um desses espetáculos que as palavras não conseguem fazer jus a obra. No Recife palcos espalhados pelos quatro cantos da cidade, principalmente no Ricifi Antígo (pronunciado assim) levou esse ano para todos
os foliões artistas como Lenine, Alceu Valença, Seu Jorge, Roberta Sá, Lula Santos, Geraldo Azevedo, Nação Zumbi, Orquestra de Frevo do Recife, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos, Reginaldo Rossi, Jussara Silveira, Beth Carvalho, Pedro Luís e a Parede, Pitty entre tantos outros. Em Olinda, animados blocos (sem corda) saem pelas suas ladeiras levando frevo, marchinhas, samba, batuque e muito mais. As fantasias são um espetáculo a parte, lá se vê de tudo, de super-heróis a personagens criados pelo facebook, tinha gente fantasiado até de privada (isso mesmo, um sanitário humano em pleno carnaval...kkk). Sem cordas e sem camarotes o carnaval do Recife-Olinda caracteriza-se também pela sensação de segurança que te dá e não é pela quantidade de policiais não, até porque vi muito poucos, tem a ver com a energia, com o espirito de quem sai para brincar. É assim, brincando, que se comemora o carnaval de lá, os foliões se "armam" de pistolas de água, bolinhas de sabão, buzinas e tantos outros apetrechos e interagem de uma forma que só se vê nessa época do ano. Não foi meu primeiro carnaval lá e com certeza não será o último.
O carnaval multicultural de Pernambuco consegue abraçar todos os públicos e gostos e digo isso não só no sentido musical da festa. Ele possibilita a interação entre classes e raças de forma harmoniosa provando que, pelo menos no carnaval, todos são tratados de maneira igual. É por isso que digo: Você já foi ao carnaval de recife, nego? Não? Então vá.
os foliões artistas como Lenine, Alceu Valença, Seu Jorge, Roberta Sá, Lula Santos, Geraldo Azevedo, Nação Zumbi, Orquestra de Frevo do Recife, Elba Ramalho, Naná Vasconcelos, Reginaldo Rossi, Jussara Silveira, Beth Carvalho, Pedro Luís e a Parede, Pitty entre tantos outros. Em Olinda, animados blocos (sem corda) saem pelas suas ladeiras levando frevo, marchinhas, samba, batuque e muito mais. As fantasias são um espetáculo a parte, lá se vê de tudo, de super-heróis a personagens criados pelo facebook, tinha gente fantasiado até de privada (isso mesmo, um sanitário humano em pleno carnaval...kkk). Sem cordas e sem camarotes o carnaval do Recife-Olinda caracteriza-se também pela sensação de segurança que te dá e não é pela quantidade de policiais não, até porque vi muito poucos, tem a ver com a energia, com o espirito de quem sai para brincar. É assim, brincando, que se comemora o carnaval de lá, os foliões se "armam" de pistolas de água, bolinhas de sabão, buzinas e tantos outros apetrechos e interagem de uma forma que só se vê nessa época do ano. Não foi meu primeiro carnaval lá e com certeza não será o último.
O carnaval multicultural de Pernambuco consegue abraçar todos os públicos e gostos e digo isso não só no sentido musical da festa. Ele possibilita a interação entre classes e raças de forma harmoniosa provando que, pelo menos no carnaval, todos são tratados de maneira igual. É por isso que digo: Você já foi ao carnaval de recife, nego? Não? Então vá.
PS. Chefinha, eu sei que estou enquadrada em um dos artigos que Manoel Porto sempre fala... kkk. O número eu não sei. É o que diz: "Avisa lá que eu vou chegar mais tarde...", mas antes tarde do que nunca.
Fotos: Daniel Solter
segunda-feira, 5 de março de 2012
Assalto insólito
Mais uma de Mocofaia sobre Jaciara, sua vítima predileta.
- O bicho tá pegando. Tão levando tudo. A gente não pode vacilar que levam tudo, tudo mesmo.
-O que houve Moca?
-Soube que Jaciara foi assaltada?
-Foi? Quando?
-Hoje cedo, às 5h da madruga.
-E aí, levaram o carro?
- Não, ela ia pro laboratório fazer exame de fezes. Levaram a coleta dela. E o pior é que ela ficou gritando: devolva a minha m...
- O bicho tá pegando. Tão levando tudo. A gente não pode vacilar que levam tudo, tudo mesmo.
-O que houve Moca?
-Soube que Jaciara foi assaltada?
-Foi? Quando?
-Hoje cedo, às 5h da madruga.
-E aí, levaram o carro?
- Não, ela ia pro laboratório fazer exame de fezes. Levaram a coleta dela. E o pior é que ela ficou gritando: devolva a minha m...
domingo, 4 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
E a loura farmácia se esfumou no sábado à tarde (Delírios 2)
Ela estava sentada bem ali naquele canto, naquela mesa encostada na parede, junto lá do retrato de Bienvenido Granda, “o bigode que canta”, ai... gosto muito das suas canções, machuca o coração da gente, “perfume de gardênia... perfume de amor”, “angústia...”, você gosta? Na semana passada fui ver um show dele lá na Concha Acústica, uma beleza... Pois é, estava sozinha, meio bêbada, assim miudinha, já pensou? Vi daqui, sentado aqui, diante da minha cerveja... Bebendo sozinha num barzinho como esse, pensei, só pode ser puta, puxa, mas sábado à tarde, não pode ser, isso não é hora de puta trabalhar. O que mais chamava atenção eram os cabelos louros, uma beleza, quer dizer, os cabelos, a cara mesmo não vou dizer o mesmo, uns merdas aqui andaram dizendo que era feia, uma cara assim quadrada parecendo nortista, mas foi sacanagem do pessoal, só porque ela se interessou por mim, eu achei bonita, principalmente os cabelos louros. Doramunda, disse que chamava Doramunda mas eu podia chamar ela de Dora... pois então, deu a impressão que Dora gostou de mim, puxou conversa comigo, disse “que camisa bonita!”, ah... eu fiquei todo encabulado, quase engasguei quando Dora me chamou pra sentar na mesa dela. Também eu caprichei, fiz como nos filmes americanos, estendi a mão com o sorriso mais bonito que eu podia arranjar e recitei: “Juventino Perpétuo de Jesus”, eu tinha treinado em casa, lá no quarto da pensão, escondido da turma, um dia eu ia encontrar uma moça bonita e me apresentar como nos filmes, acho que me saí muito bem, queria que minha mãe me visse naquela hora, queria que ela visse, parece que ela não acreditava muito em mim, eu sempre carreguei essa mágoa no peito, pois é, queria que ela visse. E Dora parece que tinha gostado mesmo, sorriu, uns dentes estragados assim na frente, mas sorriu bonito: “Doramunda Paixão, muito prazer, cavalheiro”, você precisava ver, parecia nos filmes, só queria que minha mãe visse... Pode perguntar o garçon, o Ricardinho, ele viu tudo. Eu estava vestindo aquela camisa Ban-lon, aquela bege, eu às vezes levo ela lá pro trabalho, lá na Florensilva, e depois do meio-dia eu visto ela, tiro a camisa branca e a gravata, a farda, né? passo uma água nos sovacos pra tirar o suor e visto a minha Ban-lon, sempre pensei: um dia vou pegar uma garota com essa Ban-lon, claro que se eu tirasse um Sinca Chambort no programa de César de Alencar, lá da Florensilva, grande Florensilva de seo Florentino, ah... aí ia ser fácil, ia chover garotas, mas tudo bem... Essa Ban-lon eu comprei tem três meses, foi um acontecimento, comprei ali mais abaixo na Milisan, ali no Sulacap, você sabe, ficou famosa quando botaram a propaganda “o gerente da Milisan ficou maluco” pra dizer que estavam vendendo barato demais, coisa dos publicitários... Pois então, comprei minha Ban-lon tem três meses, foi na primeira Gratificação de Natal dos Trabalhadores, tem gente que tá chamando décimo terceiro salário, mas é a Gratificação de Natal que o presidente João Goulart criou pro trabalhador no ano passado, em 62. Não pense que tô grogue porque tô acabando a segunda cerveja, não senhor, tô lembrando de tudo... Dora botou o olho na camisa Ban-lon e aí, já viu, né? Mas é uma porra... A coisa parece que ia bem, alisei seu braço, cheguei a passar a mão nos seus cabelos, Dora me deu um beijo na mão, me disse a mim, com toda franqueza, achei lindo: “sou loura farmácia”, lá em São Paulo se diz assim quando é loura de pintura, já te disse que ela disse que era paulista?, paulista não, paulistana, você sabe, paulistana é da capital, de São Paulo, a maior cidade da América do Sul, ou da América toda? É maior do que Nova Iorque, do que a Cidade do México? Pois então, paguei pra ela um sanduíche de mortadela, me pediu 20 paus, disse que era emprestado... Mas aí, de repente, não sei bem o que aconteceu, eu estava entusiasmado demais, fazendo mil cálculos, me sentindo assim nas nuvens, meio bêbado também, quando dei por mim Dora estava saindo com um cara agarrado nela, com o braço passado na cintura, eu não acreditei, vá pra porra, não é possível, é muita sacanagem... eu tô bom é de morrer...
Porra, Juventino, será mesmo que você nunca pegou uma garota, nunca comeu uma mulher? não tem quem aguenta esse lenga-lenga seu todo sábado à tarde, o Ricardinho disse que agora só vai te vender uma cerveja, não vai ter mais a segunda, ninguém aguenta mais, oh Juventino!, sossega Juventino, sábado que vem tem mais Juventino.
Porra, Juventino, será mesmo que você nunca pegou uma garota, nunca comeu uma mulher? não tem quem aguenta esse lenga-lenga seu todo sábado à tarde, o Ricardinho disse que agora só vai te vender uma cerveja, não vai ter mais a segunda, ninguém aguenta mais, oh Juventino!, sossega Juventino, sábado que vem tem mais Juventino.
sexta-feira, 2 de março de 2012
"A Privataria Tucana" em Salvador
Aí está o jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor de “A Privataria Tucana”, durante audiência pública realizada nesta quinta-feira, dia 1º., aqui na cidade da Bahia. Lançamento e debate sobre o livro. O salão aí do Fiesta Hotel ficou quase cheio. O encontro foi promovido pelo deputado estadual Joseildo Ramos, do PT.
Postei dois vídeos no meu blog Evidentemente (link aqui no Pilha), com alguma coisa do que disseram Amaury e o deputado petista Emiliano José.
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